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A mostrar mensagens de 2012

Sr.professor

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Não entendo, ou não quero entender, quando dizem que hoje os alunos já não são como eram no tempo em que eu andava no liceu. Dizem que eles agora são diferentes. Que não acatam instruções com a subserviência devida. Que não toleram as correções merecidas e que até se indignam quando são chamados à atenção com alguma autoridade. Imagino que, se assim é, a maioria não recordará o nome, nem reconhecerá o rosto dos professores que tiveram nos tempos de escola, volvidos 20 anos sobre o fim do ensino secundário. Das dezenas de professores que me ensinaram qualquer coisa em 12 anos de idas ao quadro negro, eu garanto que consigo recordar as feições e os nomes da maioria, consigo reviver na memória o seu tom de voz e até consigo lembrar, estou certo, grande parte dos conceitos que debitaram e se esforçaram, a maioria deles, para que ficassem até hoje na minha cabeça. Bem vistas as coisas, à distância de 20 anos, foram coleções de disciplinas que eu tive de guardar na caderneta do saber. Fora...

Liberdade

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Hoje vivemos tempos difíceis. Tempos estranhos e de mudança. O outono de 2008 nos Estados Unidos da América trouxe uma grande constipação e, a seu tempo, o mundo apanhou uma gripe daquelas a valer. Portugal e a Grécia são dois pacientes em convalescença, dizem eles, que necessitam de uma quarentena apertada e muito rígida. Por isso fizeram-nos tomar comprimidos de largo espectro com efeitos secundários de longa duração e que, ainda por cima, viciam não a quem os toma mas a quem os prescreve. Não haveria de certeza uns comprimidinhos mais ligeiros, com efeitos secundários de menor impacto? Depois os doutorzinhos do Centro de Saúde aqui do burgo, querem seguir as prescrições com afinco. Com tanto afinco que até querem exagerar as dosagens a ver se a maleita se esvai mais depressa. Querem matar o mal e o doente também. Com tanta medicamentação que o pai Portugal tem tomado, a filha Liberdade, agora com 38 anos, anda triste, tão triste que ultimamente até se veste de negro. Já não basto...

Morangos da vida

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Aos 37 anos é muito provável que eu já tenha caminhado metade do percurso que tive, e tenho, pela frente. Andei muitas vezes às escuras, a tropeçar nas pedras do chão que não soube ver a tempo, mas outras vezes, pelo contrário, passeei alegremente e fui conversando com os amigos que fiz pelo caminho. Com tombos ou passeatas de mão dada, valeu tudo a pena. Só há uma coisa que é muito diferente agora: as minhas prioridades e a gestão do meu tempo. É como se o meu cesto de morangos esteja agora meio cheio, ou meio vazio, e eu já não tenha a mesma disponibilidade para os ir deixando cair sem me importar com isso, ou para os dar generosamente sem olhar a quem, ou ainda para simplesmente os deitar fora, como fazia antes, ao mínimo defeito que detetasse na polpa vermelha. Já não faço nada disso. Agora os meus morangos, o meu tempo, são geridos com austeridade. Já não acato conversas que não me levam a lado nenhum. Já não deixo qualquer pessoa entrar na minha vida para que saia à mínima fri...

Defeitos

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Gosto de defeitos nos outros e em mim. Mas defeitos saudáveis, que podem até irritar, mas que não chegam a provar má formação em alguém. Não falo desses. Defeitos de má formação não os suporto nem tão pouco os tolero. Afasto-me logo. Tu também, certo? Por isso tu que tens a mania que mandas, eu que sou teimoso, tu que gostas de repetir aquilo que os outros dizem como se fosses um irmão Dupont saído da BD do Tintin, ou ainda tu que tens ciúmes dos teus amigos como se eles fossem o amor da tua vida, deixa estar e não mudes. És muito mais giro assim! Quem é que gosta de gente perfeita? Existe?

Prazeres culpados

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Todos temos guilty pleasures em várias áreas. No cinema eu tenho alguns. Gosto especialmente deste filme realizado pelo Danny Boyle em 2000 sobre uma ilha algures na Tailândia, virgem e escondida das garras do turismo. O filme foi mal recebido pela crítica, sobretudo, por causa das liberdades que tomou na adaptação do romance. Quanto ao livro, escrito em 1996 por um jovem inglês de 26 anos, Alex Garland, é francamente bom. Uma espécie de "Senhor das Moscas" para a geração X dos anos 70. Quem não gostaria de pertencer a uma comunidade idílica numa ilha de sonho? Durante 2 meses? 3 meses? Sempre? Com o novo paradigma económico que se instala na nossa sociedade, talvez até seja uma boa ideia voltar às origens de uma aldeia (nada global). Alguém tem o mapa para a ilha? :) Eu vou.

Planeta Amor

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Às vezes penso que uma relação é como um museu onde os momentos são obras de arte que pertencem a todas as correntes estilísticas. Os beijos trocados fazem-se com pinceladas de Klimt e os encontros perfeitos encantam como uma pintura de Monet. Monet porque os abraços que se trocam, quando são apertados e sôfregos, podiam bem ser mantos de nenúfares sobre um lago de 360º. Quando alguém está apaixonado os olhos não vêem a realidade. Os olhos vêem um quadro saído do impressionismo francês. Porque quem gosta impressiona-se com facilidade. Impressiona-se com as palavras e impressiona-se com os gestos. Ou é só uma impressão minha? Mas não é só de pintura que vive o amor. Ele vive também da meteorologia e das estações do ano. Quem está pelo beicinho vê passarinhos verdes, consegue ver o sol em dias cinzentos e acredita que o outro é capaz de mudar as estações do ano só porque sorri. Pois é. O pinga-amor acredita sempre que o outro traz a primavera nos lábios quando este solta sorrisos...

Insert card

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Gostava que o pragmatismo do comando de televisão, ou da tecnologia em si, pudesse ser transportado para a vida real. Bastaria carregar num botão e voilà! Passava-se de uma situação para outra completamente diferente e com direito a total controlo do volume. Muito fácil e sem chatices. Seria perfeito poder aumentar ou diminuir o som dos diálogos conforme estes nos agradassem ou não. Se assim fosse, eu calaria muita gente. Calaria uns mas daria amplitude de voz a outros, que por norma não costumam ter eco nas palavras. Talvez esta ideia, daqui a uns anos, deixe de ser uma situação digna de um filme do James Cameron ou do Ridley Scott. Talvez mesmo daqui a uns anos, as pessoas passem a investir no implante de botões ON e OFF em vez de gastarem dinheiro nas operações plásticas ao nariz ou às maminhas de borracha. Uma entrada mini SD, atrás da orelha para não desfear, também seria muito boa ideia para uma recauchutagem. Nesse cartãozinho maravilhoso faríamos atualizações imediatas e efi...

Os Beijos

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Pergunto-me se haverá no mundo um mausoléu tão venerado, beijado e escolhido como abrigo preferido de leitores solitários, como a campa de Oscar Wilde no cemitério de Père-Lachaise em Paris? Vêem-se olhos que choram, mãos que escrevem recados e lábios pintados que beijam a pedra fria. As frases e os pedaços de histórias que se podem ler nas quatro paredes, se compilados mesmo sem nexo, dariam um romance. Um romance de retalhos.

Jogos Felinos

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Toda a gente quer o pacote completo a que tem direito. Quer sedução, quer tempo de qualidade com o escolhido, quer intimidade, com fantasia e uma pequena cena de ciúmes à mistura, quer emoção em dose controlável, quer poder romper barreiras, zangar com direito a todos os extras: amuos fotogénicos para quem vê, discussões mais acesas, telefonemas que terminam em voz de cama, depois um jogo de apanhada, ou um pedido de desculpas se isso for uma regra obrigatória e por fim um grande momento regado com dopamina, neuroepinefrina e pheniletilamina. É que o amor bem comportado pode ser um tédio.

Marvel

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Se eu tentasse explicar ao meu sobrinho de seis anos, de forma muito simplicada, o que é a Troika e aquilo que ela significa, tenho a certeza que ele me aconselharia a abrir um dos livros de banda desenhada que tem na estante para que chamássemos um super-herói valente. Em vez de manuais de economia, ele iria achar mais eficaz uma consulta ao dicionário da Marvel. Porque afinal, o pragmatismo da banda desenhada consegue resolver qualquer problema em pouco mais do que três tiras quadriculadas, com cores primárias e algumas onomatopeias em letras garrafais. Se o Batman existisse de verdade, ou o Hulk, ou o Super-Homem e a sua amiga Mulher-Maravilha, nós teríamos vigilantes preocupados em restaurar o bem-estar e a ordem. Se eu falasse da Troika ao meu sobrinho... ele diria que o Joker, a Mulher-Gato ou o Lex Luthor são meninos de coro comparados com ela.

Música em ti

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No bulício dos teus beijos solfejados, encontrei a melodia perene que me faz querer entregar a alma. Entre colcheias de ternura e semínimas de bem querer, entendi que a minha partitura só podia ser dirigida pelo teu gesto musical sem espartilho de estilo. Claves de sol iluminam, agora, a minha vontade a cada toque teu, como se o teu dó-ré-mi fosse a palavra mágica essencial para o meu apogeu sinfónico, antes ausente, e agora para sempre adjectivado na pauta do amor que acontece. Música que ecoa em poesia muda, sem quaisquer palavras que a enalteçam. Apoteose melódica de uma grande composição que nasce de um momento de silêncio. Grito sem voz que consegue inebriar a mais surda das emoções. Requiem precipitado de um amor que nunca chegou a terminar. Mariposas de cordas de violino flutuam no meu pensamento musicado à tua medida, como se o teu adágio me travasse os sentidos vencidos pela tua batuta que me destina a mergulhar no teu oceano de semibreves, compassos e semifusas. Quero-te na...

Há dias

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Há dias em que não sei a dimensão de mim. Dias em que me deixo perder no labirinto da minha própria essência e nem sequer sei onde começo e acabo. Há dias assim. Dias não. Dias que não são perfeitos mas que por algum motivo teimam em acontecer. O que fazer com eles? O tempo neste mundo tem muitos destes dias. O mais fantástico num dia assim é como ele pode representar a perfeição num outro universo humano. Aquilo que não me apraz, delicia o senhor que se segue. Um mundo heterogéneo de emoções interpretáveis de mil e uma maneiras. Certamente um dia não são dias. E um dia nefasto pode ser um dia delicioso num outro universo paralelo. Talvez esse seja o grande apanágio dos humanos: a multiplicidade de interpretações que um dia pode conter. Amanhã lá vem outro...dia!

Modas

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Estar na moda e seguir padrões é uma chatice. Pessoalmente até acho bem mais 'edgy' quando se rema contra a corrente. É porreiro ler os livros em voga quando já ninguém se lembra deles e melhor ainda, usar verde alface quando a regra é o preto. Faço uma ressalva para os fashionistas ponderados: aqueles que aderem a uma moda, porque é aquilo que querem mesmo, e não compram tudo o que lhes é atirado pelos olhos adentro. São coerentes e reflexivos nas suas escolhas. Não falo só de moda. Falo de conceitos, hobbies, assuntos de conversa e até de opiniões pré-formadas. Qual é a graça de ler fulano X porque toda a gente o está a ler, ou ver o filme Y porque o mundo vai vê-lo em fila indiana, ou aderir ao hobbie Z porque parece que toda a gente o faz hoje em dia? A moda tem um sacana de um denominador comum que não me agrada. Quer pensar por nós. Quer apressar decisões. Impor padrões e criar manadas que aprendem a esquecer como decidir por si. No dia em que a voga mundial seja mais h...

É saudade

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A saudade, pura, poética e fadista, talvez seja portuguesa mas existe também no resto do mundo. É uma palavra difícil de traduzir para outras línguas mas não é intraduzível. Algumas línguas têm palavras equivalentes, algumas até se socorrem...de várias palavras para a exprimir, mas a maior dificuldade é encontrar o consenso entre tradutores e falantes para o seu significado. Esse, o significado, é que não é consensual. Por exemplo os alemães, nada dados ao Fado, conseguem englobá-la numa palavra e chamam-lhe " die sehnsucht". Ach so!! Diz o dicionário que saudade é lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado, ou pesar, mágoa que essa privação causa. Concordo. Mas e qual é o seu antónimo? Não é óbvio nem fácil. Eu diria que o contrário de saudade é desprendimento e total desinteresse pelo passado.

O Especialista

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Há atores especialistas em certos tipos de papel. Para mim, o Ralph Fiennes continua a mostrar a mesma aptidão para retratar heróis atormentados e irremediavelmente desafortunados no amor. É quase um "guilty pleasure" catalogar Fiennes nesta categoria, sendo ele um dos actores mais académicos da sua geração. Mas a verdade é que ninguém consegue ser um melhor herói romântico do que ele. "English Patient", "The End of the Affair", "Wuthering Heights" ou "The Constant Gardener", são exemplos de como ele consegue criar uma aura de romantismo sem frivolidade nem maneirismos mainstream. The ultimate passionate lover!

Leitura Fria

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Não entendo como ainda há quem leve a sério a futurologia feita com naipes de jogar. Ou a outra, feita com cartas que não se regem por copas, paus, espadas e ouros mas sim por figuras coloridas, algumas até bem bonitas, que representam coisas diversas consoante calhem direitas ou invertidas. Pensando bem, eu não entendo a aceitação de todo e qualquer tipo de adivinhação. Ele é búzios, runas, quiromancia, desenhos de azeite sobre uma tela de água, oráculos e telepatias que assentam, sobretudo, na capacidade de alguém em saber comunicar com carisma. Qualquer dia ainda alguém se lembra de começar a ler as linhas dos pés. Aposto que haveria clientes com fartura! A verdade é que o carisma canalizado no sentido errado pode transformar um indeciso num crente fervoroso. Hitler fê-lo com sucesso e, provavelmente, nem sabia jogar à sueca. Aquilo que digo sobre as leituras de baralho, repito em relação aos grupos de pessoas em torno de uma mesa de mogno escuro, rosto fechado e de mãos dadas, à ...

Domingo

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Hoje acordei bêbado de sono. Fui direto à cozinha, depois de uma pequena excursão ao WC, liguei o rádio e carreguei no botão da máquina do café. No ar, as ondas da M80, cantavam sucessos de ontem e em especial este "Hungry Eyes". A minha am iga Electra começou a elevar-se nas patas traseiras e rodopiou umas quantas de vezes. Ainda pensei que o fizesse por causa do cheiro a café, que ela adora, mas não. Ela queria dançar comigo. Ela que se deixe de tretas que eu não vou elevá-la em prancha! :)

Eu não sei e tu não sabes

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Acredito que ninguém sabe realmente alguma coisa. Somos, e fomos talhados para ser, eternos aprendizes. Quando nascemos, indefesos e à mercê dos braços que nos seguram, não podemos recorrer às experiências de uma vida passada, se ela existir. Quando deixamos a infância para trás não sabemos sequer o que realmente significou a juventude e quando casamos, não concebemos nem de perto nem de longe aquilo que é ser-se casado. Depois vem a velhice e tornamos a não saber para onde vamos, sabemos apenas aquilo que foi para trás, mas nem aí temos sorte porque, salvas raras exceções, poucos terão disponibilidade para nos escutar. Dirão que somos crianças outra vez e o melhor é não fazer caso. Por isso não há volta a dar e ponto final. Somos aprendizes em eterno ciclo e sem capacidade para saber alguma coisa no momento certo. A única certeza absoluta é uma eterna inexperiência.

O teu perfume

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No teu perfume eu encontro motivos para te fazer viver para sempre. Na minha memória, bem entendido. O teu cheiro quando vinhas para casa, molhada da chuva, com o cesto de vime cheio de legumes a emoldurar o peixe que tu escolhias sempre fresco. Ou o aroma dos teus beijos na minha face, quando me convencias a ir para a escola, quanto tudo aquilo que eu mais queria era continuar a estar contigo. Sem desenhos parvos e colagens absurdas que eu fazia com os outros miúdos na sala de aulas. Contigo, as horas eram festas e as tardes eram carnavais de histórias que tu me contavas, para me convencer a dar mais uma garfada. Não eras a minha mãe mas talvez fosses personagem de um patamar superior. De um livro de contos. Ou uma faixa de um disco, já muito riscado, que eu ouvia vezes e vezes sem conta contigo ao pé de mim. Tudo o que tenho de ti, agora, são fotografias com sorrisos teus e o teu perfume, que por vezes muda consoante a memória que tu deixaste. Como podes tu já não existir, se eu ai...

Viajar é viver

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Viajar é viver. Há quem viaje para sentir. Outros fazem-no para aprender. Outros ainda para fugir daquilo que deixam para trás, e por isso para esquecer. Parece-me que o motivo mais sincero para se iniciar uma viagem a algures é querer levar na bagagem disponibilidade para receber. Quanto maior for a diferença entre a nossa cultura e a do país que se visita, maior a necessidade que alguém tem para encaixar aquilo que recebe. Por outro lado, viajar não significa de todo uma instrução adquirida. Porque se as viagens simplesmente instruíssem os homens, os marinheiros seriam incontestavelmente os mais instruídos do mundo. Perguntem ao Popeye!

É a lei

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    Há coisas do camandro! Escolhas mais-do-que-imperfeitas e que se podem traduzir nas coisas mais simples. A fila do supermercado que nos parece a mais rápida, dois minutos depois de lá estarmos carregados de compras, torna-se de repente na mais lenta da correnteza. Bonito! Dizem que esta coisa jeitosa tem um nome americano: Sod's Law ou mais conhecido ainda, Murphy's Law. Esta "lei" formulada em 1949 por E.A. Murphy Jr, engenheiro dos EUA, nasceu como uma brincadeira privada entre os cientistas atómicos dos Estados Unidos: "Se alguma coisa puder correr mal, vai correr mesmo mal!". Deve ser por isso que os EUA conseguiram fazer os três ensaios atómicos que se conhecem, e que correram mesmo muito mal. Só alguém com um sentido de humor ultra-negro conseguiria estar envolvido no projeto. Digo-o, sem ironia nenhuma...

Às vezes

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Às vezes queria que a vida fosse como um filme a preto e branco. De planos demorados. Lentos de pormenor. Outras vezes, eu queria que a existência fosse um filme colorido. Garrido de sentimento. Estilizado de emoções. De vez em quando, poderia ser também um filme de autor. Mais rápido e de contornos misteriosos. Se Deus, ou quem manda, fosse um realizador galardoado, cada um de nós viveria a sua longa-metragem à medida do talento. Porque se a vida fosse um filme, de todos os géneros, blockbuster ou erudito, os finais seriam, por tendência, sempre felizes.

Atriz mulher

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Há alguns dias atrás escrevi sobre esta senhora, figura de destaque da teledramaturgia brasileira. Olhando para a sua estatura pequenina, de olhar negro e ligeiramente estrábico, consegue-se sentir uma energia especial que destila no seu discurso simples mas articulado. Lucélia Santos é uma mulher muito interessante. Mais do que a eterna "Escrava Isaura", a quem deve o reconhecimento internacional em mais de 120 países, é sobretudo uma atriz de teatro e cinema. Foi a musa do dramaturgo Nelson Rodrigues porque transportou para o grande ecrã uma série de heroínas rodriguianas: "Engraçadinha", "Lara de Resende" ou "Álbum de Família". Nos anos 80 deu vida no cinema a "Luz del Fuego", uma figura polémica ligada ao naturismo em tempo de ditatura militar, naquele que seria, dizem, o filme preferido de Fidel de Castro. Aliás, graças a este trabalho, e à velhinha Isaura também, dizem que o próprio Fidel quis conhecer a Lucélia pessoalmente...

64

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Quando eu tiver 64 anos quero já ter feito o meu trabalho de casa. Da escola da vida, quero eu dizer. Quero ter sido eu sempre, sem nunca ter precisado de montar armadilhas a ninguém para conseguir mais depressa os meus objetivos. Quando eu tiver 64 anos quero que digam que eu fui um gajo porreiro. Que soube sempre ouvir. Que soube sempre ajudar um amigo quando ele precisou de mim. Quando eu tiver 64 anos quero que o mundo tenha uma consciência diferente daquela que tem hoje. Quero que ele seja um lugar onde a sustentabilidade, a eco-efiiciência e o bem estar comum sejam as palavras de ordem. Sem atropelos, sem capitalismos selvagens, sem selvas de pedra onde só os mais ferozes e os que rugem mais alto, é que sobrevivem. Até porque se eu estiver errado, nessa altura já estou velho de mais para lutar contra os leões. Quando eu tiver 64 anos quero que ainda haja livros a conviverem nas prateleiras com os mil gadgets (des)necessários que vão ser inventados até essa altura. Pode ...

A tua geometria

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Quando penso porque te amo, encontro uma resposta original em cada perspectiva do meu pensamento. Imagino-te a sorrir, ou de lado, ou ainda a fazer o pino contra aquela parede que tu pintas insistentemente de todas as cores que existem. São muito diferentes as perspectivas de ti. São, sim senhor! Mas são tão iguais as emoções que tu me trazes! Essas, as emoções, são fortes e coloridas. Fortes como aquele abraço que tu me dás quando estamos juntos no baloiço da noite, e são coloridas como os nossos olhares cruzados nos instantes que construímos.   Não entendo quase nada de geometria descritiva. Não percebo os planos geométricos nem tampouco as perspectivas que tu dominas. Mas sei de cor cada pedaço de ti; cada posição que tomas; cada esboçar de sorriso. Não sei se sentes o mesmo que eu, e para te falar a verdade, nem é coisa que me faça perder muito tempo a tentar adivinhar. Chega-me saber que existe um turbilhão latente em toda a minha calma, só porque me permiti a dar sem me imp...

Olhos vendados

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Mesmo de olhos vendados , meu amor.. Vejo-te nas sombras dos beijos que ficaram por dar Imagino-te no chilrear dos lábios, Como se fossemos pássaros de asa ardente Mesmo de olhos vendados, meu amor… Oiço-te as emoções marulhadas no teu (nosso) mar Cheiro-te os anseios nos teus silêncios sábios Caminho-te com mãos de veludo em luar de mudez estridente Mesmo de olhos vendados , meu amor.. Colho-te afectos nos canteiros de flor encarnada Pressinto-te em espasmos de sorriso ardente Porque tu morres-me no olhar para me nasceres na mente Mesmo de olhos vendados, meu amor.. Vou amar-te numa escuridão sem madrugada Calar a minha aura com a tua presença de estrela intermitente Vontade de ser galáxia para que te embales em noite estrelada Mesmo de olhos vendados, meu amor… Eu encontro-te no breu dentro de mim e sussuro-te: É para sempre.

Feira das existências

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Eu não sei se tudo aquilo que sei, me fará saber-te melhor amanhã. Eu não sei se tenho aquilo que preciso ter para conseguir reter-te aqui, assim como estás agora. Talvez só consiga parar essa imagem tua, na retina do meu olho. Como se fosse espelho, não de alma mas, de vida feita de momentos que troquei, ou trocámos, por sorrisos que se rasgaram das (in)existências tristes. Não pensei que tivéssemos tantas nuvens para trocar por céus mais claros, ou calendários de noites com ares parados que leiloámos, tu e eu, à primeira licitação de beijos feitos de sol. Quem sabe que nada sabe é porque não tem nada a temer. Talvez apenas aprender como se fazem, e remendam, os retalhos de uma vida.

Twiggy

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Ainda a Claudia Schiffer era um projeto de pais solteiros, em 1966, já a Lesley Hornby se tinha tornado na primeira super-modelo internacional mais conhecida por Twiggy. Leve como uma folha, cabelito à rapaz e de longas pestanas, esta menina marcou um estilo e definiu uma época. Num ápice, a nossa Twiggy tornou-se no ídolo das adolescentes que participaram na revolução dos anos 60. Aos 17 anos, imaginem, a Twiggy magricelas era já uma das caras mais conhecidas do planeta. Chegaram até a colocar uma fotografia sua dentro de uma cápsula e enviaram-na para o espaço, não fosse algum E.T. ter dúvidas de como seria uma mulher gira do planeta Terra. Depois de ter conseguido ser a modelo mais espacial do mundo, teve ainda tempo para ser capa de todas as revistas de moda que importavam: Vogue, Bazaar, Marie Claire e todas as outras edições da especialidade. Strike a pose! :)

Pássaro contente

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Não há maneira de encontrar coisa melhor do que me perder dentro de mim. Perder-me nos bons pensamentos que me antecipam sorrisos. Peço um café escuro de breu e recosto-me na cadeira de vime que balanço irrequieto. Vejo pessoas, jovens, vel hos e crianças que cruzam caminhos e raramente oferecem olhares. Imagino destinos e vidas em cada um destes seres. Para onde vão? Aquilo que temem e aquilo que os faz sentir mais vivos são ideias que se tornam vivas em mim. Depois acordo no meio daquele lençol de pensamentos e abano a cabeça num meio-sorriso que só eu entendo. O meu café continua quente e bilhante. Negro, brilhante e cheio de nuvens. Naquele pedaço de céu reflectido no meu café passou um pássaro contente. Contente, porque não existem pássaros tristes. Voar e ser triste é coisa que não existe.

Amor, amore, amour

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Uma pesquisa no Google sobre a definição do amor devolveu-me dois resultados curiosos : A primeira definição caracteriza o amor como uma palavra que possui diversos significados. Por exemplo na Grécia o amor mais popular diz chamar-se ágape . Este senhor helénico auto-define-se como sendo o amor desprovido de interesse, do tipo que se tem, ou se deve ter, por qualquer pessoa. É o tipo de amor que incide no carácter do próprio indivíduo e o motiva a amar até os próprios inimigos, imaginem! Ainda mais engraçado, e sem sair da Grécia, a língua de Aristóteles é tão romântica que até tem várias palavras diferentes a significar o mesmo, mudando consoante o objeto ao qual se referem. Para grandes ou pequenos amores, grandes ou pequenas palavras! Depois de tanta informação sobre o vírus mais saboroso do mundo, eu resolvi procurar outras visões diferentes. E tanto procurei que acabei mesmo por encontrar: o amor é uma palavra de quatro letras, duas vogais, duas consoantes e dois idiotas. Ei...

Porcelana

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Há músicas que têm o poder de trazer à ideia imagens em movimento logo nos primeiros acordes. Acontece-me isso regularmente. Oiço uma canção que não ouvia há anos e ... záas! Lembro o momento Y com a pessoa X e também algumas palavras que foram trocadas nessa realidade que ficou para trás. Quando oiço Moby, e em particular o álbum "Play", volto a sentir-me instalado no sofá mais lilás e confortável que eu conheço. O sofá peludo da cor do vinho, que eu tinha no copo naquela altura, e o riso, também ele colorido, da Verónica. Lembro dos duelos de palavras. Das conversas em cascata. Da futurologia irónica que fizemos os dois com cumplicidades e nevoeiro de muitos cigarros. Hoje ela é psiquiatra porque cumpriu com o tal desejo pessoal que partilhou comigo no sofá. No sofá felpudo, fofinho e muito lilás. Penso que fui o primeiro paciente sem saber que o era. Fazer exercícios de psiquiatria no sofá, e não no divã, foi das melhores coisas que podíamos ter feito ao som de Moby. Gan...

Zapping

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Hoje em dia é raríssimo eu ver um qualquer episódio de telenovela, portuguesa ou internacional. Para falar a verdade não vejo sequer televisão, exceto o noticiário ou um outro programa que me desperte o interesse. Mas se eu pensar no concei to de telenovela, todo o conjunto da ideia do folhetim em cerca de 150 capítulos, parece-me desatraente e serôdio. Para além disso, uma das coisas que mais detesto é esperar. Não tenho paciência para seguir uma trama que muitas vezes se arrasta ad nausium, quando é óbvio que se houvesse bom senso entre os personagens, a situação retratada na cena era despachada na hora, sem necessitar de 4 episódios para que isso aconteça. Porém se o bom senso vingasse sobre todos os outros condicionantes num argumento para televisão, ou até cinema, não faria sentido a telenovela, ou qualquer outro produto de ficção. Isto é um facto. :) É por isso que eu prefiro muito mais o bom cinema. Existem tantos e bons filmes que merecem ser vistos, que não perco tempo a ...

Perguntem à Alice!

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Ela coçou o joelho lustroso e apoiou o queixo nos braços. Os olhos bonitos pareciam perdidos num horizonte que só ela parecia conhecer. Era dificil quebrar aquele olhar castanho quando ela se encontrava acastelada naquele universo tão hermético. Lá em cima, o céu cinzento embalava umas poucas de nuvens escuras que ameaçavam começar a chover. Como se o único motivo que ainda as detinha de lacrimejar fosse a presença dela naquele jardim, qual deusa ou ninfa de um um dossel de algodão cinzento. Não havia momento mais precioso no dia do que aquele em que ela podia finalmente estender-se na relva perto do canteiro de malmequeres. Fazia-o ritualmente todos os dias depois do almoço. Trazia sempre consigo um livro volumoso de contos de fadas, apesar de já ter passado a idade de acreditar em duendes e dragões, e debruçava-se sobre ele folheando-o com os dedos esguios. Muitas vezes detinha-se durante longos momentos a admirar as gravuras coloridas. Esboçava um sorriso e olhava para cima como s...

Deserto

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A vida é um deserto árido que cabe a nós povoar e preencher ao longo do tempo. Antes de conseguir criar um oásis, consegui primeiro plantar um pequeno arbusto e tentei fazê-lo crescer o melhor que soube. O arbusto teve alturas em que cresceu verdejante, outras ainda em que secou desmesuradamente. Aprendi então que a vida é sobretudo uma questão de tempo. Um universo de estações com consequentes metamorfoses. O importante é a adaptabilidade à circunstância, a evolução e a aprendizagem. Acredito tremendamente no acaso. Creio na perfeição da circunstância e na possibilidade de a capitalizarmos correta ou incorrectamente. Ser e Estar é aquilo que nos define porque determina aquilo que somos num mundo que mudou, muda e sempre mudará. O sumo da vida é felicidade expressa naquilo que somos e fazemos com prazer. Ainda não tenho um oásis mas tenho o arbusto que não vou deixar morrer.

Carta

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E se uma carta de amor assinada por ninguém chegasse às tuas mãos, o que sentirias? Meu amor, Sabes o quanto eu te amo? Tropecei? Caí? Perdi o equilíbrio? Rasguei o meu joelho? Rasguei o meu coração? Sei que te amo quando os meu olhos te vêem, Sei que a tua ausência faz arder a minha alma Nem um músculo se moveu. Folhas flutuam numa qualquer brisa. Os ares estão parados. Apaixonei-me sem ter dado um passo… Eu existo para te completar, Como vento que dança com a chuva, Numa valsa de inverno Quando me penteio Quando leio os meus livros Quando coleciono as linhas do teu rosto Quando não estou junto de ti Eu continuo… Sempre a querer pertencer-te

Perguntou-me

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O amor perguntou-me numa noite estrelada quanto tempo falta para florescer dentro de mim. Respondi-lhe que na primavera dos afetos, as flores crescem livres do jugo de uma qualquer  estação. A compaixão acordou-me numa madrugada qualquer e perguntou-me quanto tempo falta para inundar de bondade, todos os meus gestos. Sem pestanejar, respondi que as marés das boas ações são como o oceano, enchem e vazam a praia do coração enquanto ele continuar a bater. A alegria convidou-me para passear num bosque, e a meio do passeio perguntou-me quanto tempo falta para eu sorrir todos os dias até esquecer o que é uma lágrima. Respondi-lhe que se eu esquecesse o significado de uma lágrima, nunca poderia compreender a magia de um sorriso. Num jardim de encanto, a inocência chamou-me só para me perguntar quanto tempo falta para eu voltar a ser criança. Pensei alguns momentos e disse-lhe que uma criança já eu tinha sido mas que continuava a acreditar em fadas. Um dia deixei de ter encontros com as...

Ícone

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Apesar de nunca ter brilhado como grande atriz de renome internacional, o trabalho de Ursula Andress prova que o Cinema é sobretudo composto por momentos especiais e que, pela sua especialidade, eventualmente se tornam icónicos. A cena do bikini branco em "007 - Dr No" (1962) é um momento de brilhantismo cinematográfico e não foi necessário o recurso a uma atriz de formação académica para que a imagem alusiva a uma Vénus renascida nas águas se tornasse numa das maiores imortalizações instantâneas da Sétima Arte. Mais do que a primeira Bond Girl, Ursula Andress e a sua Honey Ryder, representa a essência pura da feminilidade inocente mas sensual, num periodo em que o Cinema ainda se apaixonava ad aeternum por um rosto ou uma figura.

Retro

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Hoje fala-se muito em retro. Isto ou aquilo é retro. Linhas retro. Objetos retro. Retro a quatro. E retro, enquanto conceito, aplicável a tudo. A palavra "retro" vem do prefixo latino retro que significa "para trás" ou "em tempos passados", muitas vezes significando um olhar nostálgico do passado. Se ser retro é gostar de cinema clássico, é cultivar lembranças, é perder horas em feiras de antiguidades, é só usar vestido aquilo que se gosta mesmo que nos perguntem onde é que estacionamos a máquina do tempo, então eu sou assumidamente um grande retro. Ainda jogo gameboy, borrifo-me para a Nintendo 3DS, uso jardineiras de veludo cotelê com joelheiras quando me apetece, coleciono vinil e adoro escrever à mão. Qualquer dia sou internado por ser... tão retro.

À mão

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Quem é que ainda sabe escrever um caderno inteiro? Quem é que ainda sabe passar para o papel uma caligrafia só sua, sem a vestir com o prete a porter Times New Roman, tamanho 12, com a folga de 1,5 para as bainhas? A haute couture da mensagem feita à mão está em desuso. Como estão os selos. E as cartas enviadas pelo correio também. Pergunto-me se até os bilhetes dobrados em quatro, a voarem numa sala de aula transformada em aeroporto temporário, estarão em crise. Devem estar moribundos. Os bilhetinhos de liceu agora são sofisticados: passaram a ter o poder de fazer vibrar o bolso do colega na primeira fila que, disfarçadamente, consulta o telefone e retribui na mesma moeda. E os contratos e as assinaturas? Já pouco se levanta a caneta para vincar com tinta o papel. Dizem que a assinatura moderna é digital e pode ser usada mil vezes. O nome fica embalsamado num ficheiro de imagem e assim ninguém se engana a assinar. Trigo limpo, farinha Amparo! Até as cartas que se extraviavam porque...

Tilt

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A malta da minha idade sabe o que é um salão de jogos. Sabe como soava a música de dezenas de máquinas a funcionarem ao mesmo tempo como se fossem uma sinfonia eletrónica sem maestro. Sabe como era agreste entrar no salão quando se tinha menos de dezasseis anos e, melhor ainda, sabe como era possível enganar o responsável da casa com maroscas e trapaças adolescentes para que ele não corresse connosco dali para fora. Mais importante do que isso, a malta da minha idade soube, e sabe, como era fazer render uma moeda de cinquenta escudos o maior tempo possível. É isso. O maior desafio de todos no velho templo dos jogos arcade era conseguir jogar horas a fio com uma única moeda. Por isso a frase "Insert coin" era a frase que mais detestávamos ver no ecrã. Preferíamos ver escrito "Hall of Fame" onde colocávamos orgulhosamente o nosso nome com três letras apenas. A grande festa acontecia quando o técnico da máquina, ou o senhor que fazia a colecta das moedas, nos dava c...

Era uma vez

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"Era uma vez", são as palavras que começam sempre os meus sonhos. Isto porque eu sou metáfora com música num mundo de imagens imaginadas contigo, tal qual tu fosses um livro de encantamento. Por ti, eu pulei de uma qualquer página para pisar a tua realidade, e assim libertar-me do espartilho dos parágrafos e do papel. Atravessei capítulos inteiros e enfrentei todos os dragões e bruxas más que encontrei pelo meu caminho até ti. Trago aqui comigo as gravuras coloridas, de uma história bonita, e também uma mensagem feita com uma moral cor-de-rosa. Guardo as cores das aguarelas, que pedi emprestadas às figuras desenhadas, porque posso mais tarde querer mudar a cor do teu espírito. Posso torná-lo azul celeste para receberes o Peter Pan e os meninos perdidos, ou talvez preto ébano para que possa contrastar na tez alva da Branca de Neve. Tu dizes-me que os meus sorrisos são fábulas que te convidam a dançar aventuras e eu, ainda mais sorridente, solto dos lábios um assobio marot...

Paciência

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Umas das desculpas mais famosas do mundo e que, ainda por cima, serve para tudo é o célebre "Eu não tenho paciência!". Não há paciência para o tempo que demora a passar e muito menos para a situação que não desejamos viver e que somos obrigados a gramar. O irónico é que essa paciência, ou a falta dela, é um dos motivos que mais rupturas causa. Quem não tem paciência muitas vezes não goza aquilo que tem para gozar. Há relações que acabam por falta de paciência, há discussões que se incendeiam pela falta de paciência de uns e outras que descambam em agressão pela falta de paciência de outros. Para muitos a paciência é sinónimo de virtude-miragem que, por ser trabalhosa, só alguns conseguem atingir. Ter paciência é muito mais do que tricotar uma colcha de bilros ou saber esperar desde as sete da manhã na fila para a Segurança Social. Paciência é energia e não resignação. Para muita gente ela não passa de uma forma menor de desespero mascarada de virtude. Mas estão enganados c...

Ser ou não ser

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Ser ou não ser uma boa pessoa. Ou melhor, tentar ou não tentar ser-se sempre melhor é cada vez mais difícil. Com os mal-entendidos, as más interpretações, a falta de paciência, a sobrevivência de cada um social, emotiva ou profissionalmente, tudo isto treina cada um de nós a ganhar o dia como se de uma prova se tratasse. Depois há os conflitos, as invejas e as invejinhas, o diz que disse e o toma lá que já almoçaste, que fazem com que seja tarefa dura ser uma boa pessoa. Ainda há quem confunda a bondade com a fraqueza. Parece que vivemos num sítio onde se acredita que quem é bom tem de ser fraco ou então um grande otário. É assim na fila do supermercado, no pagamento dos impostos, na fila para o autocarro ou em qualquer outra situação na qual se pense primeiro no outro do que na satisfação da nossa necessidade inicial. Ser bom não dá. "Se fores bom vais ver que te passam a perna!", dizem. É tão difícil sermos boas pessoas que quando o estamos a ser, há quem ache que esta...

Oz

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Há alturas em que termos uma estrada de tijolos amarelos a indicar-nos o caminho certo seria perfeito. Quando estou numa dessas alturas já experimentei bater com os calcanhares dos meus ténis, a ver se funciona, mas tudo o que aparece em amarelo é a desilusão da dor nos pés. Ok. Para todos os problemas a única estrada possível é seguir-se em frente e enfrentar o feitiçeiro. E já não bato os calcanhares, dou-lhe com os ténis na cabeça.

Os aviões

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Não gostei na primeira vez em que a ouvi e continuo a não gostar dela agora. A música "Anda comigo ver os aviões" dos Azeitonas é um sucesso em loop constante nas rádios portuguesas e para mim é um tema chato com direito a um par de galochas. Não vejo nada poético em ir ver aviões ao aeroporto da Portela. Ou em trazer a América até aqui se não formos nós lá. Melhor fez o Maomé com a sua montanha. Mais romântico seria visitar um cemitério de aviões ao luar. Imaginar batalhas. Adivinhar cada buraco de bala na chapa e contar as terras por onde voou o avião antes de morrer. Ou jogar um jogo de imaginação com consequência: por cada resposta menos coerente, castigar com um beijo quem está connosco. Sentar no cockpit vazio e contar as estrelas. Acreditar que podemos acendê-las na noite ao toque de cada um dos cem botões em frente ao piloto e co-piloto. Não gosto da música dos aviões. Prefiro voar de outra maneira diferente.

Miau

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Vem aí, para animar o verão, mais um filme do Batman realizado pelo Christopher Nolan, que já fez alguns com o Christian Bale, Katie Holmes, Heath Ledger etc. Antes dele o Joel Schumacher tentou a sorte com o George Clooney, o Val Kilmer, Alicia Silver Stone, Arnold Swarzenegger e o amigo Robin, Chris O'Donnell. E claro, o pai do Batman para cinema, o Tim Burton que realizou dois filmes com o Michael Keaton, a Kim Basinger, Jack Nicholson, a especial Michelle Pfeiffer. Eu gosto especialmente do trabalho do T. Burton que conseguiu apanhar o elan de Gothan City como nenhum outro conseguiu. Diz que este novo filme vai trazer de volta a cat woman mais assanhada do que nunca. Não sei. Se ela conseguir fazer melhor do que a gatinha Pfeiffer, eu compro-lhe um Whiskas saquetas. Meow!

Tempo de amar

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Não sei se será a crise do amor ou antes a emancipação do individualismo moderno, mas a verdade nua e crua é que a maioria de nós não está preparado para gramar com as crises conjugais. Para crise já basta a depressão económica que, não nos ponhamos nós a pau, já nos dá conta do juízo. Em tempos e conjunturas diferentes, os nossos avós foram grandes campeões do gramanço mútuo em tempos difíceis. O avô trabalhava e a avó ficava em casa, e por isso ela dependia dele, mas mesmo sendo ela dependente como uma menina ainda em casa dos pais, ela sorria e passeava na rua de braço dado com ele. Havia a guerra mundial, o racionamento e a alçada paternalista do Estado Novo mas o que era isso quando havia companheirismo e amor? Às vezes discutiam e havia zaragata a ver quem falava ou gritava mais. Pois com certeza que devia haver. Mas em vez de falarem em separação, ou na figura jurídica do divórcio que eles só conheciam de ter ouvido falar nos filmes americanos, a maioria dos nossos avós prefe...

SOS verão

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Dá sempre jeito o número de apoio a clientes em qualquer serviço. Pena que nem tudo seja de reclamação fácil. Quero reclamar deste verão de 2012, muito quentinho qb, mas muito "inho" para o meu gosto. Aquece mas não escalda. Sabe bem mas não delicia. Melhor do que o inverno mas muito "inhozinho" para que chegue a ser um estio à séria. Alguém sabe o numerozinho da assistenciazinha a clientes para as estações do ano? Quero trocá-lo. Ainda deve estar dentro da garantia.

Sexismo

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Uma coisa que me intriga nos dias de hoje, em matéria de conteúdos para crianças, é o sexismo. Por que raio é que a Walt Disney, por exemplo, insiste em fazer marketing direcionado aos meninos e outro totalmente diferente, dirigido às meninas? Quanto eu tinha 6 anos, rapazes e raparigas viam os mesmos programas. Podia haver menos variedade mas não havia pressões deste tipo. O que importava se a "Bela Adormecida" era uma princesa, se o filme tinha também um príncipe que sabia usar a espada como ninguém e até lutava com um dragão gigante? O que é que interessava se a Branca de Neve era uma miúda assustada se, na verdade, meninos e meninas reagiam da mesma maneira quando ela se perdia na floresta ou quando entrava a bruxa em cena? Papámos a Heidi, o Marco, o Tom Sawyer, o D'artação, o He-man e até a Candy Candy marchava, mesmo que fosse para fazer chorar as pedras da calçada. Hoje isto não acontece desta maneira. Os meninos são pressionados para não perderem pitada do Gor...

Quase

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Lentamente vou começando a ver as férias a uns poucos de metros de distância. Ainda não consigo correr para elas, como um puto que reencontra a mãe num Shopping apinhado de gente, porque os meus pés pesam com os três dias de trabalho que ainda tenho para cumprir. Mas quando as apanhar a jeito, as meninas férias, vão levar uma beijoca bem repenicada! :) muah!

Pedaços do passado

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Um dos meus passatempos preferidos é visitar lojas de artigos em segunda mão. Gosto do cheiro a antigo e, ainda mais, de me perder num mar de LPs, singles, roupa vintage, ou livros de capa dura com títulos gravados em dourado. Demoro algum tempo a observar pormenores e espero sempre encontrar um objeto especial. O Tal objeto especial! Leio as dedicatórias que um dia alguém escreveu na contra-capa de um disco qualquer e encontro sempre anotações curiosas que um leitor mais atento resolveu apontar nas páginas de um romance clássico. Às vezes até encontro cartas a marcar uma paragem de leitura. Cartas que quase sempre falam de ausência, ou de (in)confidências que quem as escreveu não imaginou que seriam lidas por um destinatário anónimo dali a 30 anos. Hoje foi um desses dias de viagem no tempo. Encontrei uma mala de viagem perfeita: Couro preto, quadrada, pequena o suficiente para ser bagagem de mão, e com ar de já ter viajado muitas milhas. Uma mala que vive há mais tempo do que eu.

Somos um

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Às vezes sentimos que somos apenas um. Ou porque estamos sozinhos ou, melhor ainda, porque nos complementamos no outro que está connosco. Mas quase sempre, depois de todas as voltas que já foram dadas, depois de todos os valentes tombos onde nos esfolámos à grande, ou depois de esgotado o portefólio das (más) justificações para o nosso vazio, todos procuramos um motivo que justifique uma vida. E esse grande motivo, apenas diferente no momento de sentir, passa sempre pela partilha.