Música em ti





No bulício dos teus beijos solfejados, encontrei a melodia perene que me faz querer entregar a alma.

Entre colcheias de ternura e semínimas de bem querer, entendi que a minha partitura só podia ser dirigida pelo teu gesto musical sem espartilho de estilo.

Claves de sol iluminam, agora, a minha vontade a cada toque teu, como se o teu dó-ré-mi fosse a palavra mágica essencial para o meu apogeu sinfónico, antes ausente, e agora para sempre adjectivado na pauta do amor que acontece.

Música que ecoa em poesia muda, sem quaisquer palavras que a enalteçam. Apoteose melódica de uma grande composição que nasce de um momento de silêncio. Grito sem voz que consegue inebriar a mais surda das emoções. Requiem precipitado de um amor que nunca chegou a terminar.

Mariposas de cordas de violino flutuam no meu pensamento musicado à tua medida, como se o teu adágio me travasse os sentidos vencidos pela tua batuta que me destina a mergulhar no teu oceano de semibreves, compassos e semifusas.

Quero-te na minha ópera sem primadonnas, barítonos ou mezzo-sopranos que talvez, só iludam a nossa ária tão especial. Aquela ária que escrevemos os dois num pedaço de voz cristalina e que continuaremos a escrever até que se extinga a inspiração.

Quero que reste apenas o veludo vermelho da cortina que lembra o sangue que me corre acelerado quando te vejo sem o barulho dos holofotes a arder. No calor das luzes condenadas ao silêncio, consigo escutar aquela ópera que ainda não nasceu em nenhuma mente iluminada.

Só em ti e no teu colo. Porque no limite da tua pele, nascem cantos e trinados que em canteiros de arrepio conseguem fazer vibrar o meu olhar, e pestanejar os meus ouvidos.

Sou melodia desnudada. Desafino que (en)canta. Madrugada que anoitece. Lua que brilha e aquece.

Tu és música empertigada. Flor que se espanta. Aurora que enternece. Sol que vestido de prata, anoitece.

Posso tudo. Anulo o nada. Contigo assim. Para sempre.

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