Leitura Fria
Não entendo como ainda há quem leve a sério a futurologia feita com naipes de jogar. Ou a outra, feita com cartas que não se regem por copas, paus, espadas e ouros mas sim por figuras coloridas, algumas até bem bonitas, que representam coisas diversas consoante calhem direitas ou invertidas. Pensando bem, eu não entendo a aceitação de todo e qualquer tipo de adivinhação. Ele é búzios, runas, quiromancia, desenhos de azeite sobre uma tela de água, oráculos e telepatias que assentam, sobretudo, na capacidade de alguém em saber comunicar com carisma. Qualquer dia ainda alguém se lembra de começar a ler as linhas dos pés. Aposto que haveria clientes com fartura!
A verdade é que o carisma canalizado no sentido errado pode transformar um indeciso num crente fervoroso. Hitler fê-lo com sucesso e, provavelmente, nem sabia jogar à sueca.
Aquilo que digo sobre as leituras de baralho, repito em relação aos grupos de pessoas em torno de uma mesa de mogno escuro, rosto fechado e de mãos dadas, à espera de um sinal do além, que tardará com toda a certeza em vir. Esqueci-me de referir os reposteiros de veludo vermelho. Eles também são importantes na mise-en-scène do Alan Kardek.
Não quero ofender nem desrespeitar ninguém. De todo. Se eu posso acreditar em unicórnios e sereias por que carga de água os outros não poderão acreditar no oculto? Parece-me justo.
Peço-vos é que façam uma experiência engraçada. Experimentem alinhar numa consulta, vistam-se num estilo oposto ao vosso dia-a-dia, não peguem nas pistas que vos serão lançadas a ver se pega, mantenham-se o menos participativos que consigam, e verão como um carismático pode, e vai, errar redondamente. É que a leitura a frio até pode saber bem pl'a altura do estio, mas vai derreter se não comermos o sorvete depressa. Se fosse comigo aplicava o dinheiro numa cassata à séria! É mais calórica mas ao menos não engana.

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