Pedaços do passado
Um dos meus passatempos preferidos é visitar lojas de artigos em segunda mão. Gosto do cheiro a antigo e, ainda mais, de me perder num mar de LPs, singles, roupa vintage, ou livros de capa dura com títulos gravados em dourado. Demoro algum tempo a observar pormenores e espero sempre encontrar um objeto especial. O Tal objeto especial! Leio as dedicatórias que um dia alguém escreveu na contra-capa de um disco qualquer e encontro sempre anotações curiosas que um leitor mais atento resolveu apontar nas páginas de um romance clássico. Às vezes até encontro cartas a marcar uma paragem de leitura. Cartas que quase sempre falam de ausência, ou de (in)confidências que quem as escreveu não imaginou que seriam lidas por um destinatário anónimo dali a 30 anos.
Hoje foi um desses dias de viagem no tempo. Encontrei uma mala de viagem perfeita: Couro preto, quadrada, pequena o suficiente para ser bagagem de mão, e com ar de já ter viajado muitas milhas. Uma mala que vive há mais tempo do que eu.

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