Lady of Shallot
Alfred Lord Tennyson apresentou-me num poema a Lady de Shallot. Sozinha na torre do castelo de Shallot, uma ilha perto de Camelot, uma senhora elegante e triste está condenada a nunca poder espreitar o mundo lá fora, a não ser através do enorme espelho que tem na sala e que lhe mostra o reflexo que vem da janela.
Enfeitiçada, sem saber porquê, ela aceita a sua condição e, para passar o tempo, vai fiando uma tapeçaria sem fim olhando de quando em vez para o espelho que lhe permite ver um pedaço da vida no exterior. Um dia igual a todos os outros, ela vê a imagem do cavaleiro Lancelot que passava a cavalo no outro lado do rio. Tudo deixou de lhe fazer sentido. Levantou-se e parou de tecer o tapete de mil cores para espreitar pela primeira vez pela janela debruçada sobre o rio.
O espelho quebrou-se e ela compreendeu que o sabor da morte, que lhe vinha como certa, era mais encantador do que a calma solitária que vivera uma vida inteira. Saiu para o jardim, deitou-se numa barca sobre um manto de cetim branco e deixou-se ir à deriva até à cidade de Camelot. Ao cair da noite, já morta, chega finalmente à cidade e Sir Lancelot contemplou a beleza perfeita do seu rosto sereno.

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