Sexismo
Uma coisa que me intriga nos dias de hoje, em matéria de conteúdos para crianças, é o sexismo. Por que raio é que a Walt Disney, por exemplo, insiste em fazer marketing direcionado aos meninos e outro totalmente diferente, dirigido às meninas? Quanto eu tinha 6 anos, rapazes e raparigas viam os mesmos programas. Podia haver menos variedade mas não havia pressões deste tipo. O que importava se a "Bela Adormecida" era uma princesa, se o filme tinha também um príncipe que sabia usar a espada como ninguém e até lutava com um dragão gigante? O que é que interessava se a Branca de Neve era uma miúda assustada se, na verdade, meninos e meninas reagiam da mesma maneira quando ela se perdia na floresta ou quando entrava a bruxa em cena?
Papámos a Heidi, o Marco, o Tom Sawyer, o D'artação, o He-man e até a Candy Candy marchava, mesmo que fosse para fazer chorar as pedras da calçada. Hoje isto não acontece desta maneira. Os meninos são pressionados para não perderem pitada do Gormiti, do Cars ou do Monsters Inc. Já as meninas levam com a bomba das princesas Disney. Porque isso, princesas, não é coisa para meninos. Pressionar os miúdos para verem aquilo que eles, produtores de conteúdos, acham que é suposto ser visto por cada sexo é uma coisa bem idiota!
A Walt Disney é um bom exemplo porque dá para ver claramente como adapta a estratégia de marketing ao sexo dos miúdos e, ainda por cima, com filmes com mais de sessenta anos (Branca de Neve e os sete anões - 1937). Em 1937 o sonho era para todos, crianças, adultos, meninos e meninas. Porque afinal, os sonhos não têm sexo.

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