O erro






Aprendi na escola que o mundo é redondo. Mas não é. O mundo é curvo e por vezes é disforme. Tem muitos lados. Faz muitos ângulos e muitas vezes até faz um triângulo. Nesse triângulo passamos a vida a calcular a hipotenusa. Umas vezes conseguimos. E outras vezes perdemo-nos a fazer o cálculo. E quando erramos, nem sempre é fácil culpar Pitágoras. Ou pedir satisfações a Galileu.

Às vezes o mundo é perfeito e traz brilhos ao olhar. Sentem-se estrelas cadentes dentro de nós, mas depois vem a chata da trovoada e leva aquilo que tinhamos de bom. Lá se foram as estrelinhas e a leveza do Ser.

Mentiram-me. O mundo não é redondo! Não é uma bolha de sabão perfeita e lisa. De bolha, o mundo só tem a metáfora. Pode rebentar com um sopro. Pode desfazer-se e temos de tentar fazer outra. Quem me disse que o mundo era uma esfera, não sabia que ele pode ser um quadrado. Pode até ser uma jaula. Pode ter quatro lados e pode prender-nos a uma ideia, a um jogo de vontades ou a um (pre)conceito.

O melhor que há, digo eu, é um mundo desenhado de mil formas diferentes consoante a vontade. Onde fosse possível escolher a imagem que se quisesse, nas diferentes fases da vida. Sem moldes obrigatórios. Sem absolutismos. Sem obrigações impostas. Isto é que era um mundo à séria! Um dia faço um só para mim.

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