A tua geometria
Quando penso porque te amo, encontro uma resposta original em cada perspectiva do meu pensamento. Imagino-te a sorrir, ou de lado, ou ainda a fazer o pino contra aquela parede que tu pintas insistentemente de todas as cores que existem. São muito diferentes as perspectivas de ti. São, sim senhor! Mas são tão iguais as emoções que tu me trazes! Essas, as emoções, são fortes e coloridas. Fortes como aquele abraço que tu me dás quando estamos juntos no baloiço da noite, e são coloridas como os nossos olhares cruzados nos instantes que construímos.
Não entendo quase nada de geometria descritiva. Não percebo os planos geométricos nem tampouco as perspectivas que tu dominas. Mas sei de cor cada pedaço de ti; cada posição que tomas; cada esboçar de sorriso. Não sei se sentes o mesmo que eu, e para te falar a verdade, nem é coisa que me faça perder muito tempo a tentar adivinhar. Chega-me saber que existe um turbilhão latente em toda a minha calma, só porque me permiti a dar sem me importar se, aquilo que eu faço, é investimento ou bondade natural. Penso que numa terra onde o fado impregna a cultura popular é inevitável que se acredite nos sopros do destino. Caminhos escolhidos. Fortunas desenhadas a priori. Ou ventos de sorte. Não sei. Apenas tenho a certeza que algures numa ardósia feita de estrelas, alguém, ou qualquer coisa, imaginou que eu e tu devíamos cruzar vidas e fixar palavras.
Porque palavras não as leva o vento. Não. Eles não sabem. Com palavras se têm certezas e se descrevem as maiores declarações. Dou-te, por isso, todas as minhas palavras. As de amor e as de compaixão também. Amor por ti e compaixão por tudo aquilo que fomos e dissemos. Talvez um dia, quando eu já não existir, haja uma palavra minha que por teimosia consiga sobreviver, e comprove que fluí nesta luz de hoje e te amei. Talvez haja uma palavra…uma só, não achas?

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