Tempo de amar




Não sei se será a crise do amor ou antes a emancipação do individualismo moderno, mas a verdade nua e crua é que a maioria de nós não está preparado para gramar com as crises conjugais. Para crise já basta a depressão económica que, não nos ponhamos nós a pau, já nos dá conta do juízo.

Em tempos e conjunturas diferentes, os nossos avós foram grandes campeões do gramanço mútuo em tempos difíceis. O avô trabalhava e a avó ficava em casa, e por isso ela dependia dele, mas mesmo sendo ela dependente como uma menina ainda em casa dos pais, ela sorria e passeava na rua de braço dado com ele. Havia a guerra mundial, o racionamento e a alçada paternalista do Estado Novo mas o que era isso quando havia companheirismo e amor? Às vezes discutiam e havia zaragata a ver quem falava ou gritava mais. Pois com certeza que devia haver. Mas em vez de falarem em separação, ou na figura jurídica do divórcio que eles só conheciam de ter ouvido falar nos filmes americanos, a maioria dos nossos avós preferiam o adágio do "amanhã é outro dia" ou o do "deixa estar que amanhã já te conto uma história".

Hoje há malta que se separa porque já não ouvem a mesma canção. Ou porque já não estão sôfregos de paixão como estavam há 15 dias de se terem conhecido. Quando falta o dinheiro então, cai o Carmo e a Trindade. Gritam, culpam-se, discutem, organizam verdadeiros combates para ver quem ofende mais o outro. A culpa é da crise. É. Mas não é uma crise económica. É uma crise feita de valores raquíticos e com tosse convulsa. Gostar de uma pessoa dá trabalho para mais quando se vive na era do facilitismo instantâneo. E que tal fazerem amor?

PS- Estão excluídas deste pensamento pessoal, as atitudes que desvirtuem os direitos humanos, os direitos morais e o respeito à integridade física. Nestes casos o melhor é de facto mandar pastar.

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