Porcelana


Há músicas que têm o poder de trazer à ideia imagens em movimento logo nos primeiros acordes. Acontece-me isso regularmente. Oiço uma canção que não ouvia há anos e ... záas! Lembro o momento Y com a pessoa X e também algumas palavras que foram trocadas nessa realidade que ficou para trás. Quando oiço Moby, e em particular o álbum "Play", volto a sentir-me instalado no sofá mais lilás e confortável que eu conheço. O sofá peludo da cor do vinho, que eu tinha no copo naquela altura, e o riso, também ele colorido, da Verónica. Lembro dos duelos de palavras. Das conversas em cascata. Da futurologia irónica que fizemos os dois com cumplicidades e nevoeiro de muitos cigarros. Hoje ela é psiquiatra porque cumpriu com o tal desejo pessoal que partilhou comigo no sofá. No sofá felpudo, fofinho e muito lilás.


Penso que fui o primeiro paciente sem saber que o era. Fazer exercícios de psiquiatria no sofá, e não no divã, foi das melhores coisas que podíamos ter feito ao som de Moby. Ganhámos momentos de porcelana para recordar mais tarde.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A vida

Que seja!

Romance