Era uma vez
"Era uma vez", são as palavras que começam sempre os meus sonhos. Isto porque eu sou metáfora com música num mundo de imagens imaginadas contigo, tal qual tu fosses um livro de encantamento.
Por ti, eu pulei de uma qualquer página para pisar a tua realidade, e assim libertar-me do espartilho dos parágrafos e do papel. Atravessei capítulos inteiros e enfrentei todos os dragões e bruxas más que encontrei pelo meu caminho até ti.
Trago aqui comigo as gravuras coloridas, de uma história bonita, e também uma mensagem feita com uma moral cor-de-rosa. Guardo as cores das aguarelas, que pedi emprestadas às figuras desenhadas, porque posso mais tarde querer mudar a cor do teu espírito. Posso torná-lo azul celeste para receberes o Peter Pan e os meninos perdidos, ou talvez preto ébano para que possa contrastar na tez alva da Branca de Neve.
Tu dizes-me que os meus sorrisos são fábulas que te convidam a dançar aventuras e eu, ainda mais sorridente, solto dos lábios um assobio maroto que te canta afectos misturados com histórias de enternecer.
Há em nós aquele mistério imaginado pelos Irmãos Grimm porque conseguimos escapar a todos os lobos que procuram o Capuchinho Vermelho. E sabes porque somos assim, tu e eu? A resposta está no sapatinho de cristal da Cinderela. Ela pode ter perdido um dos sapatos de vidro mas encontrou uma certeza absoluta.
Perguntas-me agora qual é essa certeza tão absoluta. A Gata Borralheira descobriu que podia ter uma vida cheia de momentos mas preferiu encontrar um único momento capaz de mudar uma vida. E como todas as Cinderelas/os deste mundo, eu prefiro descobrir esse momento e agarrá-lo contigo sem medo de encantos que terminam à meia noite.
E se perguntássemos à sereia de Hans Christian Andersen o que é um amor de encanto? Ela saberia responder melhor do que a Alice, que de tão pequenina e distraída ainda procura o coelho branco que tu guardas no teu pestanejar. A Alice e o coelhinho branco vivem no teu olhar, mas nas ondas do meu abraço, quando ele é bem apertado, encontras a pequena sereia que não se importa de ser espuma ou nuvem para que tu, só tu, estejas em paz.
Juntos e de mãos dadas entramos agora em Oz, naquela estrada de tijolos amarelos onde se perdem todos os nossos medos e se encontram sempre novos desafios. Alinhas? Juntos podemos entrar e sair da Terra do Nunca e com certeza, em menos de um bater de asa da Sininho, vamos aprender a lutar com o Capitão Gancho ou até mesmo, conseguir beijar a Bela Adormecida que nos espera incansável há 100 anos.
Quando chegar o sono, o da Bela Adormecida e o nosso também, mergulhamos no Reino das Águas Claras para escutar uma das histórias maravilhosas que nos conta a boneca Emília. Ela sabe-as bem. E com as palavras dessa menina de pano, embalamos os olhos e adormecemos os sentidos para uma daquelas viagens onde heróis e heroinas aguardam um final feliz que tarda em acontecer.
Eu e tu somos habitantes da mesma imagem, partilhamos a mesma sombra, estampa ou aguarela emoldurada por frases que se tornam mágicas quando lidas por uma criança que acredita em cada palavra. Consegues imaginar?

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