Perguntou-me


O amor perguntou-me numa noite estrelada quanto tempo falta para florescer dentro de mim. Respondi-lhe que na primavera dos afetos, as flores crescem livres do jugo de uma qualquer estação.

A compaixão acordou-me numa madrugada qualquer e perguntou-me quanto tempo falta para inundar de bondade, todos os meus gestos. Sem pestanejar, respondi que as marés das boas ações são como o oceano, enchem e vazam a praia do coração enquanto ele continuar a bater.

A alegria convidou-me para passear num bosque, e a meio do passeio perguntou-me quanto tempo falta para eu sorrir todos os dias até esquecer o que é uma lágrima. Respondi-lhe que se eu esquecesse o significado de uma lágrima, nunca poderia compreender a magia de um sorriso.

Num jardim de encanto, a inocência chamou-me só para me perguntar quanto tempo falta para eu voltar a ser criança. Pensei alguns momentos e disse-lhe que uma criança já eu tinha sido mas que continuava a acreditar em fadas.

Um dia deixei de ter encontros com as emoções. Deixaram de aparecer para fazer perguntas. Procurei pelos quatro cantos do meu mundo, mas não as voltei a encontrar. E foi no meio de uma das minhas viagens pelo labirinto daquilo que eu sou, que tu disseste ternamente:

"Eu estou aqui!"

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