Atriz mulher



Há alguns dias atrás escrevi sobre esta senhora, figura de destaque da teledramaturgia brasileira. Olhando para a sua estatura pequenina, de olhar negro e ligeiramente estrábico, consegue-se sentir uma energia especial que destila no seu discurso simples mas articulado.

Lucélia Santos é uma mulher muito interessante. Mais do que a eterna "Escrava Isaura", a quem deve o reconhecimento internacional em mais de 120 países, é sobretudo uma atriz de teatro e cinema. Foi a musa do dramaturgo Nelson Rodrigues porque transportou para o grande ecrã uma série de heroínas rodriguianas: "Engraçadinha", "Lara de Resende" ou "Álbum de Família". Nos anos 80 deu vida no cinema a "Luz del Fuego", uma figura polémica ligada ao naturismo em tempo de ditatura militar, naquele que seria, dizem, o filme preferido de Fidel de Castro. Aliás, graças a este trabalho, e à velhinha Isaura também, dizem que o próprio Fidel quis conhecer a Lucélia pessoalmente.

Das 25 vezes em que visitou a China, a convite especial, Lucélia não se ficou pela simples visita de cortesia com acenos e distribuição de autógrafos. Aproveitou para conhecer uma cultura diferente e transportá-la para uma série de documentários e um filme de longa metragem, que ela fez questão de realizar. Esta mulher pequena, normal, diferente do estereotipo da atriz da Rede Globo não vinga pela imagem mas marca posição com o seu talento e substrato. Discutivelmente, é a mais internacional das atrizes de expressão portuguesa e continua cheia de projetos.

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