Liberdade
Hoje vivemos tempos difíceis. Tempos estranhos e de mudança. O outono de 2008 nos Estados Unidos da América trouxe uma grande constipação e, a seu tempo, o mundo apanhou uma gripe daquelas a valer.
Portugal e a Grécia são dois pacientes em convalescença, dizem eles, que necessitam de uma quarentena apertada e muito rígida. Por isso fizeram-nos tomar comprimidos de largo espectro com efeitos secundários de longa duração e que, ainda por cima, viciam não a quem os toma mas a quem os prescreve. Não haveria de certeza uns comprimidinhos mais ligeiros, com efeitos secundários de menor impacto?
Depois os doutorzinhos do Centro de Saúde aqui do burgo, querem seguir as prescrições com afinco. Com tanto afinco que até querem exagerar as dosagens a ver se a maleita se esvai mais depressa. Querem matar o mal e o doente também.
Com tanta medicamentação que o pai Portugal tem tomado, a filha Liberdade, agora com 38 anos, anda triste, tão triste que ultimamente até se veste de negro. Já não bastou há uns anos, num programa da televisão pública, o professor Oliveira Salazar ter sido eleito, com uma valente maioria, como o maior português de sempre, e agora ainda querem que ela, a bonita Liberdade, deixe de se enfeitar com cravos e se cale nestes tempos de síndrome gripal.
Isto não pode ser. Se há coisa que faça um pai sentir-se bem e recuperar melhor é ver e saber que os seus filhos estão bem.
Hoje comemora-se o 102º aniversário da implantação da República Portuguesa e pela primeira vez, neste século, a Liberdade não foi convidada a participar nas festividades. Imagine-se, enganaram-se a vestir o traje ao pai Portugal porque o vestiram do avesso e, não contentes, ainda alteraram o palco da festa. Abandonaram a Praça do Município e só convidaram quem quiseram, à porta fechada, para o Pátio da Galé.
Com tantos comprimidos para a gripe, em dose cavalar, tanta quarentena que não vê melhoras, tanta falta de jeito para tudo, até para vestir o pai Portugal de vermelho e verde, não há-de estar triste e chorosa a Liberdade?
Chora Liberdade, tens todos os motivos para chorar…

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