Mensagens

Esboço de Sorriso

Imagem
Não sei onde perdeste o sorriso. Se o deste... Ou se o trocaste por um olhar demorado. Mas sei que o tinhas. Que o usavas como luar em maré de ébano. Eu ofereço-te outro. Rasgado e suave como o voo da gaivota. E será só teu. Mas parece que o teu sorriso voltou... Já o vejo a brincar na tua boca. E agora temos dois. O meu e o teu.

Papel

Imagem
Dou-te a minha mão e tu sorris como se eu te oferecesse o mundo. Dizes-me que todos os problemas são feitos de papel quando os nossos dedos se entrelaçam. Rasgam-se as mágoas e desfazem-se as tristezas com a tesoura mágica que juntos temos. Eu e Tu. Trouxeste os lápis de cor?

Voz

Imagem

Lava

Imagem
em lava de gelo, renasci para o teu olhar um mar de fogo sem ondas, cinza ou pedra só lavaredas que arrepiam e fazem tornar vento sou estátua feita de ar que não existe mas quer ser sem chão mas com certeza de ter tecto já era assim antes de ser ter cor de chuva num dia de estio mas poder conter uma noite de estrelas no canto do sorriso lava de gelo que me arde naquilo que fui e já não sou porque já não sei ser.

Entre dois Mundos

Imagem
Há dois mundos no meu Mundo Há duas águas E uma lua com duas fases Há uma luz bem lá no fundo por onde escoam todas as mágoas e onde todos os fracos descobrem que afinal são capazes Há dois mundos no meu Mundo onde o absurdo é o certo e o errado passa a ser o correcto Há dois mundos no meu Mundo Há uma emoção que estando longe, mora bem perto E que é capaz de Ser sem Ter num momento perdido em horizonte deserto Há um Mundo entre dois mundos O que sou, o que fui e o que ainda vou ser Há um Mundo entre dois mundos Uma vontade feita flor que apenas ontem, aprendeu a florescer

sem ter

Imagem
Alma de sopro suspirado por lábio que escorre sem leito Saudade feita de penas de pássaro livre galáxia de dor que expurgo na ausência que existe à margem do meu peito

Indiana Jones e eu

Imagem
Hoje fui ao meu baú de boas recordações. Encontrei misturado entre centenas de outros momentos deliciosos, aquele dia de Outubro de 1984 no qual o meu pai me levou ao cinema à estreia do filme Indiana Jones e o Templo Perdido. Nesse ano eu estava na 4ª classe, tinha 9 anos e alimentava uma curiosidade do tamanho do mundo. Apesar dos alertas que recebi para não ver o filme por ser violento de mais para um menino da minha idade, insisti ad nausium para que me deixassem ver o filme, que afinal tinha como protagonistas um herói arqueólogo, uma cantora relutante e um menino chinês da minha idade. Se não era suposto as crianças verem este novo capítulo do Indiana Jones, por que carga de água deixariam um miúdo de nove anos viver esta aventura cheia de emoções e perigos? O meu pai sorriu com os meus argumentos. 'Queres ver o Indiana Jones, então eu levo-te a vê-lo e não te queixes depois!'. Fiquei satisfeito. O meu pai confiava em mim e pela primeira vez aceitou os meus argumentos ...

Indiana Jones e o Templo da Plasticina

A imaginação não tem mesmo limites.

O pássaro e as nuvens no meu café

Imagem
Não há maneira de encontrar coisa melhor do que me perder dentro de mim. Perder-me nas boas recordações e nos bons pensamentos que me antecipam sorrisos. Peço um café escuro de ébano e recosto-me na cadeira de vime que balanço irrequieto. Vejo pessoas, jovens, velhos e crianças que cruzam caminhos e raramente oferecem olhares. Imagino destinos e vidas em cada um destes seres. Para onde vão? O que temem e aquilo que os faz sentir mais vivos são ideias que se tornam vivas em mim. Depois acordo no meio daquele lençol de pensamentos e abano a cabeça num meio-sorriso que só eu entendo. O meu café continua quente e bilhante. Negro, brilhante e cheio de nuvens. Naquele pedaço de céu reflectido no meu café passou um passáro contente. Contente, porque não existem pássaros tristes. Voar e ser triste é coisa que não existe.

Pudesse Eu

Imagem
Pudesse eu não ter braços mas asas Cruzava todos os céus de cores emocionantes Para poder saber se comigo casavas E voar-te assim na surpresa dos instantes!

Pretérito Perfeito

Imagem
Quando estava sozinho, perdi Quando fui triste, chorei Quando te vi, percebi Quando te conheci, voei Quando deste um sorriso, eu ri Quando choraste, soluçei Quando mostraste, eu vi Quando calaste, eu falei Quando partiste, eu morri Quando escreveste, eu decorei Quando tudo morreu, eu sobrevivi E quando morri, eu voltei Quando promesteste, eu cumpri Quando ofereceste, eu coleccionei Quando cresci, eu vivi Quando te conheci, voei Quando falaste, ouvi Quando tocaste, arrepiei Quando dançaste, eu assisti Quando calaste, eu falei Quando partiste, eu morri Quando escreveste, eu decorei Quando tudo morreu, eu sobrevivi E quando morri, eu voltei

Lua feita de mim

Imagem
Dei-te uma lua feita de mim que este corpo meu teceu com beijos de cetim que eu encontrei num olhar teu. Uma lua sem luar que me embala no adormecer, feita de beijos a brilhar, como estrelas a florescer. Dei-te uma lua feita de mim sempre a girar numa valsa de jasmim vestida com a noite a perfumar. A lua que te dei ainda a tens? Pedaços teus que eu amei, numa noite vazia tao escura e tão fria. Assim te dei eu a lua, meu amor. Antes de ti, ela não existia.

Perdi-me de Mim

Imagem
Vim aqui por acaso, que me perdi de mim do imenso campo raso sem princípio nem fim. Estou nos braços do vento e oscilo no ar vazio, nem um só pensamento me protege do frio. Fecho os olhos cansado, e deixo-me embalar. Amanhã, repousado, Ir-me-ei procurar Maria Judite de Carvalho

Ocaso daquilo que fui

Imagem
"My darling. I'm waiting for you. How long is the day in the dark? Or a week? The fire is gone, and I'm horribly cold. I really should drag myself outside but then there'd be the sun. I'm afraid I waste the light on the paintings, not writing these words. We die. We die rich with lovers and tribes, tastes we have swallowed, bodies we've entered and swum up like rivers. Fears we've hidden in - like this wretched cave. I want all this marked on my body. Where the real countries are. Not boundaries drawn on mapswith the names of powerful men. I know you'll come carry me out to the Palace of Winds. That's what I've wanted: to walk in such a place with you. With friends, on an earth without maps. The lamp has gone out and I'm writing in the darkness. "  in The English Patient

Espelho Mau

Imagem
não suporto a tristeza em pedaços porque me corto nos cacos infelizes da tua melancolia prefiro nascer na tua pele quando ela desperta como um vulcão para que a tua lava arrefeça o ardor da ausência o reconforto de um silêncio mútuo, nascido para sempre em tatuagem mesmo quando for pó poeira de mim fuligem de estrela

As Mães da Praça de Maio

Imagem
"Usam lenços pretos na cabeça as mães da Praça de Maio Choram em silêncio pelos filhos desaparecidos Quem os condenou Quem os levou Ninguém sabe Ninguém viu Mas essas mulheres não arredam pé da Praça de Maio Dão as mãos umas às outras e perguntam quase a medo Quem os roubou Quem os matou Ninguém sabe Ninguém viu Partiram de manhã cedo Foram levados por cães Que encheram as ruas de medo Que encheram de dor as mães Chora Argentina Chora Argentina Usam lenços pretos na cabeça as mães da Praça de Maio Choram em silêncio pelos filhos desaparecidos Quem os condenou Quem os levou Ninguém sabe Ninguém viu Mas essas mulheres não arredam pé da Praça de Maio Dão as mãos umas às outras e perguntam quase a medo Quem os roubou Quem os matou Ninguém sabe Ninguém viu Chora Argentina Chora Argentina Chora Argentina" Maria Guinot

Coisas que eu (pres)sinto

Imagem
Não pensei que a Lua tivesse oceanos de silêncio, Quando há terramotos dentro mim, só porque a observo ao teu lado. Ignorei haver afectos ou serenidades num olhar distante, que ainda não cruzei, Desenhado em céus onde eu não chovi nem trovejei. Calores e nuances de encontros imperfeitos, ensinaram-me cores que eu não soube conjugar. Vou deslizar nas pestanas intermináveis da volúpia, Sorver as letras do nome que não se soletra sem sílabas de veludo, Rio sem foz, voz sem timbre, dor sem aperto. Estamos a crescer, a sentir, a tocar, a misturar. Tremendamente puro e uno. Como um.

Because I Could Not Stop For Death

Imagem
Because I could not stop for Death, He kindly stopped for me; The carriage held but just ourselves And Immortality. We slowly drove, he knew no haste, And I had put away My labor, and my leisure too, For his civility. We passed the school, where children strove At recess, in the ring; We passed the fields of gazing grain, We passed the setting sun. Or rather, be passed us; The dews grew quivering and chill, For only gossamer my gown, My tippet only tulle. We paused before house that seemed A swelling of the ground; The roof was scarcely visible, The cornice but a mound. Since then 'tis centuries, and yet each Feels shorter than the day I first surmised the horses' heads Were toward eternity. Emily Dickinson

O Cacilheiro

Imagem
Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro, comboio de Lisboa sobre a água: Cacilhas e Seixal Montijo mais Barreiro. pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa. Na ponte passam carros e turistas iguais a todos que há no mundo inteiro, mas embora mais caras a ponte não tem vistas como as dos peitoris do Cacilheiro. Leva namorados marujos soldados e trabalhadores e parte dum cais que cheira a jornais morangos e flores. Regressa contente levou muita gente e nunca se cansa. Parece um barquinho lançado no Tejo por uma criança. Num carreirinho aberto pela espuma lá vai o Cacilheiro Tejo à solta, e as ruas de Lisboa sem ter pressa nenhuma tiraram um bilhete de ida e volta. Alfama Madragoa Bairro Alto, tu cá tu lá num barco de brincar metade de Lisboa à espera no asfalto e já meia saudade a navegar. Se um dia o Cacilheiro for embora fica mais triste o coração da água e o povo de Lisboa dirá como quem chora, pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa. Ary dos Santos

Naquela Nuvem

Imagem
Este tremer de queixo traz-me momentos que revivi num sorriso. O olhar de soslaio não me permite ver-te tal como és. Por isso uso uma lupa mágica. Daquelas que maximizam o esplendor daquilo que os olhos não conseguem ver. Não é isso que é realmente importante?