O vendedor de sonhos
Se há coisa que eu gosto de fazer, é ler. Especialmente romances. A literatura técnica pode ser muito interessante e necessária, é com certeza, mas eu prefiro a ficção. Dickens, Somerset Maugham, Doyle e, na minha língua, José Luís Peixoto, são os autores com quem eu gosto de “ir à pesca” Com este grupo há sempre a garantia de uma boa pescaria. Eles lançam o isco nas primeiras páginas e eu não me importo mesmo nada de ser a carpa daquele mar de letras. Mordo o anzol e deixo-me sacudir à tona dos parágrafos que eles sabem ondular com grande mestria. Costumo encontrar-me com eles nas livrarias antigas. Alfarrabistas ou lojas de livros em segunda mão. Quase nunca nas grandes superfícies comerciais. Sabem-me melhor os livros usados que alguém já manuseou e sentiu. São coisas minhas! Prefiro as metáforas que já foram lidas e interpretadas por outros olhos, sobretudo se estiverem estampadas em papel amarelecido pelo tempo. Na minha cidade há uma loja que eu conheço desde sempre. Uma loja ...