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Perguntou-me

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O amor perguntou-me numa noite estrelada quanto tempo falta para florescer dentro de mim. Respondi-lhe que na primavera dos afetos, as flores crescem livres do jugo de uma qualquer  estação. A compaixão acordou-me numa madrugada qualquer e perguntou-me quanto tempo falta para inundar de bondade, todos os meus gestos. Sem pestanejar, respondi que as marés das boas ações são como o oceano, enchem e vazam a praia do coração enquanto ele continuar a bater. A alegria convidou-me para passear num bosque, e a meio do passeio perguntou-me quanto tempo falta para eu sorrir todos os dias até esquecer o que é uma lágrima. Respondi-lhe que se eu esquecesse o significado de uma lágrima, nunca poderia compreender a magia de um sorriso. Num jardim de encanto, a inocência chamou-me só para me perguntar quanto tempo falta para eu voltar a ser criança. Pensei alguns momentos e disse-lhe que uma criança já eu tinha sido mas que continuava a acreditar em fadas. Um dia deixei de ter encontros com as...

Dói

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Dói muito uma dor de dentes. Dói também uma infecção no ouvido. Dói ainda uma luxação nos músculos. Uma agressão, um sacudir violento, um pontapé, um murro bem assente, doem tanto. Mas mesmo doendo muito, doem mais do que a ausência? A (não)presença de um ser querido que já não está. Um pai que vai embora e não volta. Um irmão ou irmã que não está perto. Um amigo que perdemos no tempo e não encontramos mais. Uma cidade que conhecemos e à qual não voltámos. Um prato favorito que deixou de ser confeccionado. Um sol radioso que se perdeu nos dias de chuva. Uma vida que passou e não a agarrámos. As histórias da avó que não ficaram escritas. As palavras perfeitas que dissemos e não escrevemos. Doem muito mais todas estas coisas. A maior das dores é a saudade do amor. Uma saudade feita dos beijos dados, dos cheiros que se registaram e que o tempo não apaga. Aquela saudade de uma voz que conhecemos tão bem o timbre mas que não a ouvimos mais, porque não se materializa. Saudade de uma ausênc...