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Carta

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E se uma carta de amor assinada por ninguém chegasse às tuas mãos, o que sentirias? Meu amor, Sabes o quanto eu te amo? Tropecei? Caí? Perdi o equilíbrio? Rasguei o meu joelho? Rasguei o meu coração? Sei que te amo quando os meu olhos te vêem, Sei que a tua ausência faz arder a minha alma Nem um músculo se moveu. Folhas flutuam numa qualquer brisa. Os ares estão parados. Apaixonei-me sem ter dado um passo… Eu existo para te completar, Como vento que dança com a chuva, Numa valsa de inverno Quando me penteio Quando leio os meus livros Quando coleciono as linhas do teu rosto Quando não estou junto de ti Eu continuo… Sempre a querer pertencer-te

À mão

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Quem é que ainda sabe escrever um caderno inteiro? Quem é que ainda sabe passar para o papel uma caligrafia só sua, sem a vestir com o prete a porter Times New Roman, tamanho 12, com a folga de 1,5 para as bainhas? A haute couture da mensagem feita à mão está em desuso. Como estão os selos. E as cartas enviadas pelo correio também. Pergunto-me se até os bilhetes dobrados em quatro, a voarem numa sala de aula transformada em aeroporto temporário, estarão em crise. Devem estar moribundos. Os bilhetinhos de liceu agora são sofisticados: passaram a ter o poder de fazer vibrar o bolso do colega na primeira fila que, disfarçadamente, consulta o telefone e retribui na mesma moeda. E os contratos e as assinaturas? Já pouco se levanta a caneta para vincar com tinta o papel. Dizem que a assinatura moderna é digital e pode ser usada mil vezes. O nome fica embalsamado num ficheiro de imagem e assim ninguém se engana a assinar. Trigo limpo, farinha Amparo! Até as cartas que se extraviavam porque...

Carta ao Pai Natal

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E não é que escrevi muitas cartas ao Pai Natal? A minha avó era a minha carteira preferida. Eu entregava-lhe a carta, com um ar muito solene, e ela garantia-me que lá na Lapónia, o Sr. das barbas brancas ia ter tempo de a ler e ponderar a minha lista de pedidos. Quando descobri o faz de conta sobre trenós puxados por renas e presentes para meninos bem comportados, quis logo saber onde andavam afinal as minhas cartas... A minha avó tinha todas as cartitas guardadas dentro de uma caixa de folha pintada com ramagens. Guardava-as como se fossem cartas de amor.

Licença para lembrar

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Hoje a vida é, em muitos aspectos, mais simples. Há a Internet e o Facebook a servirem de grandes portões que se abrem para o mundo. Desde a estrela de cinema, passando pelo jogador da 1a divisão, até ao Sr. António da mercearia, quase tudo e todos estão na Internet ou têm perfil no Facebook. Fácil, não é? :) Mas quando eu era miúdo e queria contactar alguém que habitasse o meu imaginário de adolescente, tinha de me esforçar imenso. Era preciso encontrar moradas. Ler revistas da especialidade. Escrever cartas. Pensar muito bem antes de escrevê-las. E aguardar pacientemente que respondessem. Das cartas que eu escrevi, no alto da minha inocência, duas figuras públicas responderam através dos seus agentes, eu creio: o realizador Steven Spielberg e a actriz Maryam D'Abo. Era emocionante receber uma carta dos Estados Unidos com uma nota de agradecimento e uma fotografia autografada. :-) A loura actriz do filme do James Bond, ou alguém por ela, tinha recebido a minha carta, agradeceu e...