Morangos da vida
Aos 37 anos é muito provável que eu já tenha caminhado metade do percurso que tive, e tenho, pela frente. Andei muitas vezes às escuras, a tropeçar nas pedras do chão que não soube ver a tempo, mas outras vezes, pelo contrário, passeei alegremente e fui conversando com os amigos que fiz pelo caminho. Com tombos ou passeatas de mão dada, valeu tudo a pena. Só há uma coisa que é muito diferente agora: as minhas prioridades e a gestão do meu tempo. É como se o meu cesto de morangos esteja agora meio cheio, ou meio vazio, e eu já não tenha a mesma disponibilidade para os ir deixando cair sem me importar com isso, ou para os dar generosamente sem olhar a quem, ou ainda para simplesmente os deitar fora, como fazia antes, ao mínimo defeito que detetasse na polpa vermelha. Já não faço nada disso. Agora os meus morangos, o meu tempo, são geridos com austeridade. Já não acato conversas que não me levam a lado nenhum. Já não deixo qualquer pessoa entrar na minha vida para que saia à mínima fri...