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As Palavras

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Sei dizer-te as palavras Quando elas saem assim Sem ordem pensada Sei dizer-te as palavras Palavras de amor Meias-verdades, ou saudades com dor Nascidas no dorso da madrugada As palavras são rótulos de mim São receitas secretas Que tu encontras num avental de cetim As palavras são pedaços de cor Como traje de Columbina sem Arlequim Quando acordo no teu colo Sou flor silvestre em pequeno vaso Que sonha com o teu jardim

Amar pelos dois

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Poema Carmim

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Se um dia eu morrer a teu lado Meu amor, tu não chores por mim Para quê chorar p'lo tempo roubado? Meu amor, não gastes as tuas lágrimas assim Quando um dia eu já te tiver deixado Meu amor, tu enfeita-te de carmim Veste um vestido novo, encarnado Meu amor, até dá com a tua pele de cetim Antes chorar a alegria ou o prazer Antes chorar a primavera que não traz flor ou P'lo sol que não raia, p'la lua que não se vê Antes chorar como quem chora por nunca saber Que nesta vida nada tem mais valor Que um poema de amor, escrito no olhar de quem o lê

Amor romântico e outras pinderiquices

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Vamos lá deixar cair as barreiras e admitir de uma vez por todas, os cínicos, os rabugentos e os ensimesmados também, que no final de contas aquilo que todos querem ter um dia, e não vale dizer que é o sexo ou o companheirismo fraternal, é sem tirar nem pôr uma coisa que seja o mais próxima possível do amor romântico. Falo daquele amor grande, gigante, dos livros clássicos, dos filmes para fungar e das histórias que parecem acontecer só aos outros, sempre com imunidade à rotina e às contas por pagar. O único senão é que nesse universo tão inspirador, é costume morrer sempre alguém no apogeu do ato cor-de-rosa ao invés da longevidade rotineira que nos abraça todas as manhãs. Imagine-se um amor que não seja trágico nem toldado pela disparidade social doutros tempos. Um amor moderno, estão a ver? Que seja um elo entre duas pessoas contemporâneas do Obama, ou das travessuras do Passos Coelho, e que seja também um exemplo de bravura com várias dificuldades ultrapassadas, com frases perfei...

Música em ti

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No bulício dos teus beijos solfejados, encontrei a melodia perene que me faz querer entregar a alma. Entre colcheias de ternura e semínimas de bem querer, entendi que a minha partitura só podia ser dirigida pelo teu gesto musical sem espartilho de estilo. Claves de sol iluminam, agora, a minha vontade a cada toque teu, como se o teu dó-ré-mi fosse a palavra mágica essencial para o meu apogeu sinfónico, antes ausente, e agora para sempre adjectivado na pauta do amor que acontece. Música que ecoa em poesia muda, sem quaisquer palavras que a enalteçam. Apoteose melódica de uma grande composição que nasce de um momento de silêncio. Grito sem voz que consegue inebriar a mais surda das emoções. Requiem precipitado de um amor que nunca chegou a terminar. Mariposas de cordas de violino flutuam no meu pensamento musicado à tua medida, como se o teu adágio me travasse os sentidos vencidos pela tua batuta que me destina a mergulhar no teu oceano de semibreves, compassos e semifusas. Quero-te na...

O teu perfume

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No teu perfume eu encontro motivos para te fazer viver para sempre. Na minha memória, bem entendido. O teu cheiro quando vinhas para casa, molhada da chuva, com o cesto de vime cheio de legumes a emoldurar o peixe que tu escolhias sempre fresco. Ou o aroma dos teus beijos na minha face, quando me convencias a ir para a escola, quanto tudo aquilo que eu mais queria era continuar a estar contigo. Sem desenhos parvos e colagens absurdas que eu fazia com os outros miúdos na sala de aulas. Contigo, as horas eram festas e as tardes eram carnavais de histórias que tu me contavas, para me convencer a dar mais uma garfada. Não eras a minha mãe mas talvez fosses personagem de um patamar superior. De um livro de contos. Ou uma faixa de um disco, já muito riscado, que eu ouvia vezes e vezes sem conta contigo ao pé de mim. Tudo o que tenho de ti, agora, são fotografias com sorrisos teus e o teu perfume, que por vezes muda consoante a memória que tu deixaste. Como podes tu já não existir, se eu ai...

A tua geometria

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Quando penso porque te amo, encontro uma resposta original em cada perspectiva do meu pensamento. Imagino-te a sorrir, ou de lado, ou ainda a fazer o pino contra aquela parede que tu pintas insistentemente de todas as cores que existem. São muito diferentes as perspectivas de ti. São, sim senhor! Mas são tão iguais as emoções que tu me trazes! Essas, as emoções, são fortes e coloridas. Fortes como aquele abraço que tu me dás quando estamos juntos no baloiço da noite, e são coloridas como os nossos olhares cruzados nos instantes que construímos.   Não entendo quase nada de geometria descritiva. Não percebo os planos geométricos nem tampouco as perspectivas que tu dominas. Mas sei de cor cada pedaço de ti; cada posição que tomas; cada esboçar de sorriso. Não sei se sentes o mesmo que eu, e para te falar a verdade, nem é coisa que me faça perder muito tempo a tentar adivinhar. Chega-me saber que existe um turbilhão latente em toda a minha calma, só porque me permiti a dar sem me imp...

Olhos vendados

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Mesmo de olhos vendados , meu amor.. Vejo-te nas sombras dos beijos que ficaram por dar Imagino-te no chilrear dos lábios, Como se fossemos pássaros de asa ardente Mesmo de olhos vendados, meu amor… Oiço-te as emoções marulhadas no teu (nosso) mar Cheiro-te os anseios nos teus silêncios sábios Caminho-te com mãos de veludo em luar de mudez estridente Mesmo de olhos vendados , meu amor.. Colho-te afectos nos canteiros de flor encarnada Pressinto-te em espasmos de sorriso ardente Porque tu morres-me no olhar para me nasceres na mente Mesmo de olhos vendados, meu amor.. Vou amar-te numa escuridão sem madrugada Calar a minha aura com a tua presença de estrela intermitente Vontade de ser galáxia para que te embales em noite estrelada Mesmo de olhos vendados, meu amor… Eu encontro-te no breu dentro de mim e sussuro-te: É para sempre.

Feira das existências

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Eu não sei se tudo aquilo que sei, me fará saber-te melhor amanhã. Eu não sei se tenho aquilo que preciso ter para conseguir reter-te aqui, assim como estás agora. Talvez só consiga parar essa imagem tua, na retina do meu olho. Como se fosse espelho, não de alma mas, de vida feita de momentos que troquei, ou trocámos, por sorrisos que se rasgaram das (in)existências tristes. Não pensei que tivéssemos tantas nuvens para trocar por céus mais claros, ou calendários de noites com ares parados que leiloámos, tu e eu, à primeira licitação de beijos feitos de sol. Quem sabe que nada sabe é porque não tem nada a temer. Talvez apenas aprender como se fazem, e remendam, os retalhos de uma vida.

Amor, amore, amour

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Uma pesquisa no Google sobre a definição do amor devolveu-me dois resultados curiosos : A primeira definição caracteriza o amor como uma palavra que possui diversos significados. Por exemplo na Grécia o amor mais popular diz chamar-se ágape . Este senhor helénico auto-define-se como sendo o amor desprovido de interesse, do tipo que se tem, ou se deve ter, por qualquer pessoa. É o tipo de amor que incide no carácter do próprio indivíduo e o motiva a amar até os próprios inimigos, imaginem! Ainda mais engraçado, e sem sair da Grécia, a língua de Aristóteles é tão romântica que até tem várias palavras diferentes a significar o mesmo, mudando consoante o objeto ao qual se referem. Para grandes ou pequenos amores, grandes ou pequenas palavras! Depois de tanta informação sobre o vírus mais saboroso do mundo, eu resolvi procurar outras visões diferentes. E tanto procurei que acabei mesmo por encontrar: o amor é uma palavra de quatro letras, duas vogais, duas consoantes e dois idiotas. Ei...

Perguntou-me

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O amor perguntou-me numa noite estrelada quanto tempo falta para florescer dentro de mim. Respondi-lhe que na primavera dos afetos, as flores crescem livres do jugo de uma qualquer  estação. A compaixão acordou-me numa madrugada qualquer e perguntou-me quanto tempo falta para inundar de bondade, todos os meus gestos. Sem pestanejar, respondi que as marés das boas ações são como o oceano, enchem e vazam a praia do coração enquanto ele continuar a bater. A alegria convidou-me para passear num bosque, e a meio do passeio perguntou-me quanto tempo falta para eu sorrir todos os dias até esquecer o que é uma lágrima. Respondi-lhe que se eu esquecesse o significado de uma lágrima, nunca poderia compreender a magia de um sorriso. Num jardim de encanto, a inocência chamou-me só para me perguntar quanto tempo falta para eu voltar a ser criança. Pensei alguns momentos e disse-lhe que uma criança já eu tinha sido mas que continuava a acreditar em fadas. Um dia deixei de ter encontros com as...

Era uma vez

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"Era uma vez", são as palavras que começam sempre os meus sonhos. Isto porque eu sou metáfora com música num mundo de imagens imaginadas contigo, tal qual tu fosses um livro de encantamento. Por ti, eu pulei de uma qualquer página para pisar a tua realidade, e assim libertar-me do espartilho dos parágrafos e do papel. Atravessei capítulos inteiros e enfrentei todos os dragões e bruxas más que encontrei pelo meu caminho até ti. Trago aqui comigo as gravuras coloridas, de uma história bonita, e também uma mensagem feita com uma moral cor-de-rosa. Guardo as cores das aguarelas, que pedi emprestadas às figuras desenhadas, porque posso mais tarde querer mudar a cor do teu espírito. Posso torná-lo azul celeste para receberes o Peter Pan e os meninos perdidos, ou talvez preto ébano para que possa contrastar na tez alva da Branca de Neve. Tu dizes-me que os meus sorrisos são fábulas que te convidam a dançar aventuras e eu, ainda mais sorridente, solto dos lábios um assobio marot...

Tempo de amar

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Não sei se será a crise do amor ou antes a emancipação do individualismo moderno, mas a verdade nua e crua é que a maioria de nós não está preparado para gramar com as crises conjugais. Para crise já basta a depressão económica que, não nos ponhamos nós a pau, já nos dá conta do juízo. Em tempos e conjunturas diferentes, os nossos avós foram grandes campeões do gramanço mútuo em tempos difíceis. O avô trabalhava e a avó ficava em casa, e por isso ela dependia dele, mas mesmo sendo ela dependente como uma menina ainda em casa dos pais, ela sorria e passeava na rua de braço dado com ele. Havia a guerra mundial, o racionamento e a alçada paternalista do Estado Novo mas o que era isso quando havia companheirismo e amor? Às vezes discutiam e havia zaragata a ver quem falava ou gritava mais. Pois com certeza que devia haver. Mas em vez de falarem em separação, ou na figura jurídica do divórcio que eles só conheciam de ter ouvido falar nos filmes americanos, a maioria dos nossos avós prefe...

Somos um

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Às vezes sentimos que somos apenas um. Ou porque estamos sozinhos ou, melhor ainda, porque nos complementamos no outro que está connosco. Mas quase sempre, depois de todas as voltas que já foram dadas, depois de todos os valentes tombos onde nos esfolámos à grande, ou depois de esgotado o portefólio das (más) justificações para o nosso vazio, todos procuramos um motivo que justifique uma vida. E esse grande motivo, apenas diferente no momento de sentir, passa sempre pela partilha.

Silêncio

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O silêncio que antecede o primeiro beijo é das coisas mais extraordinárias que alguém pode sentir. Há quem trema mas faça pulso firme, há quem se esqueça como construir frases e de dizer as palavras adequadas, e por isso aguarda a iniciativa do outro, e há aqueles que ganham o momento: quebram o silêncio e soltam o beijo. Uma relação de muitos anos devia ter um momento assim todos os dias.

Amor de cão

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Gosto de amor em todas as cores e feitios: platónico, romântico, amigo, familiar, artístico, idealista e sobretudo o desinteressado. O amor de um cão é um dos mais comoventes e despretensiosos que pode existir.

O provérbio

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Sempre achei piada aos provérbios. Podem até ser um cliché, delicioso, mas são muito divertidos. Há um provérbio chinês que eu gosto especialmente e que diz mais ou menos assim: Há uma linha vermelha, mas invisível, que liga aqueles que estão destinados a pertencerem-se. Não importa o tempo que passe, o espaço que afaste ou as circunstâncias que estejam contra, porque esta linha vermelha, mas invisível, que pode até emaranhar-se e dar muitos nós, nunca será quebrada. Nota explicativa: A linha é invisível aos olhos de quem não está destinado a pertencer e torna-se vermelho sangue quando os proprietários tomam consciência do seu destino. Chinesices!

Ondas

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Gosto de pensar que os sentimentos podem ser como ondas, e cada uma diferente da outra. As tonalidades da água, a sua temperatura que difere, e a altura máxima que atinge antes de se desfazer na praia, fazem daquela onda um exemplar único. Vamos surfar emoções?

Papel

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Dou-te a minha mão e tu sorris como se eu te oferecesse o mundo. Dizes-me que todos os problemas são feitos de papel quando os nossos dedos se entrelaçam. Rasgam-se as mágoas e desfazem-se as tristezas com a tesoura mágica que juntos temos. Eu e Tu. Trouxeste os lápis de cor?

Pudesse Eu

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Pudesse eu não ter braços mas asas Cruzava todos os céus de cores emocionantes Para poder saber se comigo casavas E voar-te assim na surpresa dos instantes!