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Porcelana

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Há músicas que têm o poder de trazer à ideia imagens em movimento logo nos primeiros acordes. Acontece-me isso regularmente. Oiço uma canção que não ouvia há anos e ... záas! Lembro o momento Y com a pessoa X e também algumas palavras que foram trocadas nessa realidade que ficou para trás. Quando oiço Moby, e em particular o álbum "Play", volto a sentir-me instalado no sofá mais lilás e confortável que eu conheço. O sofá peludo da cor do vinho, que eu tinha no copo naquela altura, e o riso, também ele colorido, da Verónica. Lembro dos duelos de palavras. Das conversas em cascata. Da futurologia irónica que fizemos os dois com cumplicidades e nevoeiro de muitos cigarros. Hoje ela é psiquiatra porque cumpriu com o tal desejo pessoal que partilhou comigo no sofá. No sofá felpudo, fofinho e muito lilás. Penso que fui o primeiro paciente sem saber que o era. Fazer exercícios de psiquiatria no sofá, e não no divã, foi das melhores coisas que podíamos ter feito ao som de Moby. Gan...

Perguntou-me

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O amor perguntou-me numa noite estrelada quanto tempo falta para florescer dentro de mim. Respondi-lhe que na primavera dos afetos, as flores crescem livres do jugo de uma qualquer  estação. A compaixão acordou-me numa madrugada qualquer e perguntou-me quanto tempo falta para inundar de bondade, todos os meus gestos. Sem pestanejar, respondi que as marés das boas ações são como o oceano, enchem e vazam a praia do coração enquanto ele continuar a bater. A alegria convidou-me para passear num bosque, e a meio do passeio perguntou-me quanto tempo falta para eu sorrir todos os dias até esquecer o que é uma lágrima. Respondi-lhe que se eu esquecesse o significado de uma lágrima, nunca poderia compreender a magia de um sorriso. Num jardim de encanto, a inocência chamou-me só para me perguntar quanto tempo falta para eu voltar a ser criança. Pensei alguns momentos e disse-lhe que uma criança já eu tinha sido mas que continuava a acreditar em fadas. Um dia deixei de ter encontros com as...

Universidade

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Na faculdade aprendi muita coisa. Aprendi o que custa fazer frequências e a saber gerir o meu tempo. Aprendi que naquela altura, mesmo que por muitas vezes difícil, eu tinha uma disponibilidade grande e saborosa que hoje já não tenho. Mas o maior ensinamento de todos foi fazer amizades para a vida. Socrátes escreveu certa vez que para se conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos. E é isso mesmo! Aprendi na faculdade a trocar ideias e a admirar comportamentos e posturas de tanta gente. Foram tantos os bocadinhos meus e dos outros que se trocaram que se fosse a dizer todos os nomes que eu recordo, nunca mais terminava o status do Facebook. Susana, café depois da aula de História Contemporânea e uma grand'a praia? :-)))