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Que seja!

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O que é o Natal, senão uma catarse daquilo que podemos ser de melhor? Seja o que for que se positiva, e só com essa condição, então que seja! Seja um momento feliz que se partilha, seja uma reunião adiada há várias folhas do calendário, ou uma tentativa de paz que se pondera, um ensaio ou um esboço que se desenha com mais ou menos vontade, mas que ainda assim se tenta, seja uma simples tentativa, seja uma hipocrisia positiva arrancada à laia de rolha de espumante. Que seja! Com ou sem ritual religioso, que seja! Com toda a família, ou com quem ainda resta, que seja! Que seja uma catarse da natureza humana, que é o mais provável, mas que ainda assim, seja uma pausa na nossa existência grotesca. Que seja!

Nenhures

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Amar pelos dois

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Poema Carmim

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Se um dia eu morrer a teu lado Meu amor, tu não chores por mim Para quê chorar p'lo tempo roubado? Meu amor, não gastes as tuas lágrimas assim Quando um dia eu já te tiver deixado Meu amor, tu enfeita-te de carmim Veste um vestido novo, encarnado Meu amor, até dá com a tua pele de cetim Antes chorar a alegria ou o prazer Antes chorar a primavera que não traz flor ou P'lo sol que não raia, p'la lua que não se vê Antes chorar como quem chora por nunca saber Que nesta vida nada tem mais valor Que um poema de amor, escrito no olhar de quem o lê

Leia

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Depois do George Michael ontem, parte a Carrie Fischer hoje, a princesa Leia da Guerra das Estrelas, e também um membro da realeza de Hollywood, filha de peixes graúdos do sistema, da atriz Debbie Reynolds e do cantor Eddie Fischer. Para os apreciadores da saga galática, os da primeira geração, esta princesa gémea representa as memórias infantis de uma nova forma de heroína com carácter forte e cheia de espírito de missão. A própria Carrie Fischer foi consumida pela personagem de tranças enroladas, espelhada no cinema e em todas as formas de consumo da sua imagem. Diferente do conceito passivo da mulher que sonha com príncipes e castelos, enquanto espera que a defendam, esta princesa Leia sabia lutar e disparar uma arma tão bem como qualquer companheiro masculino, sem se resignar com as adversidades, e batendo-se sempre pela restauração da igualdade na galáxia, nem que para isso ela ficasse com o penteado de tranças desfeito. Talvez personagem pioneira da igualdade de género na fic...

Snu Abecassis

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Snu Abecassis, dinamarquesa e companheira de Francisco Sá Carneiro, foi uma das vítimas do acidente/atentado de Camarate a 4 de dezembro de 1980. Snu foi a fundadora da editora Dom Quixote, mulher da cultura, responsável pela publicação de livros proibidos em Portugal, alguns até considerados de esquerda, e trouxe até nós o melhor do jornalismo internacional em formato de livro, tantas vezes apreendido pela PIDE. Hoje pouco se fala no seu nome, talvez pela sombra do parceiro, o antigo primeiro ministro fundador da AD, PPD. São mulheres destas que em tempos muito difíceis fizeram a diferença por uma laicização da cultura e do pensamento. Snu Abecassis fez/faz muita falta.

Estupidez

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«Se a estupidez, com efeito vista por dentro, não se confundisse com o talento, se, vista por fora, não tivesse todas as aparências do progresso, do génio, da esperança, ninguém desejaria ser estúpido e não existiria a estupidez». in, O Homem Sem Qualidades, Robert Musil.

Amor pela Manhã

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Mulheres

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Gosto de mulheres fortes. Mulheres que partam a loiça. Mulheres que quebrem o serviço de porcelana quando o chá azedou e pagaram caro por ele. Gosto de mulheres com ideias. Mulheres de atitude e com sentido de justiça. Gosto de damas que não se sujeitem, que se borrifem no convencional e que pouco lhes interesse aquilo que os outros possam pensar. Gosto de heroínas que têm gosto em o ser. Gosto de mulheres empreendedoras que queiram conquistar o mundo e que ditem as suas regras. Gosto de mulheres que gostem de mulheres e gosto de mulheres que gostem de homens. Gosto de mulheres que gostam. Gosto de mulheres que vistam aquilo que querem e que rejeitem a regra da moda. Gosto de uma mulher capaz de ser a mulher que inventou para si. Gosto de uma espécie de híbrido da atitude da Madonna em 1982, e a capacidade de sonho da Malala em 2016. Sem preconceitos. Sem tempos predefinidos. Sem submissões. Sem conformismos. Sem formatações. Sem convenções. Sem papéis. Uma mulher, tão somente uma mu...

É pró menino e prá menina!

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Na sombra da tua boca

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Estou na sombra da tua boca. Imagem do filme "Les Amants du Pont Neuf"

Despertar com Força

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A sétima parte da saga da Guerra das Estrelas despertou e veio com a espertina toda. Ao invés das complicações do passado que envolveram siths, clones e ameaças fantasma, a historia viajou à velocidade da luz até à autoestrada do episódio quatro e seguiu sempre em frente sem grandes desvios. Ver o novo filme da Guerra das Estrelas é como reencontrar velhos amigos da infância num jantar de Natal e saborear o lado bom da nostalgia com novos detalhes, e novas notas de sabor para experimentar. Talvez o grande segredo deste novo prato galáctico seja a boa receita antiga. Vai agradar aos gulosos de longa data e vai também satisfazer os novos apreciadores da iguaria. O jantar está servido. Bom apetite!

Spectre

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O novo filme 007 é frenético e estranhamente contemplativo. Se por um lado o Craig Bond é maduro, digamos que mais sóbrio do que o Moore dos anos 80, ele gosta também, e muito, da brincadeira. Há viagens a Marrocos, há excursão à Áustria, há explosões em Londres e há uma parada no Dia dos Mortos na capital do México. Há helicópteros, há o Aston Martin e há o vodka martini que ficou por beber a bordo do comboio porque um malandro resolveu fazer de pau de cabeleira. Há uma loira francesa, que já pouco faz lembrar a menina de cabelo azul do "A vida de Adele", e há a Belushi italiana em modo viúva, que apesar de estar 5 minutos em cena, tem tempo para enterrar o marido e para fazer o luto com o 007. Há tudo em "Spectre" menos o tema musical a martelar em cada cena de acção. Desta vez, o tema tocou mesmo só duas vezes como o carteiro, aquele que era amigo da Lana Turner. O Christoph Waltz é o mauzão de serviço, é um grande sádico, e deveria ter aparecido mais vezes...

A Deputada

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Em 1982, João Morgado, parlamentar do CDS afirmou numa intervenção sobre a questão do aborto, que o ato sexual só se justifica quando o objetivo é a procriação: "O acto sexual é para ter filhos", afirmou o senhor categoricamente. Natália Correia, escritora, poetisa e deputada, respondeu em forma de poema ao seu colega, fazendo distribuir no hemiciclo os seguintes versos: "Já que o coito - diz o Morgado Tem como fim cristalino Preciso e imaculado Fazer menina e menino, E cada vez que o varão Sexual petisco manduca Temos na procriação Prova que houve truca-truca. Sendo pai de um só rebento Lógica é a conclusão De que o viril instrumento Só usou - parca ração! – Uma vez. E se a função Faz o órgão - diz o ditado – Consumada essa operação Ficou capado o Morgado." É URGENTE mais deputados assim.

A Torre mais alta

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Quando eu era puto, comer era um castigo. Para que eu comesse antes do infantário, a minha avó inventava histórias que dariam uma segunda edição dos Contos de Grimm. Por vezes já cansada, ela repescava histórias reais, momentos seus, sensações suas, porque tudo valia por uma nova garfada e um menino bem comportado na escola. Numa das histórias que contou, a minha avó falou de uma rapariga que vivia na torre mais alta do mundo. A torre era mágica porque todos aqueles que a vissem na varanda, subiriam para a alcançar e, no final, enamorar-se-iam pela vista da cidade. Talvez a história para encantar meninos que a minha avó contou, fosse afinal uma catarse do dia em que subiu à Torre Eiffel.

Pauline

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Ácida, incisiva, assertiva, opinativa, controversa mas quase sempre certeira, Pauline Kael foi uma das grandes críticas de cinema, na minha opinião, bem entendido, capaz de influenciar/formar/instruir sobre a 7ª Arte. Escreveu entre 1968 e 1991, para a revista New Yorker, publicou vários livros, e deu o mote para que muitos outros pudessem fazer o mesmo. Não tinha problema algum em pôr em causa Fellini ou Hitchcock, e quando não lhe caía no goto alguma obra, mesmo que o sucesso de bilheteira dissesse o contrário, lá saíam umas linhas jocosas e bem fundamentadas para um arraso contra-corrente. Em 1965 estava o musical "Música no Coração" (The Sound of Music) a varrer as salas mundiais, e os Óscares, e para esta senhora o filme impunha-se como " uma coisa pré-fabricada que tem a presunção de nos dizer como devemos sentir e reagir, para além de nos provar o quão imbecis estéticos somos quando trauteamos as cançõezinhas no caminho para casa". Não era pêra doce, nã...

Carta de Amor

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Como seria o amor em tempo de guerra? Quais seriam os versos mais bonitos, trocados em segredo entre olhares cúmplices? Em 1915, a minha bisavó Arminda, com 17 anos, escreveu o seu primeiro postal romântico ao galã Rogério, um moreno alto e bem falante com quem casaria em 1916. O mundo podia até estar a viver a 1ª Grande Guerra (1914-18), mas para a ingénua Arminda, o Amor-Para-Sempre era a maior batalha de todas!

Beijos

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«Quem não beija é como um morto.» Goethe O maior e melhor beijo que alguém pode receber tem de ser incondicional, desinteressado e vital para quem o oferece. Nunca poderá ser um beijo romântico. Os beijos apaixonados são ótimos mas dependem, condicionam, avaliam, comparam, precisam de equilíbrio e raramente resistem a uma deceção. Parece-me muito mais forte, feito de diamante, um beijo que se dá com a alma, um daqueles beijos entre amigos verdadeiros que conhecem cada pedaço um do outro, que reconhecem cada som, que sabem cada timbre, que decoraram cada momento, que memorizaram cada odor sem nada cobrarem pelo espaço ocupado na memória. Amigos assim, e isso inclui a família de sangue e a família de vida, sabem sempre beijar como ninguém. São os melhores beijadores. E eu retribuo.

As Estrelas

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Estreou ha dias o novo filme da «Guerra das Estrelas» e é-me impossível esquecer o meu primeiro contacto com a saga, algures em 1984. Comecei o namoro com a galáxia de George Lucas ao contrário porque foi o episódio VI, O Regresso de Jedi, aquele que eu vi primeiro. Naves espantosas, heróis corajosos, robots que dão vontade de trazer para casa, luas e planetas incríveis, ursinhos fofos, um verme gordo e mau que aprisionou o capitão Han Solo e a princesa Leia e finalmente um sabre de laser todo catita. Na altura pensei que estava a ver a coisa mais impressionante da minha vida. Apaixonei-me aos 9 anos. Trinta anos, e muitos filmes do género, depois eu continuo igual. Sou um gajo fiel aos amores que o merecem.

Mr. Somewhere

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