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É pró menino e prá menina!

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Na sombra da tua boca

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Estou na sombra da tua boca. Imagem do filme "Les Amants du Pont Neuf"

Despertar com Força

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A sétima parte da saga da Guerra das Estrelas despertou e veio com a espertina toda. Ao invés das complicações do passado que envolveram siths, clones e ameaças fantasma, a historia viajou à velocidade da luz até à autoestrada do episódio quatro e seguiu sempre em frente sem grandes desvios. Ver o novo filme da Guerra das Estrelas é como reencontrar velhos amigos da infância num jantar de Natal e saborear o lado bom da nostalgia com novos detalhes, e novas notas de sabor para experimentar. Talvez o grande segredo deste novo prato galáctico seja a boa receita antiga. Vai agradar aos gulosos de longa data e vai também satisfazer os novos apreciadores da iguaria. O jantar está servido. Bom apetite!

Spectre

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O novo filme 007 é frenético e estranhamente contemplativo. Se por um lado o Craig Bond é maduro, digamos que mais sóbrio do que o Moore dos anos 80, ele gosta também, e muito, da brincadeira. Há viagens a Marrocos, há excursão à Áustria, há explosões em Londres e há uma parada no Dia dos Mortos na capital do México. Há helicópteros, há o Aston Martin e há o vodka martini que ficou por beber a bordo do comboio porque um malandro resolveu fazer de pau de cabeleira. Há uma loira francesa, que já pouco faz lembrar a menina de cabelo azul do "A vida de Adele", e há a Belushi italiana em modo viúva, que apesar de estar 5 minutos em cena, tem tempo para enterrar o marido e para fazer o luto com o 007. Há tudo em "Spectre" menos o tema musical a martelar em cada cena de acção. Desta vez, o tema tocou mesmo só duas vezes como o carteiro, aquele que era amigo da Lana Turner. O Christoph Waltz é o mauzão de serviço, é um grande sádico, e deveria ter aparecido mais vezes...

A Deputada

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Em 1982, João Morgado, parlamentar do CDS afirmou numa intervenção sobre a questão do aborto, que o ato sexual só se justifica quando o objetivo é a procriação: "O acto sexual é para ter filhos", afirmou o senhor categoricamente. Natália Correia, escritora, poetisa e deputada, respondeu em forma de poema ao seu colega, fazendo distribuir no hemiciclo os seguintes versos: "Já que o coito - diz o Morgado Tem como fim cristalino Preciso e imaculado Fazer menina e menino, E cada vez que o varão Sexual petisco manduca Temos na procriação Prova que houve truca-truca. Sendo pai de um só rebento Lógica é a conclusão De que o viril instrumento Só usou - parca ração! – Uma vez. E se a função Faz o órgão - diz o ditado – Consumada essa operação Ficou capado o Morgado." É URGENTE mais deputados assim.

A Torre mais alta

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Quando eu era puto, comer era um castigo. Para que eu comesse antes do infantário, a minha avó inventava histórias que dariam uma segunda edição dos Contos de Grimm. Por vezes já cansada, ela repescava histórias reais, momentos seus, sensações suas, porque tudo valia por uma nova garfada e um menino bem comportado na escola. Numa das histórias que contou, a minha avó falou de uma rapariga que vivia na torre mais alta do mundo. A torre era mágica porque todos aqueles que a vissem na varanda, subiriam para a alcançar e, no final, enamorar-se-iam pela vista da cidade. Talvez a história para encantar meninos que a minha avó contou, fosse afinal uma catarse do dia em que subiu à Torre Eiffel.

Pauline

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Ácida, incisiva, assertiva, opinativa, controversa mas quase sempre certeira, Pauline Kael foi uma das grandes críticas de cinema, na minha opinião, bem entendido, capaz de influenciar/formar/instruir sobre a 7ª Arte. Escreveu entre 1968 e 1991, para a revista New Yorker, publicou vários livros, e deu o mote para que muitos outros pudessem fazer o mesmo. Não tinha problema algum em pôr em causa Fellini ou Hitchcock, e quando não lhe caía no goto alguma obra, mesmo que o sucesso de bilheteira dissesse o contrário, lá saíam umas linhas jocosas e bem fundamentadas para um arraso contra-corrente. Em 1965 estava o musical "Música no Coração" (The Sound of Music) a varrer as salas mundiais, e os Óscares, e para esta senhora o filme impunha-se como " uma coisa pré-fabricada que tem a presunção de nos dizer como devemos sentir e reagir, para além de nos provar o quão imbecis estéticos somos quando trauteamos as cançõezinhas no caminho para casa". Não era pêra doce, nã...

Carta de Amor

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Como seria o amor em tempo de guerra? Quais seriam os versos mais bonitos, trocados em segredo entre olhares cúmplices? Em 1915, a minha bisavó Arminda, com 17 anos, escreveu o seu primeiro postal romântico ao galã Rogério, um moreno alto e bem falante com quem casaria em 1916. O mundo podia até estar a viver a 1ª Grande Guerra (1914-18), mas para a ingénua Arminda, o Amor-Para-Sempre era a maior batalha de todas!

Beijos

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«Quem não beija é como um morto.» Goethe O maior e melhor beijo que alguém pode receber tem de ser incondicional, desinteressado e vital para quem o oferece. Nunca poderá ser um beijo romântico. Os beijos apaixonados são ótimos mas dependem, condicionam, avaliam, comparam, precisam de equilíbrio e raramente resistem a uma deceção. Parece-me muito mais forte, feito de diamante, um beijo que se dá com a alma, um daqueles beijos entre amigos verdadeiros que conhecem cada pedaço um do outro, que reconhecem cada som, que sabem cada timbre, que decoraram cada momento, que memorizaram cada odor sem nada cobrarem pelo espaço ocupado na memória. Amigos assim, e isso inclui a família de sangue e a família de vida, sabem sempre beijar como ninguém. São os melhores beijadores. E eu retribuo.

As Estrelas

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Estreou ha dias o novo filme da «Guerra das Estrelas» e é-me impossível esquecer o meu primeiro contacto com a saga, algures em 1984. Comecei o namoro com a galáxia de George Lucas ao contrário porque foi o episódio VI, O Regresso de Jedi, aquele que eu vi primeiro. Naves espantosas, heróis corajosos, robots que dão vontade de trazer para casa, luas e planetas incríveis, ursinhos fofos, um verme gordo e mau que aprisionou o capitão Han Solo e a princesa Leia e finalmente um sabre de laser todo catita. Na altura pensei que estava a ver a coisa mais impressionante da minha vida. Apaixonei-me aos 9 anos. Trinta anos, e muitos filmes do género, depois eu continuo igual. Sou um gajo fiel aos amores que o merecem.

Mr. Somewhere

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Um visionário do estilo, um precursor de uma certa liberdade de se ser como é, um ourives da nova música portuguesa.

Impressão minha?

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Quando alguém está apaixonado os olhos não vêem a realidade. Os olhos vêem um quadro saído do impressionismo francês. Porque quem gosta impressiona-se com facilidade. Impressiona-se com as palavras e impressiona-se com os gestos. Ou é só uma impressão minha?

Aquilo que dói

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Aquilo que me dói mais na morte não é a ideia do fim ou do deixar de existir. Dói-me muito mais o tempo que se ganha, com a ausência, para se poder preparar as palavras certas a trocar com quem já não as poderá receber. Com esse tempo ganho, imaginam-se os momentos em que se disse tudo aquilo que havia por dizer. As frases saem completas. Ricas. Vírgula por vírgula. Ponto por ponto. Tudo isto porque a ausência total de alguém importante faz-nos perorar sobre aquilo que devia ter sido dito e não foi.

Enfim sós...

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Às vezes gosto de estar só. A solidão não me assusta, dado que é uma escolha que posso fazer, de livre vontade e durante o tempo que também me apetecer. Se, porventura, fosse imposta, creio que, por teimosia e contrariedade, não gostaria nem um bocadinho da solidão.    Estar só é estar na minha absoluta companhia, é ouvir-me sem distrações, é contemplar tudo com calma e reflectir, sobre mim, sobre o mundo, sobre tudo. Estar só implica dialogar connosco mesmos, indagar acerca de coisas que na companhia de outros nos passariam ao lado, exactamente porque na companhia de outros não somos o nosso centro das atenções.    Gosto de estar só, de viajar apenas com uma mochila por companhia, descobrir locais apenas com a ajuda de um mapa e calcorrear ruas polvilhadas de gente apenas, e só, comigo. Não é egoísmo, não é excentricidade, é um prazer imenso que nasce da alegria de descobrir no relógio horas que são só minhas, minutos inesquecíveis só meus, segundos de silênc...

Amor romântico e outras pinderiquices

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Vamos lá deixar cair as barreiras e admitir de uma vez por todas, os cínicos, os rabugentos e os ensimesmados também, que no final de contas aquilo que todos querem ter um dia, e não vale dizer que é o sexo ou o companheirismo fraternal, é sem tirar nem pôr uma coisa que seja o mais próxima possível do amor romântico. Falo daquele amor grande, gigante, dos livros clássicos, dos filmes para fungar e das histórias que parecem acontecer só aos outros, sempre com imunidade à rotina e às contas por pagar. O único senão é que nesse universo tão inspirador, é costume morrer sempre alguém no apogeu do ato cor-de-rosa ao invés da longevidade rotineira que nos abraça todas as manhãs. Imagine-se um amor que não seja trágico nem toldado pela disparidade social doutros tempos. Um amor moderno, estão a ver? Que seja um elo entre duas pessoas contemporâneas do Obama, ou das travessuras do Passos Coelho, e que seja também um exemplo de bravura com várias dificuldades ultrapassadas, com frases perfei...

12 Anos Escravo

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  Acabei de chegar do cinema e venho atordoado com tanta chicotada, tanta injustiça e soberba dos senhores brancos para com os negros durante a era esclavagista, neste caso nos Estados Unidos do século XIX. "12 Anos Escravo" não dá tréguas a ninguém e faz questão que a plateia assista à degradação, à brutalidade e à irracionalidade humana que leva alguém a ser intolerante, e pior, perverso, com um semelhante. O filme é realizado por Steve McQueen ("Vergonha", "Fome"), e aborda a história da escravatura nos EUA numa perspectiva muito realista, a partir de factos verídicos. As memórias de Solomon Northup, um homem negro que foi raptado e vendido como escravo, servem de mote para uma viagem aos confins do Inferno sob a batuta da chibata e do tronco. É a antítese do "E tudo o Vento Levou", dos vestidos bonitos, das boas maneiras e e das "southern belles" com um coração de oiro. Aqui a carne racha e faz ferida. Michael Fassbender, Benedict ...

Na tua pele

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Nos sinais que a tua pele traz, eu vejo estrelas e constelações.

Tu Gitana

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Com a sua canção "The Calling", a cantora irlandesa Méav ní Mhaolchatha está a ser acusada por alguns musicólogos portugueses de ter feito plágio a um tema de José Afonso, "Tu Gitana", uma canção com música do cantor português, e cantada pela soprano Helena Vieira (álbum Galinhas do Mato - 1985). De facto, é muito parecido...

(des)Amor

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Hoje uma amiga perguntou-me se eu sabia definir o (des)amor. Pensei. Voltei a pensar e tive dúvidas. Depois, entre o gole no café e o olhar nos olhos, respondi-lhe: Há alturas em que de tanto sabermos o outro de cor, acabamos por esquecer tudo. Esquecem-se os motivos. Esquecem-se as motivações. E até se esquecem as causas que agora deixam de ter efeito. Quanto dista o amor sereno da serenidade do comodismo? O que pesa mais, a sinceridade dos afetos ou a conveniência dos hábitos que se instalaram? Quantos segundos são necessários para se passar do amor ao apego oferecido pelo tempo? É (des)amor ou ligeira gripe daqueles que amaram de mais? As minhas perguntas responderam à tua pergunta?