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Impressão minha?

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Quando alguém está apaixonado os olhos não vêem a realidade. Os olhos vêem um quadro saído do impressionismo francês. Porque quem gosta impressiona-se com facilidade. Impressiona-se com as palavras e impressiona-se com os gestos. Ou é só uma impressão minha?

Aquilo que dói

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Aquilo que me dói mais na morte não é a ideia do fim ou do deixar de existir. Dói-me muito mais o tempo que se ganha, com a ausência, para se poder preparar as palavras certas a trocar com quem já não as poderá receber. Com esse tempo ganho, imaginam-se os momentos em que se disse tudo aquilo que havia por dizer. As frases saem completas. Ricas. Vírgula por vírgula. Ponto por ponto. Tudo isto porque a ausência total de alguém importante faz-nos perorar sobre aquilo que devia ter sido dito e não foi.

Enfim sós...

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Às vezes gosto de estar só. A solidão não me assusta, dado que é uma escolha que posso fazer, de livre vontade e durante o tempo que também me apetecer. Se, porventura, fosse imposta, creio que, por teimosia e contrariedade, não gostaria nem um bocadinho da solidão.    Estar só é estar na minha absoluta companhia, é ouvir-me sem distrações, é contemplar tudo com calma e reflectir, sobre mim, sobre o mundo, sobre tudo. Estar só implica dialogar connosco mesmos, indagar acerca de coisas que na companhia de outros nos passariam ao lado, exactamente porque na companhia de outros não somos o nosso centro das atenções.    Gosto de estar só, de viajar apenas com uma mochila por companhia, descobrir locais apenas com a ajuda de um mapa e calcorrear ruas polvilhadas de gente apenas, e só, comigo. Não é egoísmo, não é excentricidade, é um prazer imenso que nasce da alegria de descobrir no relógio horas que são só minhas, minutos inesquecíveis só meus, segundos de silênc...

Amor romântico e outras pinderiquices

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Vamos lá deixar cair as barreiras e admitir de uma vez por todas, os cínicos, os rabugentos e os ensimesmados também, que no final de contas aquilo que todos querem ter um dia, e não vale dizer que é o sexo ou o companheirismo fraternal, é sem tirar nem pôr uma coisa que seja o mais próxima possível do amor romântico. Falo daquele amor grande, gigante, dos livros clássicos, dos filmes para fungar e das histórias que parecem acontecer só aos outros, sempre com imunidade à rotina e às contas por pagar. O único senão é que nesse universo tão inspirador, é costume morrer sempre alguém no apogeu do ato cor-de-rosa ao invés da longevidade rotineira que nos abraça todas as manhãs. Imagine-se um amor que não seja trágico nem toldado pela disparidade social doutros tempos. Um amor moderno, estão a ver? Que seja um elo entre duas pessoas contemporâneas do Obama, ou das travessuras do Passos Coelho, e que seja também um exemplo de bravura com várias dificuldades ultrapassadas, com frases perfei...

12 Anos Escravo

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  Acabei de chegar do cinema e venho atordoado com tanta chicotada, tanta injustiça e soberba dos senhores brancos para com os negros durante a era esclavagista, neste caso nos Estados Unidos do século XIX. "12 Anos Escravo" não dá tréguas a ninguém e faz questão que a plateia assista à degradação, à brutalidade e à irracionalidade humana que leva alguém a ser intolerante, e pior, perverso, com um semelhante. O filme é realizado por Steve McQueen ("Vergonha", "Fome"), e aborda a história da escravatura nos EUA numa perspectiva muito realista, a partir de factos verídicos. As memórias de Solomon Northup, um homem negro que foi raptado e vendido como escravo, servem de mote para uma viagem aos confins do Inferno sob a batuta da chibata e do tronco. É a antítese do "E tudo o Vento Levou", dos vestidos bonitos, das boas maneiras e e das "southern belles" com um coração de oiro. Aqui a carne racha e faz ferida. Michael Fassbender, Benedict ...

Na tua pele

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Nos sinais que a tua pele traz, eu vejo estrelas e constelações.

Tu Gitana

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Com a sua canção "The Calling", a cantora irlandesa Méav ní Mhaolchatha está a ser acusada por alguns musicólogos portugueses de ter feito plágio a um tema de José Afonso, "Tu Gitana", uma canção com música do cantor português, e cantada pela soprano Helena Vieira (álbum Galinhas do Mato - 1985). De facto, é muito parecido...

(des)Amor

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Hoje uma amiga perguntou-me se eu sabia definir o (des)amor. Pensei. Voltei a pensar e tive dúvidas. Depois, entre o gole no café e o olhar nos olhos, respondi-lhe: Há alturas em que de tanto sabermos o outro de cor, acabamos por esquecer tudo. Esquecem-se os motivos. Esquecem-se as motivações. E até se esquecem as causas que agora deixam de ter efeito. Quanto dista o amor sereno da serenidade do comodismo? O que pesa mais, a sinceridade dos afetos ou a conveniência dos hábitos que se instalaram? Quantos segundos são necessários para se passar do amor ao apego oferecido pelo tempo? É (des)amor ou ligeira gripe daqueles que amaram de mais? As minhas perguntas responderam à tua pergunta?

Sem cura

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Todas as histórias de amor sofrem da mesma doença. Viral ou bacteriana, não importa a génese, esta enfermidade apenas muda na intensidade da dor e nos sintomas que desembocam num estado de alma partilhado por todas as histórias de amor do mundo. Há delírio de febre. Há frenesim e há palavras mágicas, de efeito limitado, que curam as maleitas de um momento quase-perfeito. Quem está doente de amor tem a coragem contagiosa de inspirar os outros a desejar padecer do mesmo síndrome. Passado o coma da paixão, ganha-se a consciência de uma nova realidade fria, fria como os Antípodas. Depois sofre-se, cai-se, coxeia-se, esvai-se a energia do ser livre sozinho e, quando menos se espera, acabam-se os tremores de uma doença que já tivemos mas que desejamos ter outra vez, talvez num outro dia que seja perfeito para se ficar de cama a rever um filme que já se viu na época da quarentena. Todas as histórias de amor sofrem da mesma doença. E o prognóstico diz que não tem cura.

O engate

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O engate faz parte da vida porque engatar é viver. A morte é precisamente quando já nada nos poderá engatar ou, também, deixar que sejamos nós a avançar com um bom engate. Vivos, nós engatamos os momentos, engatamos o dia mal ele começa, engatamos os nossos pensamentos, engatamos a nossa vontade, e o inverso também se aplica porque até os cantos dos pássaros ao sol nos engatam. Por isso o engate é tudo menos uma palavra feia. Gosto do outro lado da palavra engate. Aquele lado mais neutro e livre, que não tem um cordel amarrado ao prazer da carne. Gosto que me engatem com o coração e, ainda mais, de me sentir engatado por um chamamento de alma. Hoje já engataste ou te deixaste engatar?

Se eu

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Se eu fosse como um jogo de Lego poderia refazer-me todas as vezes que me destruíssem. Peça a peça. Linha a linha. Bloco a bloco até que conseguisse erguer-me em mim outra vez. Era tão mais fácil se eu fosse esse Lego humano! Eu e todos aqueles que querem estar de pé. Quem já não caiu? Abalou? Dizimou ou foi engolido por um chão que rachou por causa de um terramoto, não importa o seu nome ou a sua escala? Haverá escalas para os terramotos que nos derrubam? Charles Richter soube falar de magnitude sísmica mas não incluiu na sua escala os tremores do coração. Um emprego que se perde, um amor que se esvai, uma desilusão que nos cobre, um choro que não se controla, uma amizade que se esfuma, um mal-entendido que sobrevive em demasia... são tantos os abalos sísmicos e só uma pessoa. Cada um de nós deveria ter um kit Lego especial para se montar em caso de contingência porque assim qualquer criança conseguiria construir-nos de novo, e com todas as cores possíveis.

Alegria

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Alegria é paz. É encontro perfeito entre o sorriso e o espírito leve. Alegria é nuvem branca que não sabe chover porque prefere céus azuis. Alegria é vibração que se sente com a felicidade dos outros. Não com a nossa. Alegria é o eco de um riso que se repete a si próprio vezes sem conta e que contagia. É vida. É nascimento. É uma menina que vem ao mundo num dia de chuva para o tornar soalheiro. A Alegria só sabe ser alegre se disserem o seu nome alegremente.

Livro da Vida

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Os livros podem mudar ideias fixas, desconstruir pontos de vista, arrasar preconceitos antigos ou mesmo inspirar um novo viver. A vida é, na verdade, um best seller de ficção que todos compraram no dia do lançamento mas que infelizmente só teve uma tiragem. O livro que somos tem, por isso, de ser estimado, protegido e acarinhado. Se esse livro nosso é uma historia de amor, um conto de mistério, uma aventura exótica, uma colectânea de contos mundanos, uma novela de ficção científica, um soneto erótico ou um romance de cordel, isso só dependerá de cada um. Só fulano A, fulano B ou fulano C saberá escrever a sua historia à sua maneira. Eu fulano V digo que o meu livro-vivo é de capa dura para resistir melhor às intempéries e tem os vários capítulos com títulos, à moda antiga, para que eu melhor catalogue a minha história. Não me interessa o género, nem o estilo ou sequer a a quantidade de capítulos que se encerram no meu passado. Eu gosto de géneros completamente diferentes, não sou de ...

Clube dos Poetas que já fomos

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Sou do clube daqueles que guardaram, e ainda guardam, os cadernos da escola. São um amontoado de papéis, rascunhos, testes e cadernos quadriculados ou pautados, com recortes de artistas de cinema e de bandas do passado a sorrirem ou a posarem solenemente nas capas. No interior, poemas e dedicatórias escritos por colegas mais inspirados, sempre numa caligrafia pueril e exageradamente redonda. Num desses cadernos do 9º ano, com imagens da Kim Basinger agarrada ao Batman, encontrei anotações minhas, escritas em várias páginas, com citações do "Clube dos Poetas Mortos". Sorri com os Carpe diems desejados aos 14 anos, com os tutanos da vida que naquela altura ainda aprendia a sugar, com as idas ao bosque para encontros comigo mesmo, e fico com a sensação clara que, 25 anos depois, o maior Carpe Diem de todos é que não importa a idade nem a experiência que eventualmente se possa ter, porque continuaremos a ser, em alguns momentos, aquele miúdo deslumbrado que um dia fomos. ...

Mundo Mulher

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O mundo é mulher porque pulsa, continua, renova, sara, gira e faz-se imprescindível. O mundo é mulher. É feito de matéria feminina e compassiva. O mundo só pode ser uma mulher porque sabe trazer sempre o dia seguinte quando acende o sol para que se quebrem as trevas. Nunca ninguém duvide que o mundo é mesmo uma mulher que reconforta o filho sol, no final do dia, e o cobre, protege, com o lençol da noite bordado por si com estrelas. O mundo é uma mulher. Uma mulher que aguenta injustiças por nobreza, que chora no inverno mas que sorri na primavera para trazer calor no seu abraço quando é verão. O mundo é mulher. A Mulher é o mundo que, por amor, carrega no ventre.

Valer a Pena

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Se acreditas que não vale a pena então estás depenado de todos os teus sonhos. Estás vazio, oco e tudo o que ainda te resta é o eco daquilo que quiseste ontem e não agarraste hoje. Contentas-te com a voz do “podia ter sido” só porque tens arcaboiço para conversar com ela? Preferes as cócegas feitas com a pena de galinha que é oferecida aos melhores desistentes? Então para ti não vale mesmo a pena.Tens razão. O pior é que com o passar do tempo, aviso-te já, tu vais habituar-te às cócegas e aí nem a pena de ave que tu ganhaste vai valer de consolo. E é pena… Acorda! Levanta-te com as galinhas e enche-te de penas. É claro que vale a pena! Tu vales a pena e sabes melhor do que ninguém que a tua alma é tudo menos alérgica às penas. Além disso, tu tens um radar que nunca te falha. És como um pombo torcaz que sabe sempre voltar à zona de conforto. Nem que te largassem no Alasca com uma anilha no pulso! Tudo, tudo, tudo vale muito a pena se o teu radar começar a rodopiar como um pião de ma...

Mala

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Há vezes em que penso que a felicidade cabe toda dentro de uma mala. Imagino que esteja no minimalismo do viver, a chave enferrujada para a fechadura de ferro que nos prende a uma existência domada. Prendem-nos os laços que nascem da relação com os outros, amarram-nos as cordas da responsabilidade, raptam-nos os gangs dos empréstimos que fizemos num Banco, amordaçam-nos os impostos que pagamos sem sequer saber o seu nome e tortura-nos o tempo que passou quando, finalmente, tomamos consciência que fomos uma vítima aprisionada na torre mais alta de um castelo que construímos, ou que alguém construiu para nos oferecer. Na verdade somos príncipes ou princesas que aguardam um resgate a cavalo que só poderá partir de nós próprios porque o dragão de atalaia existe dentro do peito. A felicidade cabe mesmo toda dentro de uma mala. Cabe numa mala de mão grande o suficiente para albergar as coisas mais simples da alma mas que não tem estrutura para guardar os compromissos obesos nem as obriga...

Amanhãs

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Quem diz que amanhã é outro dia, como quem diz que vai fazer no dia seguinte aquilo que não fez hoje, está na verdade a adiar qualquer coisa por medo ou então só tem desculpa possível se tentou, caiu e esborrachou as esperanças no chão, mas está prontinho para fazer a mesma coisa no dia que se segue.   Quem se defende com o amanhã para fazer qualquer coisa, tem mesmo de já ter tentado fazer aquilo q ue deseja agora, neste momento, antes de se atrever a dizer essas palavras. Se assim não é, mais vale não dizer nada e reponderar as prioridades. Que amanhã é outro dia já todos sabemos. É óbvio e trivial, a não ser que alguém descubra uma profecia de Nostradamus a anunciar o fim do mundo, que seja válida e que não dê aso a partilhas no Facebook a fazer pouco. Não, amanhã pode não ser um outro dia perfeito para fazeres aquilo que tu tens de fazer agora. Fá-lo hoje. Fá-lo repetidamente até que amanhã seja, de facto, um outro dia para te superares a ti próprio com um objetivo d...

Já és crescido

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A vida que pode ser dura e injusta, as decisões sentimentais difíceis, a intransigência com os maus resultados na vida real, ao contrário daquilo que acontecia nos testes de matemática, ou o cinzento da rotina que em nada se parece com a alegria multicolor dos "Morangos com açúcar são assuntos para os quais não nos ensinaram, ou prepararam, na escola. Mas deveriam. Seria urgente haver uma disciplina chamada "Aprende para não levares pancada quando estiveres no mercado de trabalho" porque assim, pelo menos, colocar-se-ia a semente certa para que quem a regasse convenientemente, tivesse algum fruto na primavera do "já és crescido". Hoje a situação, parece-me, ainda está bem pior do que antes porque se facilitam trânsitos de ano quando nem sequer se sabe fazer uma composição de 10 linhas imaculada de erros ortográficos. O professor passou de mentor digno de admiração a alguém sem autoridade para impor a ordem e muito menos para chamar os meninos à razão, com...

Felicidade dói

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A felicidade dói e tem de doer porque sem dor não seria felicidade, mas sim uma outra coisa qualquer. A felicidade dói porque se sente e é esse sentir que a transforma no ouro dos sorrisos. A felicidade é missão coletiva, é maravilha à qual se assiste quando acontece aos outros e tarda para nós. É aceitação das barreiras e é também um abraço que se dá às nossas, pequenas ou grandes, limitações. Se  alguém um dia tentar vender a felicidade, vai acabar por perder a mercadoria. Ela não se vende, não tem preço nem moeda que a valha porque é simples, é oferecida a quem a cultivou, é ganha pelas opções sensatas e nunca poderá ser cara como um artigo de luxo. Se a felicidade fosse como flores que se vendem no mercado, elas murchariam depois da compra. A felicidade é flor que nunca se colhe porque é sonho que se semeia.