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A mostrar mensagens de setembro, 2012

Defeitos

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Gosto de defeitos nos outros e em mim. Mas defeitos saudáveis, que podem até irritar, mas que não chegam a provar má formação em alguém. Não falo desses. Defeitos de má formação não os suporto nem tão pouco os tolero. Afasto-me logo. Tu também, certo? Por isso tu que tens a mania que mandas, eu que sou teimoso, tu que gostas de repetir aquilo que os outros dizem como se fosses um irmão Dupont saído da BD do Tintin, ou ainda tu que tens ciúmes dos teus amigos como se eles fossem o amor da tua vida, deixa estar e não mudes. És muito mais giro assim! Quem é que gosta de gente perfeita? Existe?

Prazeres culpados

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Todos temos guilty pleasures em várias áreas. No cinema eu tenho alguns. Gosto especialmente deste filme realizado pelo Danny Boyle em 2000 sobre uma ilha algures na Tailândia, virgem e escondida das garras do turismo. O filme foi mal recebido pela crítica, sobretudo, por causa das liberdades que tomou na adaptação do romance. Quanto ao livro, escrito em 1996 por um jovem inglês de 26 anos, Alex Garland, é francamente bom. Uma espécie de "Senhor das Moscas" para a geração X dos anos 70. Quem não gostaria de pertencer a uma comunidade idílica numa ilha de sonho? Durante 2 meses? 3 meses? Sempre? Com o novo paradigma económico que se instala na nossa sociedade, talvez até seja uma boa ideia voltar às origens de uma aldeia (nada global). Alguém tem o mapa para a ilha? :) Eu vou.

Planeta Amor

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Às vezes penso que uma relação é como um museu onde os momentos são obras de arte que pertencem a todas as correntes estilísticas. Os beijos trocados fazem-se com pinceladas de Klimt e os encontros perfeitos encantam como uma pintura de Monet. Monet porque os abraços que se trocam, quando são apertados e sôfregos, podiam bem ser mantos de nenúfares sobre um lago de 360º. Quando alguém está apaixonado os olhos não vêem a realidade. Os olhos vêem um quadro saído do impressionismo francês. Porque quem gosta impressiona-se com facilidade. Impressiona-se com as palavras e impressiona-se com os gestos. Ou é só uma impressão minha? Mas não é só de pintura que vive o amor. Ele vive também da meteorologia e das estações do ano. Quem está pelo beicinho vê passarinhos verdes, consegue ver o sol em dias cinzentos e acredita que o outro é capaz de mudar as estações do ano só porque sorri. Pois é. O pinga-amor acredita sempre que o outro traz a primavera nos lábios quando este solta sorrisos...

Insert card

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Gostava que o pragmatismo do comando de televisão, ou da tecnologia em si, pudesse ser transportado para a vida real. Bastaria carregar num botão e voilà! Passava-se de uma situação para outra completamente diferente e com direito a total controlo do volume. Muito fácil e sem chatices. Seria perfeito poder aumentar ou diminuir o som dos diálogos conforme estes nos agradassem ou não. Se assim fosse, eu calaria muita gente. Calaria uns mas daria amplitude de voz a outros, que por norma não costumam ter eco nas palavras. Talvez esta ideia, daqui a uns anos, deixe de ser uma situação digna de um filme do James Cameron ou do Ridley Scott. Talvez mesmo daqui a uns anos, as pessoas passem a investir no implante de botões ON e OFF em vez de gastarem dinheiro nas operações plásticas ao nariz ou às maminhas de borracha. Uma entrada mini SD, atrás da orelha para não desfear, também seria muito boa ideia para uma recauchutagem. Nesse cartãozinho maravilhoso faríamos atualizações imediatas e efi...

Os Beijos

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Pergunto-me se haverá no mundo um mausoléu tão venerado, beijado e escolhido como abrigo preferido de leitores solitários, como a campa de Oscar Wilde no cemitério de Père-Lachaise em Paris? Vêem-se olhos que choram, mãos que escrevem recados e lábios pintados que beijam a pedra fria. As frases e os pedaços de histórias que se podem ler nas quatro paredes, se compilados mesmo sem nexo, dariam um romance. Um romance de retalhos.

Jogos Felinos

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Toda a gente quer o pacote completo a que tem direito. Quer sedução, quer tempo de qualidade com o escolhido, quer intimidade, com fantasia e uma pequena cena de ciúmes à mistura, quer emoção em dose controlável, quer poder romper barreiras, zangar com direito a todos os extras: amuos fotogénicos para quem vê, discussões mais acesas, telefonemas que terminam em voz de cama, depois um jogo de apanhada, ou um pedido de desculpas se isso for uma regra obrigatória e por fim um grande momento regado com dopamina, neuroepinefrina e pheniletilamina. É que o amor bem comportado pode ser um tédio.

Marvel

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Se eu tentasse explicar ao meu sobrinho de seis anos, de forma muito simplicada, o que é a Troika e aquilo que ela significa, tenho a certeza que ele me aconselharia a abrir um dos livros de banda desenhada que tem na estante para que chamássemos um super-herói valente. Em vez de manuais de economia, ele iria achar mais eficaz uma consulta ao dicionário da Marvel. Porque afinal, o pragmatismo da banda desenhada consegue resolver qualquer problema em pouco mais do que três tiras quadriculadas, com cores primárias e algumas onomatopeias em letras garrafais. Se o Batman existisse de verdade, ou o Hulk, ou o Super-Homem e a sua amiga Mulher-Maravilha, nós teríamos vigilantes preocupados em restaurar o bem-estar e a ordem. Se eu falasse da Troika ao meu sobrinho... ele diria que o Joker, a Mulher-Gato ou o Lex Luthor são meninos de coro comparados com ela.

Música em ti

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No bulício dos teus beijos solfejados, encontrei a melodia perene que me faz querer entregar a alma. Entre colcheias de ternura e semínimas de bem querer, entendi que a minha partitura só podia ser dirigida pelo teu gesto musical sem espartilho de estilo. Claves de sol iluminam, agora, a minha vontade a cada toque teu, como se o teu dó-ré-mi fosse a palavra mágica essencial para o meu apogeu sinfónico, antes ausente, e agora para sempre adjectivado na pauta do amor que acontece. Música que ecoa em poesia muda, sem quaisquer palavras que a enalteçam. Apoteose melódica de uma grande composição que nasce de um momento de silêncio. Grito sem voz que consegue inebriar a mais surda das emoções. Requiem precipitado de um amor que nunca chegou a terminar. Mariposas de cordas de violino flutuam no meu pensamento musicado à tua medida, como se o teu adágio me travasse os sentidos vencidos pela tua batuta que me destina a mergulhar no teu oceano de semibreves, compassos e semifusas. Quero-te na...

Há dias

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Há dias em que não sei a dimensão de mim. Dias em que me deixo perder no labirinto da minha própria essência e nem sequer sei onde começo e acabo. Há dias assim. Dias não. Dias que não são perfeitos mas que por algum motivo teimam em acontecer. O que fazer com eles? O tempo neste mundo tem muitos destes dias. O mais fantástico num dia assim é como ele pode representar a perfeição num outro universo humano. Aquilo que não me apraz, delicia o senhor que se segue. Um mundo heterogéneo de emoções interpretáveis de mil e uma maneiras. Certamente um dia não são dias. E um dia nefasto pode ser um dia delicioso num outro universo paralelo. Talvez esse seja o grande apanágio dos humanos: a multiplicidade de interpretações que um dia pode conter. Amanhã lá vem outro...dia!

Modas

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Estar na moda e seguir padrões é uma chatice. Pessoalmente até acho bem mais 'edgy' quando se rema contra a corrente. É porreiro ler os livros em voga quando já ninguém se lembra deles e melhor ainda, usar verde alface quando a regra é o preto. Faço uma ressalva para os fashionistas ponderados: aqueles que aderem a uma moda, porque é aquilo que querem mesmo, e não compram tudo o que lhes é atirado pelos olhos adentro. São coerentes e reflexivos nas suas escolhas. Não falo só de moda. Falo de conceitos, hobbies, assuntos de conversa e até de opiniões pré-formadas. Qual é a graça de ler fulano X porque toda a gente o está a ler, ou ver o filme Y porque o mundo vai vê-lo em fila indiana, ou aderir ao hobbie Z porque parece que toda a gente o faz hoje em dia? A moda tem um sacana de um denominador comum que não me agrada. Quer pensar por nós. Quer apressar decisões. Impor padrões e criar manadas que aprendem a esquecer como decidir por si. No dia em que a voga mundial seja mais h...

É saudade

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A saudade, pura, poética e fadista, talvez seja portuguesa mas existe também no resto do mundo. É uma palavra difícil de traduzir para outras línguas mas não é intraduzível. Algumas línguas têm palavras equivalentes, algumas até se socorrem...de várias palavras para a exprimir, mas a maior dificuldade é encontrar o consenso entre tradutores e falantes para o seu significado. Esse, o significado, é que não é consensual. Por exemplo os alemães, nada dados ao Fado, conseguem englobá-la numa palavra e chamam-lhe " die sehnsucht". Ach so!! Diz o dicionário que saudade é lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado, ou pesar, mágoa que essa privação causa. Concordo. Mas e qual é o seu antónimo? Não é óbvio nem fácil. Eu diria que o contrário de saudade é desprendimento e total desinteresse pelo passado.

O Especialista

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Há atores especialistas em certos tipos de papel. Para mim, o Ralph Fiennes continua a mostrar a mesma aptidão para retratar heróis atormentados e irremediavelmente desafortunados no amor. É quase um "guilty pleasure" catalogar Fiennes nesta categoria, sendo ele um dos actores mais académicos da sua geração. Mas a verdade é que ninguém consegue ser um melhor herói romântico do que ele. "English Patient", "The End of the Affair", "Wuthering Heights" ou "The Constant Gardener", são exemplos de como ele consegue criar uma aura de romantismo sem frivolidade nem maneirismos mainstream. The ultimate passionate lover!

Leitura Fria

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Não entendo como ainda há quem leve a sério a futurologia feita com naipes de jogar. Ou a outra, feita com cartas que não se regem por copas, paus, espadas e ouros mas sim por figuras coloridas, algumas até bem bonitas, que representam coisas diversas consoante calhem direitas ou invertidas. Pensando bem, eu não entendo a aceitação de todo e qualquer tipo de adivinhação. Ele é búzios, runas, quiromancia, desenhos de azeite sobre uma tela de água, oráculos e telepatias que assentam, sobretudo, na capacidade de alguém em saber comunicar com carisma. Qualquer dia ainda alguém se lembra de começar a ler as linhas dos pés. Aposto que haveria clientes com fartura! A verdade é que o carisma canalizado no sentido errado pode transformar um indeciso num crente fervoroso. Hitler fê-lo com sucesso e, provavelmente, nem sabia jogar à sueca. Aquilo que digo sobre as leituras de baralho, repito em relação aos grupos de pessoas em torno de uma mesa de mogno escuro, rosto fechado e de mãos dadas, à ...

Domingo

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Hoje acordei bêbado de sono. Fui direto à cozinha, depois de uma pequena excursão ao WC, liguei o rádio e carreguei no botão da máquina do café. No ar, as ondas da M80, cantavam sucessos de ontem e em especial este "Hungry Eyes". A minha am iga Electra começou a elevar-se nas patas traseiras e rodopiou umas quantas de vezes. Ainda pensei que o fizesse por causa do cheiro a café, que ela adora, mas não. Ela queria dançar comigo. Ela que se deixe de tretas que eu não vou elevá-la em prancha! :)

Eu não sei e tu não sabes

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Acredito que ninguém sabe realmente alguma coisa. Somos, e fomos talhados para ser, eternos aprendizes. Quando nascemos, indefesos e à mercê dos braços que nos seguram, não podemos recorrer às experiências de uma vida passada, se ela existir. Quando deixamos a infância para trás não sabemos sequer o que realmente significou a juventude e quando casamos, não concebemos nem de perto nem de longe aquilo que é ser-se casado. Depois vem a velhice e tornamos a não saber para onde vamos, sabemos apenas aquilo que foi para trás, mas nem aí temos sorte porque, salvas raras exceções, poucos terão disponibilidade para nos escutar. Dirão que somos crianças outra vez e o melhor é não fazer caso. Por isso não há volta a dar e ponto final. Somos aprendizes em eterno ciclo e sem capacidade para saber alguma coisa no momento certo. A única certeza absoluta é uma eterna inexperiência.

O teu perfume

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No teu perfume eu encontro motivos para te fazer viver para sempre. Na minha memória, bem entendido. O teu cheiro quando vinhas para casa, molhada da chuva, com o cesto de vime cheio de legumes a emoldurar o peixe que tu escolhias sempre fresco. Ou o aroma dos teus beijos na minha face, quando me convencias a ir para a escola, quanto tudo aquilo que eu mais queria era continuar a estar contigo. Sem desenhos parvos e colagens absurdas que eu fazia com os outros miúdos na sala de aulas. Contigo, as horas eram festas e as tardes eram carnavais de histórias que tu me contavas, para me convencer a dar mais uma garfada. Não eras a minha mãe mas talvez fosses personagem de um patamar superior. De um livro de contos. Ou uma faixa de um disco, já muito riscado, que eu ouvia vezes e vezes sem conta contigo ao pé de mim. Tudo o que tenho de ti, agora, são fotografias com sorrisos teus e o teu perfume, que por vezes muda consoante a memória que tu deixaste. Como podes tu já não existir, se eu ai...

Viajar é viver

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Viajar é viver. Há quem viaje para sentir. Outros fazem-no para aprender. Outros ainda para fugir daquilo que deixam para trás, e por isso para esquecer. Parece-me que o motivo mais sincero para se iniciar uma viagem a algures é querer levar na bagagem disponibilidade para receber. Quanto maior for a diferença entre a nossa cultura e a do país que se visita, maior a necessidade que alguém tem para encaixar aquilo que recebe. Por outro lado, viajar não significa de todo uma instrução adquirida. Porque se as viagens simplesmente instruíssem os homens, os marinheiros seriam incontestavelmente os mais instruídos do mundo. Perguntem ao Popeye!