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A mostrar mensagens de julho, 2012

Sexismo

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Uma coisa que me intriga nos dias de hoje, em matéria de conteúdos para crianças, é o sexismo. Por que raio é que a Walt Disney, por exemplo, insiste em fazer marketing direcionado aos meninos e outro totalmente diferente, dirigido às meninas? Quanto eu tinha 6 anos, rapazes e raparigas viam os mesmos programas. Podia haver menos variedade mas não havia pressões deste tipo. O que importava se a "Bela Adormecida" era uma princesa, se o filme tinha também um príncipe que sabia usar a espada como ninguém e até lutava com um dragão gigante? O que é que interessava se a Branca de Neve era uma miúda assustada se, na verdade, meninos e meninas reagiam da mesma maneira quando ela se perdia na floresta ou quando entrava a bruxa em cena? Papámos a Heidi, o Marco, o Tom Sawyer, o D'artação, o He-man e até a Candy Candy marchava, mesmo que fosse para fazer chorar as pedras da calçada. Hoje isto não acontece desta maneira. Os meninos são pressionados para não perderem pitada do Gor...

Quase

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Lentamente vou começando a ver as férias a uns poucos de metros de distância. Ainda não consigo correr para elas, como um puto que reencontra a mãe num Shopping apinhado de gente, porque os meus pés pesam com os três dias de trabalho que ainda tenho para cumprir. Mas quando as apanhar a jeito, as meninas férias, vão levar uma beijoca bem repenicada! :) muah!

Pedaços do passado

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Um dos meus passatempos preferidos é visitar lojas de artigos em segunda mão. Gosto do cheiro a antigo e, ainda mais, de me perder num mar de LPs, singles, roupa vintage, ou livros de capa dura com títulos gravados em dourado. Demoro algum tempo a observar pormenores e espero sempre encontrar um objeto especial. O Tal objeto especial! Leio as dedicatórias que um dia alguém escreveu na contra-capa de um disco qualquer e encontro sempre anotações curiosas que um leitor mais atento resolveu apontar nas páginas de um romance clássico. Às vezes até encontro cartas a marcar uma paragem de leitura. Cartas que quase sempre falam de ausência, ou de (in)confidências que quem as escreveu não imaginou que seriam lidas por um destinatário anónimo dali a 30 anos. Hoje foi um desses dias de viagem no tempo. Encontrei uma mala de viagem perfeita: Couro preto, quadrada, pequena o suficiente para ser bagagem de mão, e com ar de já ter viajado muitas milhas. Uma mala que vive há mais tempo do que eu.

Somos um

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Às vezes sentimos que somos apenas um. Ou porque estamos sozinhos ou, melhor ainda, porque nos complementamos no outro que está connosco. Mas quase sempre, depois de todas as voltas que já foram dadas, depois de todos os valentes tombos onde nos esfolámos à grande, ou depois de esgotado o portefólio das (más) justificações para o nosso vazio, todos procuramos um motivo que justifique uma vida. E esse grande motivo, apenas diferente no momento de sentir, passa sempre pela partilha.

Palavras por dizer

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Uma coisa tão simples e natural como a morte, pode ser ao mesmo tempo uma das coisas mais complexas e difíceis de entender. Sobretudo quando se sente a ausência de quem partiu em toda a sua força. Aquilo que me dói mais na morte não é a ideia do fim ou do deixar de existir. Dói-me muito mais o tempo que se ganha, com a ausência, para se poder preparar as palavras certas a trocar com quem já não as poderá receber. Com esse tempo ganho, imaginam-se os momentos em que se disse tudo aquilo que havia por dizer. As frases saem completas. Ricas. Vírgula por vírgula. Ponto por ponto. Tudo isto porque a ausência total de alguém importante faz-nos perorar sobre aquilo que devia ter sido dito e não foi. Está a fazer quatro anos que o meu pai morreu. Parecem-me décadas, estes quatro anos, porque o tempo tornou-se lento de propósito para que eu pudesse avaliar a importância que ele tinha na minha vida. As palavras que eu não disse ao meu pai, vou guardá-las para mim para lhes dar corpo com as mi...

O erro

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Aprendi na escola que o mundo é redondo. Mas não é. O mundo é curvo e por vezes é disforme. Tem muitos lados. Faz muitos ângulos e muitas vezes até faz um triângulo. Nesse triângulo passamos a vida a calcular a hipotenusa. Umas vezes conseguimos. E outras vezes perdemo-nos a fazer o cálculo. E quando erramos, nem sempre é fácil culpar Pitágoras. Ou pedir satisfações a Galileu. Às vezes o mundo é perfeito e traz brilhos ao olhar. Sentem-se estrelas cadentes dentro de nós, mas depois vem a chata da trovoada e leva aquilo que tinhamos de bom. Lá se foram as estrelinhas e a leveza do Ser. Mentiram-me. O mundo não é redondo! Não é uma bolha de sabão perfeita e lisa. De bolha, o mundo só tem a metáfora. Pode rebentar com um sopro. Pode desfazer-se e temos de tentar fazer outra. Quem me disse que o mundo era uma esfera, não sabia que ele pode ser um quadrado. Pode até ser uma jaula. Pode ter quatro lados e pode prender-nos a uma ideia, a um jogo de vontades ou a um (pre)conceito. O melhor q...

Quando cheira a Natal

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Quando o cheiro a Natal começa a dançar pl'o ar, lá vem o musical mais natalício do mundo: "The Sound of Music". Lembro-me de o ver anunciado na RTP quando eu era pirralho e, mesmo depois de crescido, ao longo dos anos sempre na mesma quadra, lá vinha ele, por vezes a saltitar pelos quatro canais nacionais, sem ser apanágio da RTP1. Também cheguei a encontrar-me com ele no cinema. Quando aparecia de vez em quando nos cinemas da cidade, lá vinha a minha avó com a ideia de me levar a ver o filme com os meus primos. Era a dose total. Ainda nem sabia articular inglês coloquial mas já sabia cantarolar as canções sobre meninos a aprender a pauta musical e também a pauta da vida. Gosto deste filme não porque o conteúdo me preenche os critérios mas porque era o filme preferido da minha avó. Aliás, quando a senhora começa a cantar é a minha avó que me vem à memória apesar de ela nunca ter estado em Salzburgo. Mas eu sei que ela gostava de ter lá ido. :)

Um dia seremos

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Alguém de quem eu gosto muito dizia que a beleza física não era mais do que uma caveira bem forrada. O conceito da procura do belo estende-se a tudo desde a forma física à arte, aos valores intrínsecos ao ser humano e a uma catrefada de outras coisas mais. Mas há sempre um tempo em que se dá uma nivelação na (boa) forma humana, pelo menos a olho nu. Um dia seremos todos iguais e desnudos daquilo que já fomos uma vez.

Programa Manhattan

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Programa Manhattan? Não, não é nenhuma excursão pelas avenidas calcorreadas pela Carrie Bradshaw e sus muchachas ávidas de compras haute-couture. É o nome do programa nuclear, altamente secreto dirigido pelo cientista Robert Oppenheimer durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de produzir a primeira bomba atómica. Como resultado deste programa tão jeitoso, Los Alamos National Laboratory, no Novo México teve direito a um grande espetáculo pirotécnico onde se formou uma torre de 30 metros de altura seguida de uma cratera de 400 metros de diâmetro. Uau! E como os êxitos de bilheteira são sempre para se repetirem ad nausium, nas semanas seguintes já havia duas sequelas na forja e em 3D: As bombas "Little Boy" e "Fat Man" que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945 respetivamente. Com tanta falta de assunto para se fazerem filminhos blockbuster originais para o verão, por que carga de água os estúdios de Hollywood ainda não invest...

Coração

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Qual é a forma do coração? Pode ser anguloso e curvo a dobrar na parte de cima, preenchido de cor-de-rosa, nos postais de 14 de fevereiro, ou vermelho, viscoso e pulsante, sob a lâmina do bisturi numa maca de cirurgia, mas sobretudo penso que ele pode ter a forma que cada um de nós quiser que ele tenha. É um gajo importante o sr.coração! Tem o apanágio da responsabilidade da vida e tem também o fardo de representar o grafismo doce do amor romântico. Corações perfeitos, corações partidos, corações imprimidos, corações tatuados e mais uma catadupa de outros tantos corações para todas as ocasiões. Em textos e conversas coloquiais, o coração costuma andar metido no meio das palavras que dizemos: Gosto de ti, coração! Tu não tens coração! É de partir o coração! Estás no meu coração! Olhos que não veem, coração que não sente! Fui embora mas deixei lá o meu coração! Este senhor é tão importante que até tem filmes com o seu nome no título: Música no Coração? Ok,este é o mais famoso e pelo me...

Silêncio

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O silêncio que antecede o primeiro beijo é das coisas mais extraordinárias que alguém pode sentir. Há quem trema mas faça pulso firme, há quem se esqueça como construir frases e de dizer as palavras adequadas, e por isso aguarda a iniciativa do outro, e há aqueles que ganham o momento: quebram o silêncio e soltam o beijo. Uma relação de muitos anos devia ter um momento assim todos os dias.

Primeira viagem

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Sempre achei que o amor e o sexo, na flor da inexperiência, são como uma primeira viagem na montanha russa. Ao princípio têm-se medo e só a ideia traz ansiedade e nervosismo. Depois vem a fase da decisão e, com ela, vem a escolha da pessoa que nos vai acompanhar na viagem. E finalmente, quando se concretiza, todo o medo que tínhamos se transforma em diversão.

Desesperadamente procurando férias

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Homem, 37 anos, simpático, procura férias para compromisso sério. Promete tratá-las com todo o respeito e pretende gozá-las, no bom sentido, da melhor maneira. Planeiam-se atividades lúdicas, momentos de lazer puro e outros tantos que são surpresa. As férias interessadas no cavalheiro que se arrisquem a responder até ao final do mês. Agosto será tempo de celebração. Marca-se encontro dia 31 julho, 18h30, rua do ócio no jardim do estio.

Lady of Shallot

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Alfred Lord Tennyson apresentou-me num poema a Lady de Shallot. Sozinha na torre do castelo de Shallot, uma ilha perto de Camelot, uma senhora elegante e triste está condenada a nunca poder espreitar o mundo lá fora, a não ser através do enorme espelho que tem na sala e que lhe mostra o reflexo que vem da janela. Enfeitiçada, sem saber porquê, ela aceita a sua condição e, para passar o tempo, vai fiando uma tapeçaria sem fim olhando de quando em vez para o espelho que lhe permite ver um pedaço da vida no exterior. Um dia igual a todos os outros, ela vê a imagem do cavaleiro Lancelot que passava a cavalo no outro lado do rio. Tudo deixou de lhe fazer sentido. Levantou-se e parou de tecer o tapete de mil cores para espreitar pela primeira vez pela janela debruçada sobre o rio. O espelho quebrou-se e ela compreendeu que o sabor da morte, que lhe vinha como certa, era mais encantador do que a calma solitária que vivera uma vida inteira. Saiu para o jardim, deitou-se numa barca sobre um ...

Amor de cão

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Gosto de amor em todas as cores e feitios: platónico, romântico, amigo, familiar, artístico, idealista e sobretudo o desinteressado. O amor de um cão é um dos mais comoventes e despretensiosos que pode existir.

O vendedor de sonhos

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Se há coisa que eu gosto de fazer, é ler. Especialmente romances. A literatura técnica pode ser muito interessante e necessária, é com certeza, mas eu prefiro a ficção. Dickens, Somerset Maugham, Doyle e, na minha língua, José Luís Peixoto, são os autores com quem eu gosto de “ir à pesca” Com este grupo há sempre a garantia de uma boa pescaria. Eles lançam o isco nas primeiras páginas e eu não me importo mesmo nada de ser a carpa daquele mar de letras. Mordo o anzol e deixo-me sacudir à tona dos parágrafos que eles sabem ondular com grande mestria. Costumo encontrar-me com eles nas livrarias antigas. Alfarrabistas ou lojas de livros em segunda mão. Quase nunca nas grandes superfícies comerciais. Sabem-me melhor os livros usados que alguém já manuseou e sentiu. São coisas minhas! Prefiro as metáforas que já foram lidas e interpretadas por outros olhos, sobretudo se estiverem estampadas em papel amarelecido pelo tempo. Na minha cidade há uma loja que eu conheço desde sempre. Uma loja ...

Ser viajante

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Prefiro ser viajante do que ser turista. É mais interessante a filosofia da descoberta do que a filosofia do livro de bolso. O viajante é sempre livre e o turista, muitas vezes, só é livre no dia em que não tem atividades pré-programadas. E depois há sempre um motivo para a viagem. Os turistas têm sempre um destino certo enquanto que os viajantes têm apenas um objetivo: seguir com a viagem. E por falar em viagem, os viajantes fazem da Ásia, ou de outro lugar qualquer, uma viagem maravilhosa. Já os turistas preferem focar-se no destino final e em vez da viagem maravilhosa à Ásia, eles costumam fazer a viagem à "Ásia maravilhosa". É diferente, não é? Dizem que o dinheiro faz girar o mundo. E de facto sem dinheiro é difícil viajar muitos kilómetros com conforto. Estamos de acordo. Mas até neste ponto parece-me que os turistas quando viajam, fazem-no sempre com dinheiro para os seus souvenirs porque não arriscariam viajar se assim não fosse. É essa a sua principal preocupaç...