Sem cura
Todas as histórias de amor sofrem da mesma doença. Viral ou bacteriana, não importa a génese, esta enfermidade apenas muda na intensidade da dor e nos sintomas que desembocam num estado de alma partilhado por todas as histórias de amor do mundo. Há delírio de febre. Há frenesim e há palavras mágicas, de efeito limitado, que curam as maleitas de um momento quase-perfeito. Quem está doente de amor tem a coragem contagiosa de inspirar os outros a desejar padecer do mesmo síndrome. Passado o coma da paixão, ganha-se a consciência de uma nova realidade fria, fria como os Antípodas. Depois sofre-se, cai-se, coxeia-se, esvai-se a energia do ser livre sozinho e, quando menos se espera, acabam-se os tremores de uma doença que já tivemos mas que desejamos ter outra vez, talvez num outro dia que seja perfeito para se ficar de cama a rever um filme que já se viu na época da quarentena.
Todas as histórias de amor sofrem da mesma doença. E o prognóstico diz que não tem cura.

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