Mala

Há vezes em que penso que a felicidade cabe toda dentro de uma mala. Imagino que esteja no minimalismo do viver, a chave enferrujada para a fechadura de ferro que nos prende a uma existência domada. Prendem-nos os laços que nascem da relação com os outros, amarram-nos as cordas da responsabilidade, raptam-nos os gangs dos empréstimos que fizemos num Banco, amordaçam-nos os impostos que pagamos sem sequer saber o seu nome e tortura-nos o tempo que passou quando, finalmente, tomamos consciência que fomos uma vítima aprisionada na torre mais alta de um castelo que construímos, ou que alguém construiu para nos oferecer. Na verdade somos príncipes ou princesas que aguardam um resgate a cavalo que só poderá partir de nós próprios porque o dragão de atalaia existe dentro do peito.

A felicidade cabe mesmo toda dentro de uma mala. Cabe numa mala de mão grande o suficiente para albergar as coisas mais simples da alma mas que não tem estrutura para guardar os compromissos obesos nem as obrigações que algemam. Quero uma mala de viajante que se recuse a ser bagagem de turista porque há vezes em que penso que a felicidade cabe toda dentro de uma mala… e há um momento para fazê-la.

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