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A mostrar mensagens de maio, 2013

(des)Amor

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Hoje uma amiga perguntou-me se eu sabia definir o (des)amor. Pensei. Voltei a pensar e tive dúvidas. Depois, entre o gole no café e o olhar nos olhos, respondi-lhe: Há alturas em que de tanto sabermos o outro de cor, acabamos por esquecer tudo. Esquecem-se os motivos. Esquecem-se as motivações. E até se esquecem as causas que agora deixam de ter efeito. Quanto dista o amor sereno da serenidade do comodismo? O que pesa mais, a sinceridade dos afetos ou a conveniência dos hábitos que se instalaram? Quantos segundos são necessários para se passar do amor ao apego oferecido pelo tempo? É (des)amor ou ligeira gripe daqueles que amaram de mais? As minhas perguntas responderam à tua pergunta?

Sem cura

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Todas as histórias de amor sofrem da mesma doença. Viral ou bacteriana, não importa a génese, esta enfermidade apenas muda na intensidade da dor e nos sintomas que desembocam num estado de alma partilhado por todas as histórias de amor do mundo. Há delírio de febre. Há frenesim e há palavras mágicas, de efeito limitado, que curam as maleitas de um momento quase-perfeito. Quem está doente de amor tem a coragem contagiosa de inspirar os outros a desejar padecer do mesmo síndrome. Passado o coma da paixão, ganha-se a consciência de uma nova realidade fria, fria como os Antípodas. Depois sofre-se, cai-se, coxeia-se, esvai-se a energia do ser livre sozinho e, quando menos se espera, acabam-se os tremores de uma doença que já tivemos mas que desejamos ter outra vez, talvez num outro dia que seja perfeito para se ficar de cama a rever um filme que já se viu na época da quarentena. Todas as histórias de amor sofrem da mesma doença. E o prognóstico diz que não tem cura.

O engate

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O engate faz parte da vida porque engatar é viver. A morte é precisamente quando já nada nos poderá engatar ou, também, deixar que sejamos nós a avançar com um bom engate. Vivos, nós engatamos os momentos, engatamos o dia mal ele começa, engatamos os nossos pensamentos, engatamos a nossa vontade, e o inverso também se aplica porque até os cantos dos pássaros ao sol nos engatam. Por isso o engate é tudo menos uma palavra feia. Gosto do outro lado da palavra engate. Aquele lado mais neutro e livre, que não tem um cordel amarrado ao prazer da carne. Gosto que me engatem com o coração e, ainda mais, de me sentir engatado por um chamamento de alma. Hoje já engataste ou te deixaste engatar?

Se eu

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Se eu fosse como um jogo de Lego poderia refazer-me todas as vezes que me destruíssem. Peça a peça. Linha a linha. Bloco a bloco até que conseguisse erguer-me em mim outra vez. Era tão mais fácil se eu fosse esse Lego humano! Eu e todos aqueles que querem estar de pé. Quem já não caiu? Abalou? Dizimou ou foi engolido por um chão que rachou por causa de um terramoto, não importa o seu nome ou a sua escala? Haverá escalas para os terramotos que nos derrubam? Charles Richter soube falar de magnitude sísmica mas não incluiu na sua escala os tremores do coração. Um emprego que se perde, um amor que se esvai, uma desilusão que nos cobre, um choro que não se controla, uma amizade que se esfuma, um mal-entendido que sobrevive em demasia... são tantos os abalos sísmicos e só uma pessoa. Cada um de nós deveria ter um kit Lego especial para se montar em caso de contingência porque assim qualquer criança conseguiria construir-nos de novo, e com todas as cores possíveis.

Alegria

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Alegria é paz. É encontro perfeito entre o sorriso e o espírito leve. Alegria é nuvem branca que não sabe chover porque prefere céus azuis. Alegria é vibração que se sente com a felicidade dos outros. Não com a nossa. Alegria é o eco de um riso que se repete a si próprio vezes sem conta e que contagia. É vida. É nascimento. É uma menina que vem ao mundo num dia de chuva para o tornar soalheiro. A Alegria só sabe ser alegre se disserem o seu nome alegremente.

Livro da Vida

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Os livros podem mudar ideias fixas, desconstruir pontos de vista, arrasar preconceitos antigos ou mesmo inspirar um novo viver. A vida é, na verdade, um best seller de ficção que todos compraram no dia do lançamento mas que infelizmente só teve uma tiragem. O livro que somos tem, por isso, de ser estimado, protegido e acarinhado. Se esse livro nosso é uma historia de amor, um conto de mistério, uma aventura exótica, uma colectânea de contos mundanos, uma novela de ficção científica, um soneto erótico ou um romance de cordel, isso só dependerá de cada um. Só fulano A, fulano B ou fulano C saberá escrever a sua historia à sua maneira. Eu fulano V digo que o meu livro-vivo é de capa dura para resistir melhor às intempéries e tem os vários capítulos com títulos, à moda antiga, para que eu melhor catalogue a minha história. Não me interessa o género, nem o estilo ou sequer a a quantidade de capítulos que se encerram no meu passado. Eu gosto de géneros completamente diferentes, não sou de ...

Clube dos Poetas que já fomos

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Sou do clube daqueles que guardaram, e ainda guardam, os cadernos da escola. São um amontoado de papéis, rascunhos, testes e cadernos quadriculados ou pautados, com recortes de artistas de cinema e de bandas do passado a sorrirem ou a posarem solenemente nas capas. No interior, poemas e dedicatórias escritos por colegas mais inspirados, sempre numa caligrafia pueril e exageradamente redonda. Num desses cadernos do 9º ano, com imagens da Kim Basinger agarrada ao Batman, encontrei anotações minhas, escritas em várias páginas, com citações do "Clube dos Poetas Mortos". Sorri com os Carpe diems desejados aos 14 anos, com os tutanos da vida que naquela altura ainda aprendia a sugar, com as idas ao bosque para encontros comigo mesmo, e fico com a sensação clara que, 25 anos depois, o maior Carpe Diem de todos é que não importa a idade nem a experiência que eventualmente se possa ter, porque continuaremos a ser, em alguns momentos, aquele miúdo deslumbrado que um dia fomos. ...

Mundo Mulher

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O mundo é mulher porque pulsa, continua, renova, sara, gira e faz-se imprescindível. O mundo é mulher. É feito de matéria feminina e compassiva. O mundo só pode ser uma mulher porque sabe trazer sempre o dia seguinte quando acende o sol para que se quebrem as trevas. Nunca ninguém duvide que o mundo é mesmo uma mulher que reconforta o filho sol, no final do dia, e o cobre, protege, com o lençol da noite bordado por si com estrelas. O mundo é uma mulher. Uma mulher que aguenta injustiças por nobreza, que chora no inverno mas que sorri na primavera para trazer calor no seu abraço quando é verão. O mundo é mulher. A Mulher é o mundo que, por amor, carrega no ventre.

Valer a Pena

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Se acreditas que não vale a pena então estás depenado de todos os teus sonhos. Estás vazio, oco e tudo o que ainda te resta é o eco daquilo que quiseste ontem e não agarraste hoje. Contentas-te com a voz do “podia ter sido” só porque tens arcaboiço para conversar com ela? Preferes as cócegas feitas com a pena de galinha que é oferecida aos melhores desistentes? Então para ti não vale mesmo a pena.Tens razão. O pior é que com o passar do tempo, aviso-te já, tu vais habituar-te às cócegas e aí nem a pena de ave que tu ganhaste vai valer de consolo. E é pena… Acorda! Levanta-te com as galinhas e enche-te de penas. É claro que vale a pena! Tu vales a pena e sabes melhor do que ninguém que a tua alma é tudo menos alérgica às penas. Além disso, tu tens um radar que nunca te falha. És como um pombo torcaz que sabe sempre voltar à zona de conforto. Nem que te largassem no Alasca com uma anilha no pulso! Tudo, tudo, tudo vale muito a pena se o teu radar começar a rodopiar como um pião de ma...

Mala

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Há vezes em que penso que a felicidade cabe toda dentro de uma mala. Imagino que esteja no minimalismo do viver, a chave enferrujada para a fechadura de ferro que nos prende a uma existência domada. Prendem-nos os laços que nascem da relação com os outros, amarram-nos as cordas da responsabilidade, raptam-nos os gangs dos empréstimos que fizemos num Banco, amordaçam-nos os impostos que pagamos sem sequer saber o seu nome e tortura-nos o tempo que passou quando, finalmente, tomamos consciência que fomos uma vítima aprisionada na torre mais alta de um castelo que construímos, ou que alguém construiu para nos oferecer. Na verdade somos príncipes ou princesas que aguardam um resgate a cavalo que só poderá partir de nós próprios porque o dragão de atalaia existe dentro do peito. A felicidade cabe mesmo toda dentro de uma mala. Cabe numa mala de mão grande o suficiente para albergar as coisas mais simples da alma mas que não tem estrutura para guardar os compromissos obesos nem as obriga...

Amanhãs

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Quem diz que amanhã é outro dia, como quem diz que vai fazer no dia seguinte aquilo que não fez hoje, está na verdade a adiar qualquer coisa por medo ou então só tem desculpa possível se tentou, caiu e esborrachou as esperanças no chão, mas está prontinho para fazer a mesma coisa no dia que se segue.   Quem se defende com o amanhã para fazer qualquer coisa, tem mesmo de já ter tentado fazer aquilo q ue deseja agora, neste momento, antes de se atrever a dizer essas palavras. Se assim não é, mais vale não dizer nada e reponderar as prioridades. Que amanhã é outro dia já todos sabemos. É óbvio e trivial, a não ser que alguém descubra uma profecia de Nostradamus a anunciar o fim do mundo, que seja válida e que não dê aso a partilhas no Facebook a fazer pouco. Não, amanhã pode não ser um outro dia perfeito para fazeres aquilo que tu tens de fazer agora. Fá-lo hoje. Fá-lo repetidamente até que amanhã seja, de facto, um outro dia para te superares a ti próprio com um objetivo d...

Já és crescido

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A vida que pode ser dura e injusta, as decisões sentimentais difíceis, a intransigência com os maus resultados na vida real, ao contrário daquilo que acontecia nos testes de matemática, ou o cinzento da rotina que em nada se parece com a alegria multicolor dos "Morangos com açúcar são assuntos para os quais não nos ensinaram, ou prepararam, na escola. Mas deveriam. Seria urgente haver uma disciplina chamada "Aprende para não levares pancada quando estiveres no mercado de trabalho" porque assim, pelo menos, colocar-se-ia a semente certa para que quem a regasse convenientemente, tivesse algum fruto na primavera do "já és crescido". Hoje a situação, parece-me, ainda está bem pior do que antes porque se facilitam trânsitos de ano quando nem sequer se sabe fazer uma composição de 10 linhas imaculada de erros ortográficos. O professor passou de mentor digno de admiração a alguém sem autoridade para impor a ordem e muito menos para chamar os meninos à razão, com...

Felicidade dói

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A felicidade dói e tem de doer porque sem dor não seria felicidade, mas sim uma outra coisa qualquer. A felicidade dói porque se sente e é esse sentir que a transforma no ouro dos sorrisos. A felicidade é missão coletiva, é maravilha à qual se assiste quando acontece aos outros e tarda para nós. É aceitação das barreiras e é também um abraço que se dá às nossas, pequenas ou grandes, limitações. Se  alguém um dia tentar vender a felicidade, vai acabar por perder a mercadoria. Ela não se vende, não tem preço nem moeda que a valha porque é simples, é oferecida a quem a cultivou, é ganha pelas opções sensatas e nunca poderá ser cara como um artigo de luxo. Se a felicidade fosse como flores que se vendem no mercado, elas murchariam depois da compra. A felicidade é flor que nunca se colhe porque é sonho que se semeia.

O Tesouro

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Já encontraste o tesouro de hoje e beijaste a rapariga no final? Então estás à espera do quê? Esperas que alguém resolva os teus problemas, aguardas que os empecilhos se apaguem sozinhos ou, por outra, acreditas que se não fizeres absolutamente nada, as situações complicadas vão fazer-te uma vénia cordial à tua passagem? Se pensas que o tesouro do dia se consegue assim, continua que vais ter um bonito entardecer. Um tesouro, seja ele qual for, consegue-se com estratégias traçadas, com muita paciência e sempre com alguma astúcia. Os tempos não são fáceis, piscam mais o olho a um filme de zombies do que a um épico de aventuras, mas tu sabes que não podes ser o mesmo personagem em todos os cenários. Isso é que não, certo? Vou já dizer-te aquilo que deves fazer, ora toma nota: se o teu dia mais parece uma comédia, ri-te. Se tiveste azar e há drama, chora um bocado, mas não exageres, porque não vai fazer-te mal carpir os teus desgostos. Se é um daqueles dias de terror puro, não te...

O poço

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Quanto mede a distância entre a vontade de beijar e o beijo que se concretizou? Quanto pesa um coração cheio de emoções quando colocado na balança dos afetos? Eu não sei medir nem explicar aquilo que me faz pensar em ti, mas posso imprimi-lo nas palavras que te ofereço. Posso deixar que esse sentimento seja a água no poço dos meus olhos para que tu te debruces e espreites a cada olhar meu.

Silêncio

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Gosto do silêncio nos momentos. Sem palavras. Sem a oralidade. Prefiro a música e a leitura dos olhos aos diálogos escritos, recitados, decorados e despejados numa cena que já se ensaiou 200 vezes. Prefiro o engano do olhar a um discurso límpido, dito por uma voz firme, bem colocada, mas que não sabe aquilo que diz. E não sabe porque não o sente. Prefiro as palavras ditas com os olhos. O brilho na retina devia ser uma linguagem universal. A primeira. A principal.

A cobrança

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Não gosto de cobranças. As cobranças acabam por cheirar muito mal, mais tarde, para quem as faz e fedem ainda pior quando alguém as recebe sem as compreender. Quem cobram impiedosamente são os bancos. E cobram porque alguém assinou um contrato de empréstimo. As cobranças despropositadas são como uma troika dos afectos. Têm juros muito pesados e quanto mais tempo passa, e a continuarem a ser feitas, maiores se tornam as taxas da paciência. As cobranças compulsivas são azedas. Não combinam com o mel daquilo que já se foi um dia. Malditas cobranças! Nem de fraque se tornam mais elegantes!

Pinturas

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Há histórias de amor com diferentes cores. Há amores que são vermelhos de tão intensos, há amores azuis que trazem consigo toda a calma dos céus de primavera, ou ainda outros amores que são paletas de todas as cores em sopa colorida, tão colorida que nem o próprio amor conseguiria pintar o seu auto-retrato, se assim quisesse. O mundo está cheio de pintores. E quem não pinta, gostaria de estar a pintar... Picasso, Vermeer ou Van Gogh, não importa o estilo nem a corrente porque aquilo que realmente importa... é a pincelada que se dá. Vamos pincelar?

Um livro

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Há histórias de amor com diferentes cores. Há amores que são vermelhos de tão intensos, há amores azuis que trazem consigo toda a calma dos céus de primavera, e ainda outros que são paleta de todas as cores em sopa colorida, tão colorida que nem o próprio amor conseguiria servir-se de todas as tintas no seu auto-retrato, se assim quisesse. “O paciente inglês” de Michael Ondaatje é muita coisa ao mesmo tempo mas será, sobretudo, uma história de amor servida por um romantismo da cor do deserto com todas as suas nuances e degradés. Nas palavras itinerantes de Ondaatje, o amor faz-se por diferentes caminhos porque, sendo complexo e denso, não tem uma rota traçada a priori nem um mapa que dê as coordenadas exatas dos afetos dos personagens. O deserto do Sahara e a planície bucólica de Itália servem de palco a uma história marcada pelo rescaldo da segunda Grande Guerra, onde presente e passado se misturam numa teia de constantes analepses. Amor, traição e tempos difíceis desembocam num eni...

Romeu e Julieta

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O Romeu diz assim à Julieta numa noite de cetim: "Meu amor, se tu contares todas as estrelas do céu saberás o tamanho da minha paixão sem fim." A Julieta pensou na trabalheira, acreditou sem pestanejar sorriu inocente e arrepiou de contente com vontade de acrescentar: "Meu Romeu dos olhos lânguidos, em ti eu vou acreditar, mas tu tem lá paciência porque todas as estrelas do céu, eu não vou contar! "

Favoritos

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Gosto de preto mas das outras cores também porque há dias perfeitos para cada cor que uma paleta contém. Gosto de gelados mesmo que ainda não seja verão, porque até no inverno há sabores frios que aquecem o coração. Gosto de rir mesmo se o momento for assim-assim porque o poder de uma gargalhada cura-te a ti e cura-me a mim. Gosto de abraços mesmo quando os braços não podem abraçar porque basta que eu imagine um abraço para que ele me faça voar. Gosto de palavras mesmo quando ninguém as diz porque posso eu escrevê-las e o pensamento torna-se num parágrafo feliz. As minhas coisas favoritas são as mais simples, e isso tem uma razão. Descobri que é na simplicidade onde melhor se vive a vida com paixão.

Arco-Íris

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Gosto de ideias com cor. Nas coisas e nas pessoas. Agrada-me sorrisos abertos quando acompanhados por ideias ainda mais risonhas. Gosto de pintores que fazem da própria mente a melhor tela para os seus trabalhos, sem preocupação pela corrente artística, sem importar se a obra vai vender ou ficar em armazém. Gosto de pensar que as pessoas de mente aberta são assim. Não são comerciais nem espartilhadas por correntes do "tem de ser assim". Já pensaste o mundo com quantas cores o arco-íris tem?

Anna

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"Anna Karenina" na versão de Joe Wright é um filme arrojado e , na minha opinião, muito bem conseguido. Agarra na história clássica de Tolstoi e conta-a num prisma cénico muito teatral, não falo de teatralidade no discurso, onde os cenários e os movimentos dos personagens são muitas vezes coreografados nas suas ações. A vida é um palco com camarotes debruçados sobre quem atua? Neste filme é. Aliás, foi essa a sensação que eu tive durante 129 minutos, vencida a estranheza dos primeiros momentos. Keira Knightley parece ter nascido para usar vestidos com espartilho e crinolina sem que a sua fotogenia de modelo Chanel atrapalhe a densidade necessária para um papel como este. Muito original na conceção e na montagem. "Neste nosso amor espera-nos a amargura, os desgostos e a própria felicidade". Eu esperava apenas uma adaptação fiel e encontrei um momento de cinema que me surpreendeu.