Pauline
Ácida, incisiva, assertiva, opinativa, controversa mas quase sempre certeira, Pauline Kael foi uma das grandes críticas de cinema, na minha opinião, bem entendido, capaz de influenciar/formar/instruir sobre a 7ª Arte.
Escreveu entre 1968 e 1991, para a revista New Yorker, publicou vários livros, e deu o mote para que muitos outros pudessem fazer o mesmo. Não tinha problema algum em pôr em causa Fellini ou Hitchcock, e quando não lhe caía no goto alguma obra, mesmo que o sucesso de bilheteira dissesse o contrário, lá saíam umas linhas jocosas e bem fundamentadas para um arraso contra-corrente. Em 1965 estava o musical "Música no Coração" (The Sound of Music) a varrer as salas mundiais, e os Óscares, e para esta senhora o filme impunha-se como " uma coisa pré-fabricada que tem a presunção de nos dizer como devemos sentir e reagir, para além de nos provar o quão imbecis estéticos somos quando trauteamos as cançõezinhas no caminho para casa".
Não era pêra doce, não. Mas faz muita falta. Pauline Kael morreu em 2001 aos 82 anos.

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