A Torre mais alta
Quando eu era puto, comer era um castigo. Para que eu comesse antes do infantário, a minha avó inventava histórias que dariam uma segunda edição dos Contos de Grimm.
Por vezes já cansada, ela repescava histórias reais, momentos seus, sensações suas, porque tudo valia por uma nova garfada e um menino bem comportado na escola. Numa das histórias que contou, a minha avó falou de uma rapariga que vivia na torre mais alta do mundo. A torre era mágica porque todos aqueles que a vissem na varanda, subiriam para a alcançar e, no final, enamorar-se-iam pela vista da cidade.
Talvez a história para encantar meninos que a minha avó contou, fosse afinal uma catarse do dia em que subiu à Torre Eiffel.

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