Às vezes gosto de estar só. A solidão não me assusta, dado que é uma escolha que posso fazer, de livre vontade e durante o tempo que também me apetecer. Se, porventura, fosse imposta, creio que, por teimosia e contrariedade, não gostaria nem um bocadinho da solidão. Estar só é estar na minha absoluta companhia, é ouvir-me sem distrações, é contemplar tudo com calma e reflectir, sobre mim, sobre o mundo, sobre tudo. Estar só implica dialogar connosco mesmos, indagar acerca de coisas que na companhia de outros nos passariam ao lado, exactamente porque na companhia de outros não somos o nosso centro das atenções. Gosto de estar só, de viajar apenas com uma mochila por companhia, descobrir locais apenas com a ajuda de um mapa e calcorrear ruas polvilhadas de gente apenas, e só, comigo. Não é egoísmo, não é excentricidade, é um prazer imenso que nasce da alegria de descobrir no relógio horas que são só minhas, minutos inesquecíveis só meus, segundos de silênc...