Aquilo que dói
Aquilo que me dói mais na morte não é a ideia do fim ou do deixar de existir. Dói-me muito mais o tempo que se ganha, com a ausência, para se poder preparar as palavras certas a trocar com quem já não as poderá receber. Com esse tempo ganho, imaginam-se os momentos em que se disse tudo aquilo que havia por dizer. As frases saem completas. Ricas. Vírgula por vírgula. Ponto por ponto. Tudo isto porque a ausência total de alguém importante faz-nos perorar sobre aquilo que devia ter sido dito e não foi.

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