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A mostrar mensagens de outubro, 2012

Sr.professor

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Não entendo, ou não quero entender, quando dizem que hoje os alunos já não são como eram no tempo em que eu andava no liceu. Dizem que eles agora são diferentes. Que não acatam instruções com a subserviência devida. Que não toleram as correções merecidas e que até se indignam quando são chamados à atenção com alguma autoridade. Imagino que, se assim é, a maioria não recordará o nome, nem reconhecerá o rosto dos professores que tiveram nos tempos de escola, volvidos 20 anos sobre o fim do ensino secundário. Das dezenas de professores que me ensinaram qualquer coisa em 12 anos de idas ao quadro negro, eu garanto que consigo recordar as feições e os nomes da maioria, consigo reviver na memória o seu tom de voz e até consigo lembrar, estou certo, grande parte dos conceitos que debitaram e se esforçaram, a maioria deles, para que ficassem até hoje na minha cabeça. Bem vistas as coisas, à distância de 20 anos, foram coleções de disciplinas que eu tive de guardar na caderneta do saber. Fora...

Liberdade

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Hoje vivemos tempos difíceis. Tempos estranhos e de mudança. O outono de 2008 nos Estados Unidos da América trouxe uma grande constipação e, a seu tempo, o mundo apanhou uma gripe daquelas a valer. Portugal e a Grécia são dois pacientes em convalescença, dizem eles, que necessitam de uma quarentena apertada e muito rígida. Por isso fizeram-nos tomar comprimidos de largo espectro com efeitos secundários de longa duração e que, ainda por cima, viciam não a quem os toma mas a quem os prescreve. Não haveria de certeza uns comprimidinhos mais ligeiros, com efeitos secundários de menor impacto? Depois os doutorzinhos do Centro de Saúde aqui do burgo, querem seguir as prescrições com afinco. Com tanto afinco que até querem exagerar as dosagens a ver se a maleita se esvai mais depressa. Querem matar o mal e o doente também. Com tanta medicamentação que o pai Portugal tem tomado, a filha Liberdade, agora com 38 anos, anda triste, tão triste que ultimamente até se veste de negro. Já não basto...

Morangos da vida

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Aos 37 anos é muito provável que eu já tenha caminhado metade do percurso que tive, e tenho, pela frente. Andei muitas vezes às escuras, a tropeçar nas pedras do chão que não soube ver a tempo, mas outras vezes, pelo contrário, passeei alegremente e fui conversando com os amigos que fiz pelo caminho. Com tombos ou passeatas de mão dada, valeu tudo a pena. Só há uma coisa que é muito diferente agora: as minhas prioridades e a gestão do meu tempo. É como se o meu cesto de morangos esteja agora meio cheio, ou meio vazio, e eu já não tenha a mesma disponibilidade para os ir deixando cair sem me importar com isso, ou para os dar generosamente sem olhar a quem, ou ainda para simplesmente os deitar fora, como fazia antes, ao mínimo defeito que detetasse na polpa vermelha. Já não faço nada disso. Agora os meus morangos, o meu tempo, são geridos com austeridade. Já não acato conversas que não me levam a lado nenhum. Já não deixo qualquer pessoa entrar na minha vida para que saia à mínima fri...