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A mostrar mensagens de 2008

Espelho Mau

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não suporto a tristeza em pedaços porque me corto nos cacos infelizes da tua melancolia prefiro nascer na tua pele quando ela desperta como um vulcão para que a tua lava arrefeça o ardor da ausência o reconforto de um silêncio mútuo, nascido para sempre em tatuagem mesmo quando for pó poeira de mim fuligem de estrela

As Mães da Praça de Maio

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"Usam lenços pretos na cabeça as mães da Praça de Maio Choram em silêncio pelos filhos desaparecidos Quem os condenou Quem os levou Ninguém sabe Ninguém viu Mas essas mulheres não arredam pé da Praça de Maio Dão as mãos umas às outras e perguntam quase a medo Quem os roubou Quem os matou Ninguém sabe Ninguém viu Partiram de manhã cedo Foram levados por cães Que encheram as ruas de medo Que encheram de dor as mães Chora Argentina Chora Argentina Usam lenços pretos na cabeça as mães da Praça de Maio Choram em silêncio pelos filhos desaparecidos Quem os condenou Quem os levou Ninguém sabe Ninguém viu Mas essas mulheres não arredam pé da Praça de Maio Dão as mãos umas às outras e perguntam quase a medo Quem os roubou Quem os matou Ninguém sabe Ninguém viu Chora Argentina Chora Argentina Chora Argentina" Maria Guinot

Coisas que eu (pres)sinto

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Não pensei que a Lua tivesse oceanos de silêncio, Quando há terramotos dentro mim, só porque a observo ao teu lado. Ignorei haver afectos ou serenidades num olhar distante, que ainda não cruzei, Desenhado em céus onde eu não chovi nem trovejei. Calores e nuances de encontros imperfeitos, ensinaram-me cores que eu não soube conjugar. Vou deslizar nas pestanas intermináveis da volúpia, Sorver as letras do nome que não se soletra sem sílabas de veludo, Rio sem foz, voz sem timbre, dor sem aperto. Estamos a crescer, a sentir, a tocar, a misturar. Tremendamente puro e uno. Como um.

Because I Could Not Stop For Death

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Because I could not stop for Death, He kindly stopped for me; The carriage held but just ourselves And Immortality. We slowly drove, he knew no haste, And I had put away My labor, and my leisure too, For his civility. We passed the school, where children strove At recess, in the ring; We passed the fields of gazing grain, We passed the setting sun. Or rather, be passed us; The dews grew quivering and chill, For only gossamer my gown, My tippet only tulle. We paused before house that seemed A swelling of the ground; The roof was scarcely visible, The cornice but a mound. Since then 'tis centuries, and yet each Feels shorter than the day I first surmised the horses' heads Were toward eternity. Emily Dickinson

O Cacilheiro

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Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro, comboio de Lisboa sobre a água: Cacilhas e Seixal Montijo mais Barreiro. pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa. Na ponte passam carros e turistas iguais a todos que há no mundo inteiro, mas embora mais caras a ponte não tem vistas como as dos peitoris do Cacilheiro. Leva namorados marujos soldados e trabalhadores e parte dum cais que cheira a jornais morangos e flores. Regressa contente levou muita gente e nunca se cansa. Parece um barquinho lançado no Tejo por uma criança. Num carreirinho aberto pela espuma lá vai o Cacilheiro Tejo à solta, e as ruas de Lisboa sem ter pressa nenhuma tiraram um bilhete de ida e volta. Alfama Madragoa Bairro Alto, tu cá tu lá num barco de brincar metade de Lisboa à espera no asfalto e já meia saudade a navegar. Se um dia o Cacilheiro for embora fica mais triste o coração da água e o povo de Lisboa dirá como quem chora, pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa. Ary dos Santos

Naquela Nuvem

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Este tremer de queixo traz-me momentos que revivi num sorriso. O olhar de soslaio não me permite ver-te tal como és. Por isso uso uma lupa mágica. Daquelas que maximizam o esplendor daquilo que os olhos não conseguem ver. Não é isso que é realmente importante?

Reflexos, janelas e uma noite como outra qualquer

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A noite caiu depois de uma tarde de calores amenos. Perdeu-se a brisa de Primavera, mas a noite conseguiu trazer no dorso uma aragem fresca misturada com cores de lua. Da minha janela vejo luzes nas outras casas. Brilhos dos outros. Cada ponto de luz traz em si um pensamento. Um momento distinto na vida de um anónimo que eu consigo imaginar e dar forma, apenas pela luz que sai por entre as cortinas. Pode ser curioso imaginar sorrisos e contratempos quando se olha um reflexo numa qualquer janela.

Um adeus, um recomeço

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"Fizeste crescer no meu corpo um poema Fizeste nascer um tempo diferente Libertos de mágoas, partimos Mãos dadas em busca de um sonho E as mão enlaçadas calaram o riso de toda esta gente Fizeste da vida um tempo de esperança Tão cheio de sol em dias felizes Nas mãos que nós demos Havia promessas O tempo passou Que palavras são essas? Em silêncio guardadas Que já não me dizes É tempo de te arrancar de mim Tempo de escrever outro poema Não pensar que tudo tem um fim Só fica a solidão Só fica a pena Há horas, Há muitas horas por viver Há dias de outros dias renascidos Há mundos que ainda quero conhecer E há sonhos noutros sonhos repartidos Sabias que eu iria partir P'la estrada difícil de ser mais mulher O meu corpo foi chão que tu pisaste Foi ternura que a pouco e pouco renegaste Foi um dizer não àquilo que se quer Não mais sentirei o calor dos teus braços Não mais ouvirei meu amor à tua voz Não mais trocaremos os nossos olhares Não mais essa esperança de um dia voltar És tu...

U2 - One

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Porque às vezes sentimos que somos apenas um. Porque, quase sempre, é essa união que justifica uma vida. Ou ainda porque há quem tenha passado uma existência inteira a tentar encontrar-se e não conseguiu.

(e)Ternamente

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Ontem adormeci no dorso da madrugada. Silenciosa, cálida e pacífica.; tão perfeita que me trouxe o sono sobre uma tela feita daquele linho que permite os melhores sonhos.Pediu-me que os colorisse. Que dramatizasse os meus sonhos sem medo de perder o equilibrio no traço. Perdido dentro de mim, eu encontrei-me finalmente quando consegui encher de cor a tela que a madrugada me deu. Azul de céu, verde de prado, laranja de outono em degradé de tom sobre tom. Sorri enquanto esboçava a tua figura sobre mil e um cenários de volúpia colorida. Os teus braços que acariciam, as tuas pernas que sabem caminhar sobre as estrelas, o teu rosto que sabe desenhar qualquer expressão... passo a passo, eu dei-te vida no meu mundo imaginado onde podes ser quem eu quero que tu sejas. Perguntaste-me se podias libertar-te daquela esquadria onírica e deitar-te a meu lado. Sem muito reflectir ou ponderar prós e contras, eu abri a janela de guilhotina da minha alma e deixei-te entrar. "Não quero sair mais da...