(e)Ternamente




Ontem adormeci no dorso da madrugada. Silenciosa, cálida e pacífica.; tão perfeita que me trouxe o sono sobre uma tela feita daquele linho que permite os melhores sonhos.Pediu-me que os colorisse. Que dramatizasse os meus sonhos sem medo de perder o equilibrio no traço.

Perdido dentro de mim, eu encontrei-me finalmente quando consegui encher de cor a tela que a madrugada me deu. Azul de céu, verde de prado, laranja de outono em degradé de tom sobre tom.


Sorri enquanto esboçava a tua figura sobre mil e um cenários de volúpia colorida. Os teus braços que acariciam, as tuas pernas que sabem caminhar sobre as estrelas, o teu rosto que sabe desenhar qualquer expressão... passo a passo, eu dei-te vida no meu mundo imaginado onde podes ser quem eu quero que tu sejas. Perguntaste-me se podias libertar-te daquela esquadria onírica e deitar-te a meu lado. Sem muito reflectir ou ponderar prós e contras, eu abri a janela de guilhotina da minha alma e deixei-te entrar.

"Não quero sair mais daqui!" disseste-me com um sorriso, levemente amuado, de criança que não quer ser contrariada. Passei-te a mão pelo rosto fino e beijei-te as pálpebras que protegem o teu olhar tão azul e precioso como uma safira. Os meus lábios só podiam libertar e alforriar para sempre algumas palavras:

"Mas sempre aqui estiveste,meu amor! Sempre aqui estiveste!"

Comentários

Anónimo disse…
LINDO! Simplesmente fantástico João! Já dizia o nosso professor de escritra criativa que tu eras uma promessa! Para quando um livro??? Tens que ter tempo!
Gostei de te rever no outro dia no Almada Forum. Continua a escrever. Fazes sonhar as pessoas que te leem.
Bjs
Ana Fonseca disse…
Fiquei extasiada!
Completamente! Que prazer, ler-te!
De toda esta confusão, fica-me esta delícia de ter encontrado a tua escrita! Muito obrigada!
Anónimo disse…
afinal nao sou so eu. :-)

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