Um adeus, um recomeço





"Fizeste crescer no meu corpo um poema

Fizeste nascer um tempo diferente

Libertos de mágoas, partimos

Mãos dadas em busca de um sonho

E as mão enlaçadas calaram o riso de toda esta gente


Fizeste da vida um tempo de esperança

Tão cheio de sol em dias felizes

Nas mãos que nós demos

Havia promessas

O tempo passou

Que palavras são essas?

Em silêncio guardadas

Que já não me dizes


É tempo de te arrancar de mim

Tempo de escrever outro poema

Não pensar que tudo tem um fim

Só fica a solidão

Só fica a pena

Há horas, Há muitas horas por viver

Há dias de outros dias renascidos

Há mundos que ainda quero conhecer

E há sonhos noutros sonhos repartidos


Sabias que eu iria partir

P'la estrada difícil de ser mais mulher

O meu corpo foi chão que tu pisaste

Foi ternura que a pouco e pouco renegaste

Foi um dizer não àquilo que se quer

Não mais sentirei o calor dos teus braços

Não mais ouvirei meu amor à tua voz

Não mais trocaremos os nossos olhares

Não mais essa esperança de um dia voltar

És tu e eu

Somos dois

Ficaremos mais sós


É tempo de te arrancar de mim

Tempo de escrever outro poema

Não pensar que tudo tem um fim

Só fica a solidão

Só fica a pena

Há horas, há muitas horas por viver

Há mundos que ainda quero conhecer

E há sonhos noutros sonhos repartidos

Há horas, há muitas horas por viver

Há dias de outros dias renascidos

Há mundos que ainda quero conhecer

E há sonhos noutros sonhos repartidos"


Maria Guinot, 1981 - Um adeus, um recomeço

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A vida

Que seja!

Romance