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As Palavras

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Sei dizer-te as palavras Quando elas saem assim Sem ordem pensada Sei dizer-te as palavras Palavras de amor Meias-verdades, ou saudades com dor Nascidas no dorso da madrugada As palavras são rótulos de mim São receitas secretas Que tu encontras num avental de cetim As palavras são pedaços de cor Como traje de Columbina sem Arlequim Quando acordo no teu colo Sou flor silvestre em pequeno vaso Que sonha com o teu jardim

Lugar estranho

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O mundo é esse lugar estranho, com leis e regras, tão variáveis em cada espaço, e feitas por homens que nasceram do mesmo milagre. É como um grande edifício com dez casas de banho, onde a utilização da mesma nunca é feita da mesma maneira, e o objetivo comum para todas elas é a última coisa que importa. O mundo é esse lugar estranho. A vontade é a mesma mas o caminho faz-se sem o pragmatismo da bondade.

Genial

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Há a ideia generalizada de que o génio de alguém depende sempre do reconhecimento público. Depois vem a inveja. E depois nada disso importa. A natureza humana nada tem de genial.

Domina-te

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Quem domina o silêncio de si, domina-se. 

Repulsa

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A liberdade não passa pelo galanteio. Isso é sexismo. Não existe um conceito de liberdade para importunar. Ou não deveria existir. A Catherine Deneuve deve ter regressado à fase da "Repulsa". Neste filme de 1965, do Polanski, a sua personagem desprezava os avanços masculinos. Agora, e afinal, a repulsa é outra. Repulsa pela paridade. Como se o poder feminino para repudiar uma postura de galanteio masculino, tornasse a mulher num ser histérico que exprime ódio pelos homens. Perguntem às miúdas de 15, 16 anos, em qualquer latitude do planeta. Infelizmente, até elas sabem. A Catherine, pelo visto não. Ou por outra, sabe e até gosta, mas não quer ser só.

Romance

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O amor romântico é uma tentativa de regulação do sentir. Falha quase sempre, e este quase é já em si um falhanço. Ninguém pode amar por tratado.

Órgão de fogo

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Je te laisserai des mots

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A vida

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A vida é assim esta coisa de cada um por si, a brincar à solidariedade. Para se matar o tempo. Para julgarmos que somos gente. Gente que não tem medo de sentir. Sobretudo, quando já se está morto.

Ninguém

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Ninguém quer ser palhaço mas todos riem e gostam de rir.

Salvador

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Hoje comprei o novo álbum do Salvador Sobral, um disco que cristaliza a vida de palco das canções que o rapaz apresentou no seu trabalho de estreia 'Excuse Me'. Ao vivo, durante meses, em várias salas que esgotaram, Salvador, Júlio Resende, André Rosinha e Bruno Pedroso fazem do som jazzístico um produto vendável num mercado pouco habituado a laurear esta sonoridade, como é o nosso, e de resto também o mundial. É claramente um disco só para quem grama o estilo. O 'Amar pelos Dois', que ele não quer que seja a sua canção BI, também lá está pelo meio, mas em tonalidades de baixo e piano.   Gosto deste disco como se fosse um par da Billie Holiday, do Johnny Hartman, da Ella Fitzgerald ou do Nat King Cole.Até do Frank Sinatra. Gosto de jazz, gosto do improviso, gosto da calma melancólica, e gosto de ver um puto a espalhar este som e a fazê-lo porque é aquilo que gosta. Se vende por conta do sucesso no Eurofestival, ainda melhor para ele. Para mim, que não sou uma autori...

Que seja!

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O que é o Natal, senão uma catarse daquilo que podemos ser de melhor? Seja o que for que se positiva, e só com essa condição, então que seja! Seja um momento feliz que se partilha, seja uma reunião adiada há várias folhas do calendário, ou uma tentativa de paz que se pondera, um ensaio ou um esboço que se desenha com mais ou menos vontade, mas que ainda assim se tenta, seja uma simples tentativa, seja uma hipocrisia positiva arrancada à laia de rolha de espumante. Que seja! Com ou sem ritual religioso, que seja! Com toda a família, ou com quem ainda resta, que seja! Que seja uma catarse da natureza humana, que é o mais provável, mas que ainda assim, seja uma pausa na nossa existência grotesca. Que seja!