Sabor da semana




Uma pequena maldade não deixa de ser isso mesmo, uma maldade. Fazer intrigas sobre a vida de quem nos rodeia é uma forma triste de engrandecer quem alastra o boato. É como alguém que quer, por momentos, ter alguma coisa da sua autoria que chame a atenção dos outros e que essa coisinha se torne em algo precioso.

O ato de espalhar uma informação sobre a vida de uma pessoa dá, por poucos minutos, a sensação de um poder delicioso. É como possuir um objeto valiosíssimo que estamos dispostos a partilhar com quem o quiser receber das nossas mãos. O pior é que essa pequena maldade, capaz de nos tornar mais importantes por breves instantes, tem também o poder de provocar lesões emocionais. Criar desconfianças. Tecer armadilhas e tensões nos outros que foram escolhidos para ser o "sabor da semana".

Não existe sanção no Código Penal para a "pequena difamação" muito embora, inocente ou absurda, o boato alastre e queime sem indeminizações que possam reparar aquilo que existia antes. É claro que há a figura jurídica da difamação e da calúnia. Mas muitas vezes o desgaste que uma situação destas acarreta, desencoraja o recurso à abertura de um processo deste tipo. Dizem que onde há fumo há fogo, e por isso um boato pode de facto ser uma verdade em potência. Mas de fogo, o boato só tem uma coisa: a analogia com um revólver. Se for verdadeiro é uma bala vinda ninguém sabe bem de onde, e por outro lado se for mentira é com toda a certeza um tiro à queima roupa. Puum!

Uma consciência limpa e um poder de encaixe sadio são os melhores antídotos naturais contra a maledicência. Aquilo que se diz, diz quem disse mas não viu, revela muito mais sobre o arqueiro do que sobre o alvo. E muitas vezes a pontaria é realmente fraca. É a chamada miopia da capacidade cognitiva de alguns.

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