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A mostrar mensagens de março, 2012

Cinderela

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A Marta Cabral era a minha amiga dos mundos inventados que só os miúdos podem entender. Aprendi a dar os primeiros passos com ela e quando caiamos, ajudavamo-nos um ao outro a levantar. Nas palavras ela era mais rápida do que eu. Quando ela já era um papagaio, ainda estava eu a aprender a pronunciar a letra R que tanto custava. :) Depois veio o cinema aos domingos, sempre às 11 horas, para ver a Branca de Neve, o Peter Pan e o Dumbo. Uma cadeira chegava para os dois porque assim já não se levantava pelo pouco peso que tinhamos quando estávamos cada um na sua. Uma das coisas que gostávamos mais de fazer era ouvir discos de histórias numa aparelhagem lindíssima, em madeira lacada, que tinha um rádio incorporado. Muitas vezes tínhamos medo dos dragões ou das bruxas que gritavam na história, e por isso escondiamo-nos debaixo da mesa até que se calassem. Cheguei a coleccionar um tesouro com 1000 quinquilharias que eu achava aqui e acolá e ofereci-lhe para que ela guardasse. E ela guardou...

Carta ao Pai Natal

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E não é que escrevi muitas cartas ao Pai Natal? A minha avó era a minha carteira preferida. Eu entregava-lhe a carta, com um ar muito solene, e ela garantia-me que lá na Lapónia, o Sr. das barbas brancas ia ter tempo de a ler e ponderar a minha lista de pedidos. Quando descobri o faz de conta sobre trenós puxados por renas e presentes para meninos bem comportados, quis logo saber onde andavam afinal as minhas cartas... A minha avó tinha todas as cartitas guardadas dentro de uma caixa de folha pintada com ramagens. Guardava-as como se fossem cartas de amor.

No, they don't

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Ontem fiz uma classic movie night e projectei na tela da sala (japonesa da janela) um western americano, que já tinha ouvido falar, mas nunca tinha visto: "Duel in the Sun" (1946). Gregory Peck, Joseph Cotten e Jennifer Jones. Sou viciado no cinema americano dos anos 40 e 50. Quem disse um dia que "they don't make them like this anymore", sabia aquilo que dizia e eu concordo plenamente. Mudam-se os tempos, mudam-se os gostos, mudam-se os estilos, muda-se tudo, com certeza. Mas ainda bem que há lançamentos em DVD/Blue Ray e os ciclos da cinemateca. :-))))

Licença para lembrar

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Hoje a vida é, em muitos aspectos, mais simples. Há a Internet e o Facebook a servirem de grandes portões que se abrem para o mundo. Desde a estrela de cinema, passando pelo jogador da 1a divisão, até ao Sr. António da mercearia, quase tudo e todos estão na Internet ou têm perfil no Facebook. Fácil, não é? :) Mas quando eu era miúdo e queria contactar alguém que habitasse o meu imaginário de adolescente, tinha de me esforçar imenso. Era preciso encontrar moradas. Ler revistas da especialidade. Escrever cartas. Pensar muito bem antes de escrevê-las. E aguardar pacientemente que respondessem. Das cartas que eu escrevi, no alto da minha inocência, duas figuras públicas responderam através dos seus agentes, eu creio: o realizador Steven Spielberg e a actriz Maryam D'Abo. Era emocionante receber uma carta dos Estados Unidos com uma nota de agradecimento e uma fotografia autografada. :-) A loura actriz do filme do James Bond, ou alguém por ela, tinha recebido a minha carta, agradeceu e...

Mães da Praça de Maio

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Segundo números oficiais, cerca de 18 mil pessoas desapareceram na Argentina durante a ditadura militar (1976-1983) mas os organismos de direitos humanos elevam esse número para 30 mil. Muitas crianças, filhas de casais considerados subversivos, desapareceram sem deixar rasto. Durante anos a fio, as mães dessas crianças marcharam todas as 5ª feiras à volta da pirâmide da Praça de Maio como protesto pelas atrocidades cometidas. Maria Guinot talvez tenha sido a única artista que ofereceu uma canção a estas mães.

Dói

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Dói muito uma dor de dentes. Dói também uma infecção no ouvido. Dói ainda uma luxação nos músculos. Uma agressão, um sacudir violento, um pontapé, um murro bem assente, doem tanto. Mas mesmo doendo muito, doem mais do que a ausência? A (não)presença de um ser querido que já não está. Um pai que vai embora e não volta. Um irmão ou irmã que não está perto. Um amigo que perdemos no tempo e não encontramos mais. Uma cidade que conhecemos e à qual não voltámos. Um prato favorito que deixou de ser confeccionado. Um sol radioso que se perdeu nos dias de chuva. Uma vida que passou e não a agarrámos. As histórias da avó que não ficaram escritas. As palavras perfeitas que dissemos e não escrevemos. Doem muito mais todas estas coisas. A maior das dores é a saudade do amor. Uma saudade feita dos beijos dados, dos cheiros que se registaram e que o tempo não apaga. Aquela saudade de uma voz que conhecemos tão bem o timbre mas que não a ouvimos mais, porque não se materializa. Saudade de uma ausênc...

Viagens

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Grande verdade. Às vezes até custa escolher aquele livro que vai ser lido a seguir. Um dilema! Viajar é o que eu mais gosto. Viajar e ler. Por isso é que prefiro os livros que me façam viajar. Em alguns livros diferentes, e por pontes feitas com parágrafos, já fui ao Egito e subi a grande pirâmide como se fossem degraus de uma escada desgraçadamente alta. E não precisei de me ter metido num avião... :)

Estranho Ser

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 É estranho mas estamos treinados para gostar de mentiras suaves e agradáveis. Gostamos de usar, e que usem, o eufemismo quando o assunto somos nós. Tudo menos confrontação. Ou realidade cruas e francas. Prefere-se uma mentira feita de purpurina sintética do que uma verdade que possa encadear os olhos, mesmo que seja feita com o brilho de estrelas. Estranha forma de (se) ser.