Cinderela
A Marta Cabral era a minha amiga dos mundos inventados que só os miúdos podem entender. Aprendi a dar os primeiros passos com ela e quando caiamos, ajudavamo-nos um ao outro a levantar. Nas palavras ela era mais rápida do que eu. Quando ela já era um papagaio, ainda estava eu a aprender a pronunciar a letra R que tanto custava. :) Depois veio o cinema aos domingos, sempre às 11 horas, para ver a Branca de Neve, o Peter Pan e o Dumbo. Uma cadeira chegava para os dois porque assim já não se levantava pelo pouco peso que tinhamos quando estávamos cada um na sua. Uma das coisas que gostávamos mais de fazer era ouvir discos de histórias numa aparelhagem lindíssima, em madeira lacada, que tinha um rádio incorporado. Muitas vezes tínhamos medo dos dragões ou das bruxas que gritavam na história, e por isso escondiamo-nos debaixo da mesa até que se calassem. Cheguei a coleccionar um tesouro com 1000 quinquilharias que eu achava aqui e acolá e ofereci-lhe para que ela guardasse. E ela guardou...