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A mostrar mensagens de 2009
Lava
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em lava de gelo, renasci para o teu olhar um mar de fogo sem ondas, cinza ou pedra só lavaredas que arrepiam e fazem tornar vento sou estátua feita de ar que não existe mas quer ser sem chão mas com certeza de ter tecto já era assim antes de ser ter cor de chuva num dia de estio mas poder conter uma noite de estrelas no canto do sorriso lava de gelo que me arde naquilo que fui e já não sou porque já não sei ser.
Entre dois Mundos
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Há dois mundos no meu Mundo Há duas águas E uma lua com duas fases Há uma luz bem lá no fundo por onde escoam todas as mágoas e onde todos os fracos descobrem que afinal são capazes Há dois mundos no meu Mundo onde o absurdo é o certo e o errado passa a ser o correcto Há dois mundos no meu Mundo Há uma emoção que estando longe, mora bem perto E que é capaz de Ser sem Ter num momento perdido em horizonte deserto Há um Mundo entre dois mundos O que sou, o que fui e o que ainda vou ser Há um Mundo entre dois mundos Uma vontade feita flor que apenas ontem, aprendeu a florescer
Indiana Jones e eu
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Hoje fui ao meu baú de boas recordações. Encontrei misturado entre centenas de outros momentos deliciosos, aquele dia de Outubro de 1984 no qual o meu pai me levou ao cinema à estreia do filme Indiana Jones e o Templo Perdido. Nesse ano eu estava na 4ª classe, tinha 9 anos e alimentava uma curiosidade do tamanho do mundo. Apesar dos alertas que recebi para não ver o filme por ser violento de mais para um menino da minha idade, insisti ad nausium para que me deixassem ver o filme, que afinal tinha como protagonistas um herói arqueólogo, uma cantora relutante e um menino chinês da minha idade. Se não era suposto as crianças verem este novo capítulo do Indiana Jones, por que carga de água deixariam um miúdo de nove anos viver esta aventura cheia de emoções e perigos? O meu pai sorriu com os meus argumentos. 'Queres ver o Indiana Jones, então eu levo-te a vê-lo e não te queixes depois!'. Fiquei satisfeito. O meu pai confiava em mim e pela primeira vez aceitou os meus argumentos ...
O pássaro e as nuvens no meu café
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Não há maneira de encontrar coisa melhor do que me perder dentro de mim. Perder-me nas boas recordações e nos bons pensamentos que me antecipam sorrisos. Peço um café escuro de ébano e recosto-me na cadeira de vime que balanço irrequieto. Vejo pessoas, jovens, velhos e crianças que cruzam caminhos e raramente oferecem olhares. Imagino destinos e vidas em cada um destes seres. Para onde vão? O que temem e aquilo que os faz sentir mais vivos são ideias que se tornam vivas em mim. Depois acordo no meio daquele lençol de pensamentos e abano a cabeça num meio-sorriso que só eu entendo. O meu café continua quente e bilhante. Negro, brilhante e cheio de nuvens. Naquele pedaço de céu reflectido no meu café passou um passáro contente. Contente, porque não existem pássaros tristes. Voar e ser triste é coisa que não existe.
Pretérito Perfeito
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Quando estava sozinho, perdi Quando fui triste, chorei Quando te vi, percebi Quando te conheci, voei Quando deste um sorriso, eu ri Quando choraste, soluçei Quando mostraste, eu vi Quando calaste, eu falei Quando partiste, eu morri Quando escreveste, eu decorei Quando tudo morreu, eu sobrevivi E quando morri, eu voltei Quando promesteste, eu cumpri Quando ofereceste, eu coleccionei Quando cresci, eu vivi Quando te conheci, voei Quando falaste, ouvi Quando tocaste, arrepiei Quando dançaste, eu assisti Quando calaste, eu falei Quando partiste, eu morri Quando escreveste, eu decorei Quando tudo morreu, eu sobrevivi E quando morri, eu voltei
Lua feita de mim
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Dei-te uma lua feita de mim que este corpo meu teceu com beijos de cetim que eu encontrei num olhar teu. Uma lua sem luar que me embala no adormecer, feita de beijos a brilhar, como estrelas a florescer. Dei-te uma lua feita de mim sempre a girar numa valsa de jasmim vestida com a noite a perfumar. A lua que te dei ainda a tens? Pedaços teus que eu amei, numa noite vazia tao escura e tão fria. Assim te dei eu a lua, meu amor. Antes de ti, ela não existia.
Ocaso daquilo que fui
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"My darling. I'm waiting for you. How long is the day in the dark? Or a week? The fire is gone, and I'm horribly cold. I really should drag myself outside but then there'd be the sun. I'm afraid I waste the light on the paintings, not writing these words. We die. We die rich with lovers and tribes, tastes we have swallowed, bodies we've entered and swum up like rivers. Fears we've hidden in - like this wretched cave. I want all this marked on my body. Where the real countries are. Not boundaries drawn on mapswith the names of powerful men. I know you'll come carry me out to the Palace of Winds. That's what I've wanted: to walk in such a place with you. With friends, on an earth without maps. The lamp has gone out and I'm writing in the darkness. " in The English Patient