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A mostrar mensagens de junho, 2008

Coisas que eu (pres)sinto

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Não pensei que a Lua tivesse oceanos de silêncio, Quando há terramotos dentro mim, só porque a observo ao teu lado. Ignorei haver afectos ou serenidades num olhar distante, que ainda não cruzei, Desenhado em céus onde eu não chovi nem trovejei. Calores e nuances de encontros imperfeitos, ensinaram-me cores que eu não soube conjugar. Vou deslizar nas pestanas intermináveis da volúpia, Sorver as letras do nome que não se soletra sem sílabas de veludo, Rio sem foz, voz sem timbre, dor sem aperto. Estamos a crescer, a sentir, a tocar, a misturar. Tremendamente puro e uno. Como um.

Because I Could Not Stop For Death

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Because I could not stop for Death, He kindly stopped for me; The carriage held but just ourselves And Immortality. We slowly drove, he knew no haste, And I had put away My labor, and my leisure too, For his civility. We passed the school, where children strove At recess, in the ring; We passed the fields of gazing grain, We passed the setting sun. Or rather, be passed us; The dews grew quivering and chill, For only gossamer my gown, My tippet only tulle. We paused before house that seemed A swelling of the ground; The roof was scarcely visible, The cornice but a mound. Since then 'tis centuries, and yet each Feels shorter than the day I first surmised the horses' heads Were toward eternity. Emily Dickinson

O Cacilheiro

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Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro, comboio de Lisboa sobre a água: Cacilhas e Seixal Montijo mais Barreiro. pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa. Na ponte passam carros e turistas iguais a todos que há no mundo inteiro, mas embora mais caras a ponte não tem vistas como as dos peitoris do Cacilheiro. Leva namorados marujos soldados e trabalhadores e parte dum cais que cheira a jornais morangos e flores. Regressa contente levou muita gente e nunca se cansa. Parece um barquinho lançado no Tejo por uma criança. Num carreirinho aberto pela espuma lá vai o Cacilheiro Tejo à solta, e as ruas de Lisboa sem ter pressa nenhuma tiraram um bilhete de ida e volta. Alfama Madragoa Bairro Alto, tu cá tu lá num barco de brincar metade de Lisboa à espera no asfalto e já meia saudade a navegar. Se um dia o Cacilheiro for embora fica mais triste o coração da água e o povo de Lisboa dirá como quem chora, pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa. Ary dos Santos