Gata das Camélias
Se há uma coisa que nos faz descer ao mesmo patamar dos animais, é a doença. Ficamos prostrados, recolhidos no leito, zangados com a dor, sempre numa tentativa sôfrega de encontrar a posição mais confortável, onde tudo nos parece preferível à ideia assombrada do hospital. Hoje a minha amiga felina, doente há uma semana, foi ao veterinário para fazer exames. Os resultados foram cinzentos e chuvosos sem nenhuma promessa de um dia de sol. Os 11 anos que já tem, apesar do brilho esmeralda que ainda guarda nos olhos, fazem-me compará-la a uma senhora idosa de porte elegante e feições agradáveis que não perde a dignidade com as más notícias que a condenam. Nos minutos que eu tive para pensar, durante a consulta de veterinária, sobre aquilo a fazer para lhe minorar a dor, decidi que vou viver a história de amor até ao fim. Ela será a Margarida Gautier ,a tal Dama das Camélias no romance de Alexandre Dumas Filho, e eu o Armand, o dono da devoção que ela me atribuiu desinteressadamente duran...