O pássaro e as nuvens no meu café
Não há maneira de encontrar coisa melhor do que me perder dentro de mim. Perder-me nas boas recordações e nos bons pensamentos que me antecipam sorrisos. Peço um café escuro de ébano e recosto-me na cadeira de vime que balanço irrequieto. Vejo pessoas, jovens, velhos e crianças que cruzam caminhos e raramente oferecem olhares. Imagino destinos e vidas em cada um destes seres. Para onde vão? O que temem e aquilo que os faz sentir mais vivos são ideias que se tornam vivas em mim. Depois acordo no meio daquele lençol de pensamentos e abano a cabeça num meio-sorriso que só eu entendo. O meu café continua quente e bilhante. Negro, brilhante e cheio de nuvens. Naquele pedaço de céu reflectido no meu café passou um passáro contente. Contente, porque não existem pássaros tristes. Voar e ser triste é coisa que não existe.